Com o seu deliberado desmantelamento do SNS, da infraestrutura de saúde pública, este governo leva longe o conceito de “capitalismo do crime sistémico”, forjado por António Avelãs Nunes no seu último livro, que tive o prazer de apresentar em Coimbra.
A notícia da não reativação do reforço de ambulâncias neste inverno é só uma pequena parte de um plano mais vasto de promoção do capitalismo da doença.
Tudo começa num orçamento do Estado que, e já não é de agora, canaliza cerca de metade dos recursos para aí e acaba na austeridade tão perpétua quanto socialmente seletiva.
Não, não é incompetência. Como disse o sempre lapidar Capitão Gancho: “Nunca tomes por incompetência aquilo que pode mais elegantemente ser explicado por liberalismo”.
Sim, sabemos há décadas, graças à investigação dos determinantes sociais da saúde, que o liberalismo mata e que o imperialismo liberal mata ainda mais. Isto está mesmo tudo sistemicamente ligado.
Adenda. É como se Adriana Varejão, notável artista brasileira, estivesse a pensar nesta política. Conheci-a numa exposição na Gulbenkian, em Lisboa, no ano passado, em que esteve numa inesquecível conversa sem fim com Paula Rego.


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