sábado, 21 de fevereiro de 2026

Pouca terra, pouca terra


O Financial Times tem sido obrigado a reconhecer o modelo chinês de desenvolvimento tecnológico liderado pelo Estado. 

O caso da alta velocidade é um dos mais importantes, até por causa da necessidade imperiosa de desenvolver um sistema público de transportes electrificado e progressivamente descarbonizado, com o impulso conexo ao brutal desenvolvimento das renováveis, num contexto de alterações climáticas que ali são levadas mesmo a sério. 

O Partido-Estado é iluminista radical, afinal de contas. O contraste com a plutocracia obscurantista dos EUA é gritante. Afinal de contas, esta está a desvincular-se de todos os compromissos internacionais nesta matéria. 

O sistema ferroviário chinês é entretanto gerido por uma única empresa pública. Estão décadas à nossa frente, dado o nosso subinvestimento persistente e o progressivo desmantelamento da nossa empresa pública. Diz-me que comboios tens e eu dir-te-ei a tua orientação social. 

A economia mista chinesa, o seu modelo peculiar, entre capitalismo de Estado e socialismo com mercados, é o mais bem-sucedido da história da humanidade, afirmo: nunca tantos progrediram tanto durante tanto tempo. Há, claro, uma burguesia nacional pujante (como não, nesta fase?), mas esta não é politicamente dominante. 

Para lá do controlo público de setores estratégicos, que em mãos privadas são geradores de rendas ou de superlucros à custa da comunidade – da banca à rede elétrica –, a China tem controlos à entrada e à saída de capitais e uma articulação estreita entre finanças públicas e banco central, típica das economias socialistas e mistas do pós-guerra. 

Por cá, os vende-pátrias escavacaram, entre 1989 e a atualidade, esta forma de economia política. Tinha permitido a convergência, incluindo tecnológica (leiam, por favor, a República dos Pijamas). Trancaram-nos numa moeda forte, sucateando o património público e permitindo o domínio por uma burguesia compradora, para retomar a fórmula pragmática de Mao sobre as duas burguesias.  Um dia, quando isto voltar a ser um país a sério, serão responsabilizados.

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