Porque ninguém vota no vazio. Vota-se num campo cuidadosamente preparado, onde uns têm palco permanente e outros mal existem, onde se fabricam inevitabilidades através de sondagens e pseudo-sondagens repetidas até à exaustão, não para informar, mas para condicionar. Vota-se num ambiente onde a pergunta nunca é «quem defende o quê?», mas «quem tem hipóteses?», como se a democracia fosse uma corrida de cavalos e não uma escolha política substantiva.
Vale a pena, por isso, fazer o exercício que não foi feito nos grandes meios de comunicação: que resultados teríamos tido se não houvesse este bombardeamento diário de números apresentados como ciência, mas usados como arma psicológica? Que reflexão colectiva teria sido possível se os cidadãos tivessem sido confrontados com as campanhas reais, com os conteúdos, com as propostas, com o percurso e as escolhas concretas de cada candidato, e não apenas com caricaturas e silêncios estratégicos?
Excerto de um excelente exercício de Sofia Lisboa: Agora sim, a segunda volta.


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