
O desenho da direita foi roubado a insónias de carvão.
Tanto pobre, tanta Sãozinha e tanto cheiro irritavam-me. E creio que foi por essa época que principiei a olhar, com afecto crescente, uma gravura poeirenta atirada para o sótão que mostrava uma jubilosa multidão de pobres em torno da guilhotina onde cortavam a cabeça aos reis.
Assim termina uma breve história autobiográfica de António Lobo Antunes, sob a forma de crónica, Os pobrezinhos. Deixo-a aqui de novo, agora em singela homenagem a um notável escritor. É representativa da sua, nossa, melhor escrita sobre o fascismo, o que existiu entre nós e o que, desgraçadamente, ainda anda por aí.
Até sempre, Lobo Antunes, homem com memória de elefante.

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