John Atkinson Hobson (1858-1940) foi um “economista herético”, assim se autodenominou, muito influente, mas que uma ciência desmemoriada desconsidera. Foi o autor precoce de uma teoria do subconsumo, associando este problema permanente de défice de “procura efetiva”, expressão que usou, à desigualdade de rendimentos e de riqueza do capitalismo do seu tempo.
A partir daí, e das suas observações como correspondente do Manchester Guardian na segunda guerra anglo-boer, construiu uma teoria do imperialismo, expressão na política externa das grandes potências da sua necessidade estrutural de busca de mercados, sobretudo para o capital excedentário.
A sua influência deve-se a Lénine e a Keynes, em grande medida.
De facto, em 1916, Lénine usou Imperialism – A study (1902), acima citado, como uma das principais fontes do seu enormemente influente Imperialismo – Fase Superior do Capitalismo, citando profusamente este “pacifista e social-reformista burguês” que sabia unir pontas.
Em 1936, Keynes reconheceu, no capítulo 23 da Teoria Geral, a natureza marcante da obra de Hobson, a sua “coragem”, até porque a heresia económica comprometeu o seu lugar na academia. Apesar de um ou outro reparo, Keynes incorpora a sua teoria do subconsumo e as suas prescrições de reforma social.
Li Hobson na peugada de Lénine e de Keynes, parte da tentativa de articular a tradição marxista e keynesiana, num quadro antifascista intelectualmente consequente.
Para uma ciência antissocial, fora da história, ou seja, anticientífica, o que é importante não interessa. É no que dá o peso de certos e determinados interesses financeiros, de resto bem escalpelizados por Hobson no seu tempo; lá está, o método é sempre importante.


1 comentário:
Se bem que eu coloque Lenine no lugar inicial da série e, por último, o Keynes, talvez...
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