quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Influência


Há uma pessoa de direita chamada Adriana Cardoso, que aqui menciono meramente como representativa de um empresariado de si-mesmo, na versão influencer, a quem o quase-falido grupo Impresa paga para ser tudóloga. Não é caso único, claro. 

Da recusa em chamar genocídio ao genocídio do povo palestiniano, ao contrário do consenso entre estudiosos dos genocídios, ao que se quiser. Ela fala sobre tudo, com a mesma ignorância liberal atrevida de quase tudo, sem esquecer que gosta de falar da “minha geração”, como se tal categoria fizesse algum sentido político, ainda para mais numa sociedade tão brutalmente desigual. 

Aparentemente, também aproveita agora para monetarizar a sua presença em debates políticos pagos a 22 euros por cabeça sobre a legalização da prostituição e o que mais houver, em modo de Oxford, ouça, fino. Sim, leram bem, debates políticos pagos, devia ter colocado aspas em debates políticos, dada contradição nos termos. 

Tudo isto seria bastante trivial e francamente irrelevante se não fosse parte da tendência de mercadorização, e de correlativa “merdificação”, de tantas esferas, incluindo de um simulacro que passa por política televisionada. Daí aos debates pagos é só um passo, já dado num teatro municipal em Lisboa. 

Mas se calhar isto já acontece há mais tempo e eu só agora é que reparei. Não interessa. O que interessa é que tudo se compra e tudo se vende no capitalismo sem freios. O resultado: corrupção moral, mediocridade generalizada e normalizada. 

Não há nada para ver ou debater aqui.

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