Não concordo com a ideia de que os sindicatos perderam força porque a economia migrou da indústria para o setor de serviços. Não há nenhuma razão estrutural que impeça a sindicalização de trabalhadores da Amazon, do Walmart e do setor de fast-food hoje em dia. O problema é o ambiente jurídico hostil aos trabalhadores.
Vale a pena seguir Tony Annett no Twitter, economista católico e social-democrata, antigo funcionário do FMI.
Esta é uma hipótese importante, aplicável a Portugal, dos centros logísticos aos pingos amargos. E não é só o ambiente jurídico, embora os enviesamentos de classe se estejam a aprofundar aí. São as práticas antissindicais patronais, à margem da lei, com perseguições sistemáticas, num ambiente laboral liberticida de medo.
Conheço casos bem concretos de heróis e heroínas sindicais. E milhões de euros são gastos todos os anos em litigância agressiva só por um pequeno grande ditador, por um capitalista-herdeiro.
Quem quiser ser liberal político consequente tem de entrar na grande empresa capitalista, essa concentração de poder autoritário. Por alguma razão são raros os que o fazem, na esteira de John Stuart Mill ou, recentemente, de Elizabeth Anderson, até porque correm o risco de virar socialistas, uma maçada.
Por cá, basta seguir o dinheiro das fundações pingos doces e assim para se compreender o conformismo da elite dita liberal.


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