Quando Portugal entrou na CEE, despertou-se uma vontade súbita de ascender socialmente. O brilho das novidades vindas do estrangeiro cosmopolita impunha-se, então, como um estímulo a uma nova forma de vida, inspirada pelo consumo e pelo crédito. A partir daí, espaços de sociabilidade foram perdendo relevância. Muito lentamente, as coletividades entraram num período de declínio, que já na transição do século refletir-se-ia até na dificuldade em formar listas para as suas direções.
Quando comecei a frequentar os cafés da minha cidade com amigos e conhecidos, questionava-me, com frequência, sobre o motivo que levava um determinado grupo de pessoas a manter-se fiel a esses espaços e uma outra casta a preferir uma sociabilização mais restrita, doméstica, discreta. O movimento de ascensão de classe da minha família permitia-me experienciar as duas vivências.
O resto do artigo de Jorge C. pode ser lido no AbrilAbril. Gosto particularmente da forma honesta como nos seus artigos a primeira pessoa do singular se liberta numa certa e determinada primeira pessoa do plural. Somos de facto um conjunto de relações sociais, produtos e produtores de cultura. Haja cultura proletária.


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