segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

A insegura bolha de Cotrim


Cotrim de Figueiredo é uma bolha política, tal como a IA é uma bolha financeira. Cotrim vai implodir mais cedo, a 18 de janeiro, espero. 

Cotrim serve para os apoiantes de Seguro agigantarem papões de Cotrim-Ventura na segunda volta, à boleia de “sondagens” ditas de “tracking”, que, reconhecidamente, só servem para condicionar. 

Apelam assim a um voto inútil, até porque fragilizaria os imprescindíveis, os que, ao contrário de Seguro, não aprovaram cortes de subsídios de Natal e de férias ou de feriados durante a troika, que nunca desertaram, que sempre foram úteis. 

Enquanto Seguro assim procedia, enquanto centenas de milhares de jovens emigravam, Cotrim era nomeado pelo governo da troika para uma sinecura de promoção do turismo, desgraçada especialização deste país assim de salários ainda mais baixos.

Seja como for, existe, em paralelo à chantagem habitual, uma complacência social-liberal em relação a Cotrim, procurando distinguir de Ventura este pinochetista da IL, com um mandatário vindo do terrorismo fascista e que representa a pior escumalha negocista deste país. 

Cotrim é tão ou mais perigoso do que Ventura para as réstias de democracia substantiva neste país, reconhecendo eu que há uma divisão de trabalho social e política entre estas duas encarnações das frações mais reacionárias do capital. 

Na substância programática e ideológica são indistinguíveis no seu fundamentalismo liberal autoritário de recorte anticonstitucional: da brutal redução da progressividade fiscal à distópica transformação da força de trabalho em mercadoria descartável, passando pelo propósito de transformar o que resta de Estado social em Estado-garantia para os negócios, pela forma como mobilizam o populismo triádico, pelo apoio ao imperialismo mais genocida ou pelo negacionismo climático. 

Cotrim disfarça o seu extremismo com aquele assumido toque de classe, o toque que faz com que nesta sociedade a polida burguesia videirinha pareça o cúmulo da sensatez. É mais perigoso do que o boneco de Ventura por causa disso. De resto confundir “carisma” com promoção mediática é de uma desonestidade só ao alcance destes liberais até dizer chega. 

Cotrim tem atrás de si uma poderosa infraestrutura intelectual, maciçamente financiada por milionários, culminando no stink-tank “mais liberdade” (para explorar e expropriar). Curiosamente, Seguro tem-no frequentado, confirmando que pertence ao “consenso neoliberal”, tal como denunciado por António Filipe. 

Perante estes selvagens, sonso e complacente, Seguro chegou a dizer que não conhecia nenhum candidato que fosse contra o SNS, apelando a pactos vagos. Desmemoriado, esquece-se de uma história política que mergulha na aprovação do SNS por socialistas e comunistas. Está mesmo muito longe de Arnaut e assim. Não há ali réstia do antifascismo militante de que precisamos.

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