domingo, 11 de janeiro de 2026

Do crime sistémico


Com o seu deliberado desmantelamento do SNS, da infraestrutura de saúde pública, este governo leva longe o conceito de “capitalismo do crime sistémico”, forjado por António Avelãs Nunes no seu último livro, que tive o prazer de apresentar em Coimbra. 

A notícia da não reativação do reforço de ambulâncias neste inverno é só uma pequena parte de um plano mais vasto de promoção do capitalismo da doença. 

Tudo começa num orçamento do Estado que, e já não é de agora, canaliza cerca de metade dos recursos para aí e acaba na austeridade tão perpétua quanto socialmente seletiva. Não, não é incompetência. Como disse o sempre lapidar Capitão Gancho: “Nunca tomes por incompetência aquilo que pode mais elegantemente ser explicado por liberalismo”. 

Sim, sabemos há décadas, graças à investigação dos determinantes sociais da saúde, que o liberalismo mata e que o imperialismo liberal mata ainda mais. Isto está mesmo tudo sistemicamente ligado.

Adenda. É como se Adriana Varejão, notável artista brasileira, estivesse a pensar nesta política. Conheci-a numa exposição na Gulbenkian, em Lisboa, no ano passado, em que esteve numa inesquecível conversa sem fim com Paula Rego.

Sem comentários: