Creio que este dado sugere uma hipótese diferente da aventada pelo liberal-ferradura Ian Krastev no Financial Times de hoje: os mais velhos foram educados na cultura e na memória antifascistas da RDA.
Já agora, em The Light that Failed: A Reckoning, Ian Krastev, em coautoria com Stephen Holmes, tinha reconhecido que a restauração capitalista na Europa Oriental se deu num quadro neoliberal, sem considerações pelas classes trabalhadoras, muito diferente do contexto que presidiu à reconstrução do capitalismo ocidental a seguir à Segunda Guerra Mundial.
Interessados em explicar a “recessão democrática” aí registada, argumentam precisamente que “a principal razão para esta mudança foi o desaparecimento da ameaça comunista e o corolário de que não eram requeridos esforços especiais para manter a lealdade dos trabalhadores ao sistema no seu conjunto”.
Sim, esta hipótese é semelhante à formulada por Eric Hobsbawm umas décadas antes, mas estes liberais tiveram relutância em reconhecer o contributo de um grande historiador marxista, como já argumentei.


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