“Sem barreiras ao transporte particular, não há aumento da procura do transporte público, nem pressão para melhorar a sua qualidade”, afiançou Vital Moreira. É um mecanismo potencial, de facto.
Quando estamos trancados numa cadeia carrista, que inclui também expressões culturais individualistas, como sublinha, é preciso que a política pública consiga quebrar pelo elo mais fraco, fomentando o mecanismo mais óbvio. O investimento no transporte público, a começar no ferroviário, é talvez o que pode fazê-lo com mais eficácia.
Ora, como sabe, Portugal tem dos mais baixos níveis de investimento público da UE, fruto da austeridade permanente, o que desde há década e meia nem tem dado para compensar a natural degradação deste crucial, material e logo espiritual, capital social.
Isto está a par das mais baixas percentagens de ativos empresariais públicos da UE ou de emprego público ou de floresta pública ou de habitação pública ou de…
Ademais, nesta senda liberal com décadas, tivemos uma excessiva prioridade dada à expansão da rede de autoestradas, hoje das mais densas da UE. Inacreditavelmente, num país com autoestradas paralelas, não fomos beneficiados com uma ligação rodoviária desta natureza entre Coimbra e Viseu, via altamente movimentada.
Acumulámos mais de trinta anos de atraso em relação a Espanha na alta velocidade. Para um país periférico, que tem de importar todos os combustíveis fósseis que insustentavelmente queima, é obra (ou ausência dela).
E já que vivemos os dois em Coimbra, na terceira cidade e área metropolitana do país, convenhamos que o autocarro com via dedicada, que alguns tolos tentam fazer passar por metro, é um símbolo de tudo o que está mal na política pública, em geral, e na de transportes, em particular, da falta de planeamento à austeridade, passando pelos vieses centralistas.


2 comentários:
A terceira cidade do país é Braga!
A quarta é faro
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