sexta-feira, 27 de março de 2026
Gasolina na fogueira
Vejam o ponto a que se chegou. Até um insuspeito adepto do mercado e dos incentivos públicos ao mercado, como Camilo Lourenço, já percebeu: o aumento sem precedentes dos preços das casas e do volume de transações de imóveis no ano passado (em 17,6% e 8,6%, respetivamente), tornam «impossível não apontar um responsável principal: as ajudas fiscais para a compra de casa, dadas pelo governo da AD aos jovens até 35 anos».
Não se trata apenas, de facto, do valor mais elevada do Índice de Preços da Habitação (IPH) desde que que o INE começou a publicar dados (em 2009), atingindo-se no 4º trimestre de 2025 os 280,2 (tendo 2015 como base 100). É também a variação homóloga anual mais expressiva deste indicador (18,9%), que desde 2013 - quando se inicia a tendência de subida de preços - nunca tinha subido acima dos 12%.
Note-se, porém, que a aceleração do ritmo de subida dos preços da habitação, com a chegada da AD ao governo, não resulta apenas dos apoios do executivo de Luís Montenegro aos jovens. Corrijo: dos apoios ao segmento de jovens com níveis de rendimento que dispensavam a ajuda do Estado. É também o resultado de outros sinais e incentivos, que vão desde a desregulação do Alojamento Local à fixação de valores mensais de renda «moderados» até 2.300€, com os respetivos benefícios fiscais. Ou seja, uma política que só serve para agravar ainda mais a crise de habitação.
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