segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

A economia tem de ser de esquerda II

A esquerda que não se acomodou sabe que o mercado, independentemente da forma como está estruturado, é um mecanismo profundamente incompleto e com inúmeras falhas. Não se trata de o abolir. Tal não só não é possível, pelo menos não em sociedades com uma intensa e complexa divisão social do trabalho, como nem sequer é desejável. Trata-se antes de definir politicamente as suas fronteiras sempre contestadas e as regras que quem nele opera tem de aceitar. Hoje, por exemplo, é claro que a liberdade excessiva da finança de mercado impõe fardos e obrigações indesejáveis ao conjunto da comunidade. Assim, é preciso aumentar as obrigações da finança para que a nossa liberdade possa aumentar. É o que faz, por exemplo, esta proposta sensata. Mais propostas destas serão necessárias. Traçar linhas entre instituições e redefinir politicamente quem tem direitos e quem tem obrigações. No fundo, toda a economia é política porque toda a economia é um sistema de interdependências que têm de ser geridas.

4 comentários:

Anónimo disse...

Como é óbvio, esses registos existem em todos os bancos. É apenas mais uma proposta de propaganda ou, como é muitas vezes o caso, vindo de quem vem, por pura ignorância.

Von Moltke disse...

Olá, gostaria de saber quais são as falhas q a esquerda atribui ao mercado


Abraço

João disse...

Há quem defenda que nada melhor que o mercado para resolver o problema da garantia de uma distribuição eficiente da riqueza. Asseveram-nos que existe um processo natural de convergência de rendimento. Assim, uma economia que defenda a propriedade e a iniciativa privada, a livre concorrência - em princípio sem qualquer interferência do Estado já que a auto-regulação económica far-se-á naturalmente através do mercado – estará em melhores condições para crescer e enfrentar os desafios. A criação de riqueza resultará de uma conjugação de factores (terra, trabalho e capital), assente num conjunto de medidas económicas que se caracterizam pelo ajuste estrutural, abertura do mercado mundial, privatizações e fomento à competitividade. Deste modo ocorrerá uma redução das desigualdades quando a economia atinge um estado estacionário, ponto sobre o qual acontecerá a convergência absoluta dos rendimentos per capita.

Será isto verdade?

João disse...

Por outro lado, há quem diga que a ideia de que o crescimento económico elimina as desigualdades ou que pelo menos as reduz, não corresponde à realidade. É que, a evidência empírica não confirma necessariamente essa ideia. Quer dizer no cerne do debate, há duas visões diametralmente opostas sobre a dinâmica do desenvolvimento. A visão convergente, que vê no crescimento económico a solução para a redução das desigualdades e a visão divergente, para a qual as desigualdades são inerentes ao crescimento económico e próprio do sistema de mercado. Estes falam-nos em efeitos inevitáveis da dinâmica económica sobre as economias, utilizando a noção de causalidade circular e ciclo vicioso da pobreza.

Quem é que tem razão?