As propostas do Compromisso Portugal são apresentadas como sendo revolucionárias. De facto, as suas ideias de total privatização da saúde, da educação e da segurança social e o consequente despedimento de milhares de funcionários públicos exigiriam a subversão do regime democrático. No fundo, estes senhores do Beato sabem que a maioria dos portugueses não alinha no seu modelo de sociedade. No entanto, graças ao poder que lhes advém dos recursos que controlam e à sua longa histórica de imbricação com o poder político, este movimento deve ser levado a sério. Não tanto pelo conteúdo das suas irrealistas propostas, mas pelo sentido que apontam para a política económica.Partindo das suas ideais radicais, qualquer «modesta» privatização de serviços públicos aparece como sendo moderada e cautelosa. As actuais forças do bloco central beneficiarão sempre da percepção de não cedência total a estes verdadeiros interesses instalados. E, no entanto, o lento desmantelamento do Estado Social continuará estendendo-se para novos domínios, antes consensualmente entendidos como intocáveis. Torna-se, por isso, urgente a exigência ao poder político de uma definição clara das fronteiras entre o que é a esfera pública e a esfera privada, entre o que é serviço público de acesso universal e o que é a legítima produção guiada pelo lucro.
Não é só a defesa de um modelo de sociedade que está em causa, é também a única forma impedir que a nossa classe empresarial continue com os eternos comportamentos rentistas a que está tão habituada e comece a investir mais na criação de riqueza e de emprego.
Nota: estas duas postas recuperam, parcialmente, um artigo escrito com o Nuno Teles.

















Ontem saiu no Público um excelente artigo da autoria de André Freire, professor de ciência política no ISCTE, que contesta convincentemente as principais teses da «narrativa neoliberal sobre a globalização». Destaco as seguintes ideias: (1) o processo de «liberalização mundial dos mercados tem dependido muito mais da engenharia política do que da acção espontânea das forças do mercado»; (2) a correspondente recusa de qualquer determinismo, em que a globalização apareceria como o resultado natural e irreversível do desenvolvimento tecnológico; (3) o papel crucial das escolhas políticas neoliberais realizadas pelos países centrais e impostas aos países periféricos através das organizações internacionais controladas pelos primeiros (FMI, BM, OMC); (4) a relação indissociável entre a expansão da infra-estrutura coerciva dos EUA (reflectida por exemplo na multiplicação recente do número de bases militares usando como pretexto a «guerra ao terrorismo») e a expansão da economia global capitalista, revelando que por detrás do espontaneísmo panglosiano dos «mercados livres» está sempre o poder coercivo da autoridade; (5) o facto da globalização ter 






Como sublinha 


Andrew Glyn















