quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Estreito


Reafirmo a minha ideia originalíssima para travar as pressões inflacionárias, quase sempre reais e não monetárias, neste contexto: dar espaço à diplomacia, parar a guerra e a corrida armamentista. Olhai para o gráfico do petróleo que passa pelo estreito de Ormuz, felizmente controlado pelo Irão, arma contra a destruição deste país, de mais um país, pelo imperialismo. 

Sim, a inflação passa pelo estreito, como Vicente Ferreira detalhava logo em março. Perante estas pressões, perante a ameaça de novas rondas de aumentos das taxas de juro pelos bancos centrais e na senda da sua tão irresponsável quanto coordenada e maciça redução do volume de obrigações dos tesouros detidos nos seus balanços, os preços das obrigações têm caído fortemente nos mercados secundários, o que é o inverso da subida tão automática quanto acentuadíssima das taxas de juros nesses mercados. 

Quanto ao resto, insistimos: a subida das taxas de juro pelo banco central é um martelo que quer bater sobretudo na cabeça dos trabalhadores, por via do desemprego, sendo que o essencial na pressão inflacionária não é obviamente prego. 

E voltamos a insistir, na senda de Paulo Coimbra: qualquer banco central controla sempre, se assim quiser, a taxa de juro, um preço sempre político, em todas as maturidades, da dívida que está denominada na moeda que emite, sendo que, obviamente, a existência de controlos à saída e entrada de capitais ajuda a estabilizar a situação (vide China...). Não, não há crises de dívida verdadeiramente soberana. 

Os problemas nos mercados financeiros liberalizados, onde a dívida pública sempre foi uma sua espinha dorsal, estão por todo o lado: pela especulação desenfreada em torno da IA, pela explosão do crédito dito privado, à margem de regulação demasiado conforme ao mercado, sem falar de toda a sorte de ativos tóxicos em modo cripto e assim sucessivamente, numa espiral que pode bem acabar como em 2007-2008.

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