Para compreender estas contradições é importante compreender as circunstâncias em que este Festival existe. No caso da Berlinale, há um governo, uma política de Estado e uma União Europeia empenhados em garantir o domínio da opinião através dos múltiplos instrumentos disponíveis e há objetivos económicos que convocam poderosas forças do outro lado do Atlântico.
Wim Wenders e companhia não são apenas anjos alienados da realidade, artistas preocupados com a arte pela arte. Eles sabem que festivais como a Berlinale fazem escolhas. No cenário atual, ninguém que estivesse corajosamente comprometido com valores e princípios muito concretos, que fosse coerente nas suas convicções, teria lugar na mesa das decisões. Os que lá se sentam sabem bem o que têm de fazer.
Jorge C. é, a par de Raquel Ribeiro, um dos meus articulistas, crítico cultural em sentido amplo, de eleição: “compreender contradições”. O que ele escreve sobre Berlim, aplica-se, por maioria de razão, ao ainda mais mercadorizado futebol, talvez a mais influente expressão cultural.
Aí é avassalador o contraste entre os pretensamente apolíticos Messi e Ronaldo, na realidade comprometidos com o fascismo, de um lado, e o eterno Maradona, um dos que esteve sempre comprometido com os povos, do outro. Haja escolhas dilemáticas. Já não há terceiras vias; nunca houve, na realidade.


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