Sempre detestei acampar. A minha natureza vê-se da janela, do alpendre, com o ocasional passeio, mais ou menos longo, claro. No entanto, segundo a linha dominante num certo “marxismo ocidental”, corro o risco de ser um campista.
Piada à parte, e há algo de divertido nesta retórica, um campista é aquele que escolhe um campo, na origem o campo anti-imperialista liderado pela URSS, a partir da ideia dos dois campos, parte da chamada Guerra Fria.
Vai daí e é toda uma teoria da conspiração sobre correias de transmissão. O problema é que conspirações há muitas e se seguirmos o rasto do dinheiro e das infiltrações há umas mais plausíveis que outras e com fins mais ou menos inconfessáveis. Que las hay, las hay.
Pela minha parte, tento tomar partido, identificar, sempre com a crucial ajuda de outros, a contradição internacional principal: creio que esta é hoje entre um mortífero e, espera-se, decadente sistema liderado pelos EUA, com o restante G-7/UE incorporados, com mais ou menos retórica à parte, e um mundo multipolar, assente no soberanismo, em nascimento, produto tardio do grande levantamento anticolonial, sem perder de vista o conteúdo socioeconómico variado dessa multipolaridade.
Este último mundo tem uma geometria variável – não há uma alternativa, mas sim potenciais alternativas. Seja como for, que ninguém duvide: a China é o alvo principal do imperialismo e no caminho estão governos com os quais há uma profunda afinidade, caso de Cuba mortiferamente cercada, e governos onde tal identificação profunda não existe, caso do Irão, mas que resistem como podem a uma agressão mortífera e ainda bem que o conseguem fazer.
Não há como hesitar, e se estou a ver bem o filme, não haverá cá terceiras vias; bom, talvez só a economia mista...


2 comentários:
A ex- URSS não era imperialista exactamente porquê?
Entre as n+1 razões que poderiam ser convocadas, incluindo na boa interpretação marxista de imperialismo, deixo só uma: porque deu um contributo único e decisivo para o grande levantamento anti-colonial.
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