quinta-feira, 26 de março de 2026
Jornalismo com visão
Contrastando com a narrativa dominante, que persiste praticamente sem contraditório nas televisões, rádios e jornais - segundo a qual a crise de habitação resulta de uma mera falta de casas - a Visão da semana passada deu à estampa um conjunto de artigos que permitem superar leituras simplistas da crise. «Casas de luxo e pessoas sem casa - Os dois extremos do retrato da habitação» é certeira chamada de capa para os textos em questão.
Não se ignora aqui, nem desvaloriza, desde logo, o impacto das procuras externas, assinalando-se a diferença de poder aquisitivo dos compradores estrangeiros e o «efeito dominó» gerado pelo aumento de valores no mercado de luxo, que «afeta todos os segmentos, encarecendo as zonas à volta». Tal como se não ignora o facto de as novas procuras terem contribuido para o aumento das transações e a consolidação da habitação enquanto ativo de investimento financeiro.
As consequências sociais de uma crise habitacional diferente das anteriores também não são ignoradas. Como refere Margarida Davim, «a escassez de oferta pública e o disparar dos preços no mercado está a transformar o acesso à habitação num jogo que deixa de fora os mais pobres dos pobres», com câmaras a «apertar o cerco a quem vive em bairros municipais», tentando «libertar imóveis para dar a quem está em lista de espera». Tudo ligado, claro, a demonstrar que o primeiro passo para enfrentar a crise é dispor de um diagnóstico consistente da mesma.
Adenda: As coisas como elas são, sem os frequentes rodriguinhos e suavizações. Na mesma edição da revista, uma notícia clara e objetiva: «Israel mata família a tiro». Fica a transcrição: «Na noite de sábado, 14, soldados israelitas atacaram um veículo na Cisjordânia ocupada, atingindo com tiros na cabeça quatro elementos da mesma família: os pais, de 35 e 37 anos, e dois filhos, de 5 e 7 anos. Os outros dois filhos do casal, de 8 e 11 anos, ficaram feridos por estilhaços. A família Bani Odeh regressava das compras, após mais um dia a cumprir o Ramadão».
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