Porque fico chocado com a fraude reiterada de Santa Claude, que “escreve” sobre livros que manifestamente não abriu sequer, um académico e logo um que é financiado publicamente para ter umas cenas ditas de ensino, um escândalo nacional? Isto é profundamente pessoal e também político.
A minha vida é em parte passada a ensinar, o que pressupõe tentar pensar e escrever, um modesto elo de uma cadeia universitária sem fim, também com livros, livros e mais livros, incluindo velhos, os que cheiram tão bem, os resgatados em idas ao depósito da biblioteca bem sortida, por exemplo. Chamem-me conservador, que é para o lado que durmo melhor: esta cadeia do tempo – sim, ecos de Burke – não se pode quebrar. O objetivo da barbárie é quebrá-la, para que só fique um amontoado de mercadorias, o deserto do tal realismo capitalista, mas não passarão.
O que é ensinar? Sei lá eu, mas começa por ser dar confiança a quem está à minha frente, tentando nunca esquecer que estive ali, naquele lugar: ides imiscuir-vos numa conversa plural, mais ou menos refinada, que já está a decorrer há muito, nada temeis, tereis certamente algo a dizer – sim, ecos de Oakeshott. Só ecos conservadores, em modo Red Tory, tal como MEC. Na realidade, a excelência só floresce na massificação, na democratização igualitária.
E como disse um grande historiador e economista moral britânico chamado Richard Tawney, num livro de 1931 chamado simplesmente Equality: “O progresso depende da disponibilidade da massa da humanidade – e todos nós, em nove décimos da nossa natureza, pertencemos à massa – para reconhecer a superioridade genuína, submetendo-se à sua influência (...) Mas para os indivíduos se respeitarem por aquilo que são, têm de deixar de se respeitar por aquilo que têm”.
Qual é o cume da realização profissional? Um obrigado, professor, este livro, esta pista, ajudou-me. Fi-lo também, faço-o também. Se tentarmos passar certos hábitos de pensamento e de reconhecimento, estaremos a formar melhores pessoas em todas as dimensões, incluindo profissionais.
Nunca se desiste da esperança iluminista, que mais não seja por pura reciprocidade, outros não desistiram de nós, lã, neve, memória, futuro. E ler romances faz tão bem, parte da tal formação integral, trabalhamos com retórica e simpatia e assim nestas áreas inevitavelmente morais.


1 comentário:
Fica o prazer da leitura!
Obrigado
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