sábado, 17 de janeiro de 2026

Filme e quadro no dia de reflexão


Como não amar a Revolução, os “dez dias que abalaram o mundo”? Como não amar o jornalista e militante comunista John Reed, o único norte-americano enterrado no Kremlin, e a indómita Louise Bryant, sua companheira até a um fim tão precoce? Como não amar as interpretações de Warren Beatty e da imortal Diane Keaton, o mais luminoso sorriso, num luminoso plano? 

Vi o Reds com o meu pai há mais de trinta anos. Vi-o na semana passada com o meu filho e disse-lhe que eles os dois estavam lá, a viver e a relatar um dos mais importantes acontecimentos da história da humanidade, como o meu pai me tinha dito. Cadeia do tempo sem fim. 


Assim falou Geliy Mikhailovich Korzhev-Chuvelyov (1925-2012) nos terríveis anos 1990, os da katastroika, informa-nos a sua pobre página na Wikipédia em inglês: 

“Nasci na União Soviética e acreditava sinceramente nas ideias e ideais da época. Hoje, consideram-nas um erro histórico. A Rússia atual possui um sistema social diametralmente oposto àquele em que eu, como artista, fui criado. Aceitar um prémio estatal equivaleria a confessar a minha hipocrisia ao longo de toda uma trajetória artística. Peço que se considere minha recusa com a devida compreensão.” 

Como não amar a pintura tão rica e tão intensa deste Homem Soviético, como se vê neste “erguendo a bandeira”, de 1957, parte de um tríptico? Se assim já é impressionante, imagine-se ao vivo.

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