Agora, aos 14 anos, ele deambula pelas ruas do Porto, dos Clérigos à Ribeira, enquanto de manhã estou numa sessão no Sindicato dos Professores do Norte: haja interpelações com esta qualidade sobre economia política e direitos laborais no contexto dos cinquenta anos da nossa Constituição.
Há que saber largar, já o fizemos há muito, até há pouco era dos poucos a ir a pé para a escola, como eu o fiz, parte da educação para a liberdade dos meus pais. Pergunto à mãe dele de vez em quando, há laços de amizade-parentalidade que não se quebrarão jamais: o que é feito do nosso bebé?
Lembro-me, entretanto, de ter quatorze anos, dos primeiros debates com o meu gorbacheviano pai, em 1991, no momento da queda, a paciência que ele teve para as minhas convicções “conservadoras”, misto de insegurança e de aprendizagem ávida com tudo o que ele dizia e com o que de diferente outros diziam (aceitava ingenuamente os termos de Carlos Fino, correspondente da RTP em Moscovo...).
O meu filho é melhor, como não? Ser pai é ser um condensado de enviesamentos, chamam-lhe amor paternal, é uma das várias e potenciais relações que nos faz humanos. O amor, como na Igreja e no Partido nos ensinaram, tem múltiplas declinações, só somos e nos superamos em relação, num tempo e num espaço determinados, os que nos calharam nesta terra, a que queremos sem amos, talvez não a vejamos, outros a verão, certamente.
E, sim, comemos francesinhas. E, claro, marchamos pela paz, em modo anti-imperialista, a partir da Batalha, marchámos contra a TINA por Santa Catarina, adoro inventar slogans. Educação sentimental, educamos e somos educados, não terminamos em nós mesmos e estamos tão gratos por isso.
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