Ao contrário da Palestina, que há muito é a “vítima perfeita” para uma certa esquerda, como escrevi no rescaldo do ataque do Hamas a 7 de Outubro, uma “vítima impotente”, sem força nem poder, esmagada e sem capacidade de resposta, que resiste mas não consegue emancipar, por isso adequada à “romantização” de um certo tipo de resistência, Cuba não. Cuba é “vítima”, sim, mas – sempre um mas – a culpa é “do comunismo que não funciona”, do “socialismo” que não é bem aquele que queríamos, de se recusar a “negociar” (o quê?) com os EUA. Cuba é “vítima de si própria”, porque ousou, e conseguiu, ter um projecto de poder (falho, incompleto e imperfeito) e é isso que certa esquerda não consegue digerir.
Mais um artigo de Raquel Ribeiro a não perder -
Cuba: uma guerra sem bombas. Escreve no
Contacto, um jornal luxemburguês, em português, de grande circulação.
Para chegar à conclusão política radical, que vai às raízes, acima citada, é preciso conhecer em profundidade a situação em Cuba, deixando sinais disso no artigo, para nossa informação, e é preciso contextualizar e comparar, para nossa formação. Não se vê disto na imprensa tradicional em Portugal.
Haja iluminismo radical, haja internacionalismo.
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