terça-feira, 5 de maio de 2026

Haja visão


Foi no terreno, contactando com comunidades devastadas pela violência, que Traoré terá consolidado a sua visão política, assente num diagnóstico simples: a independência política, conquistada em 1960, nunca foi acompanhada de uma verdadeira independência económica. 

Tenho comprado a Visão com alguma regularidade, depois ter contribuído para o projeto de controlo da publicação pelos próprios trabalhadores, uma luta meritória em curso. Esta semana fi-lo sobretudo por causa de uma excelente reportagem, da autoria de José Rodrigues, sobre o Burkina Faso e sobre o corajoso Ibrahim Traoré, discípulo do imortal Thomas Sankara. 

O jornalista foi lá e apreciou a reconstrução de uma nação digna nas mais duras, mas também esperançosas, circunstâncias, incluindo graças à conquista do controlo público de setores estratégicos. Ir e ver acaba por ser um antídoto em relação às campanhas imperialistas contra Traoré a que uma certa esquerda eurocentrada é absolutamente vulnerável. O jornalismo deve ser mesmo a primeira versão da história.

1 comentário:

José A. Costa disse...

Caro camarada, a questão, quanto a mim, não é tanto que «uma certa esquerda eurocentrada [seja] absolutamente vulnerável» ao discurso e à praxis do Imperialismo, é que seja com ele absolutamente cúmplice. Aliás, precisa dele para se manter.