Inês Pedrosa tem razão sobre Passos Coelho. Esta forma de economia política engendra crápulas que a reforçam, num círculo vicioso que tem de ser quebrado pelo cuidado institucionalizado.
O negacionismo climático pode ser objetivo e/ou subjetivo. O seu propósito é simples: impedir ou adiar a tomada de consciência social sobre o que há a fazer, sobre a relação deliberada entre meios e fins, sem separações artificiais.
Da lógica das contas certas, que são erradas para a maioria social, à política monetária que não é verde, a verdade é que o colapso do investimento público, obra da austeridade perpétua, nos tornou menos capazes de resistir às intempéries, por falta de manutenção do equipamento social e da sua renovação e extensão modernizadoras.
A modernidade capitalista gerou o maior fracasso dos mercados da história, a modernidade socialista terá de o enfrentar. Socialista é aqui, em primeiro lugar, o reconhecimento soberano da chamada realidade da sociedade, criando instituições capazes de gerir igualitariamente as interdependências sociais cada vez mais generalizadas. Isto pressupõe um processo de desglobalização por uma questão de redução da complexidade e da escala, sem a qual não há planeamento viável.
Sim, temos de voltar a falar, e sobretudo a praticar, o planeamento público, o que fomenta a verdadeira proteção e segurança sociais da comunidade. Isto exige instrumentos de política que nos faltam, incluindo através do reforço da propriedade pública de setores estratégicos. Como bem argumenta Manuel Gouveia, “a liberalização falha o teste do algodão” em todas as áreas decisivas.
Para isso, há que combater de forma intransigente - ou polarizadora, como dizem os moles - os filhos de Passos Coelho, as televisionadas iniciativas liberais até dizer chega: de Cotrim a Ventura, passando por Montenegro, a direita cada vez mais extremada partilha o mesmo ódio ao novo iluminismo radical. E é com esta gente que Carneiro se mostra cúmplice, através da abstenção nos orçamentos e juras de outros consensos neoliberais.
Entretanto, esta formulação não me sai mesmo da cabeça e gostaria que não saísse da vossa: “A resposta que pode ser dada à degradação por vezes violenta do estado da natureza depende, em última instância, da natureza do Estado”.


1 comentário:
Convém não esquecer que há dias tínhamos um ministro a querer alterar leis para poder passar por cima da APA e do ICNF. Gravíssimo e trágico, como se está a revelar.
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