quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A caminho do desastre


Os cidadãos podem não saber nada de economia, mas já perceberam que o discurso público sobre o Orçamento de 2012 pretende prepará-los para algo que nunca imaginaram quando deram a maioria a esta coligação de direita. Na linguagem cifrada do ministro das Finanças, serão tomadas “medidas permanentes e estruturais para 2012 e anos seguintes”. Ou seja, o governo vai proceder a reduções na despesa pública (salários, pensões, despedimentos) de tal magnitude que, descontado o efeito da recessão sobre as receitas fiscais, o objectivo do défice para 2012 seja alcançado. Para mal do país, a economia acabará por mostrar, mais uma vez, que os governos podem controlar a despesa, mas não o défice.

Hoje na minha coluna no jornal i

3 comentários:

Carlos Albuquerque disse...

"A notícia de que o défice orçamental estimado pelo INE para o primeiro semestre do ano já representa, em valor absoluto, 70% do valor previsto para a totalidade do ano foi a mais importante da semana passada."

Sabendo que foi Sócrates e o PS que governaram até meio do ano, é óbvio que o descalabro não pode ser atribuído às políticas deste governo.

Continuo a ter imensa dificuldade em confiar nas ideias económicas que apoiaram todo o tipo de despesismo irracional a favor de mega grupos económicos e se recusam a reconhecer que contrair dívidas para dar o dinheiro aos ricos (e umas migalhas aos pobres) não é solução para nenhuma economia.

Capo disse...

O Caminho alternativo à austeridade é o caminho ôco do despesismo estatal assente em dívida!! O que estariamos a construir com isso??

COmo é obvio virá recessão e tem que vir! Mas ao menos a casa fica arrumada para o futuro. O que a população vai sofrer daqui para a frente é o sofrimento que durante anos se foi varrendo para baixo do tapete por conta das políticas keynesianas e xuxalistas. O estado é gordo, a economia está demasiado terciarizada... tem de haver despedimentos nesses sectores.. não há outra hipótese! E o sector primário e secundário têm de ser atractivos via políticas fiscais e laborais... caso contrário nunca mais sairemos da cêpa torta!!

D., H disse...

A citação de Churchill, que “a democracia é o menos mau de todos os sistemas políticos”, tornou-se aqui num insuportável cliché. Uma democracia que se esgota no acto de votar, e que no meio da confusão, servirá somente para legitimar toda e mais alguma tropelia - o manto da “legalidade democrática no Estado de Direito”!
(E alguns a insistirmos em querer entrar neste jogo.)

Os programas eleitorais só vão servindo para enganar os mais incautos, o resto é história. Desta vez: o desvio colossal, a dívida da Madeira, a recessão “que afinal é de 2.5%”, etc. etc. Para completar o “quadro democrático” contamos ainda com uma Justiça de classe, feita de processos kafkianos, que vão da Casa Pia ao Isaltino, passando por Felgueiras, pelo Rei da Sucata ou pelo famoso BPN.

O desastre está aí, e não estará longe do artigo do Jorge Bateira. Parece-me que a coisa tem que ir mesmo ao fundo…