As divergências intelectuais e políticas, incluindo com a lecionação graciosa, não me impedem, antes pelo contrário, de dizer o seguinte: feliz a faculdade de economia que tem Mariana Mortágua como professora, felizes os alunos.
As mediocridades liberais até dizer chega gostariam de impedir o pluralismo no ensino e estão a ser espetacularmente bem-sucedidas, com exceções. Um trabalho com décadas.
E quem lhes dera escrever um livro sobre finança como o que Mariana Mortágua escreveu, por exemplo. Compreendam-nos: eles não se aguentam num debate em igualdade de circunstâncias.
Enfim, em solidariedade singela, contra esta campanha de perseguição, deixo uma breve recensão que escrevi, em 2020, ao melhor manual de economia escrito por economistas portugueses – economia política, como se deve chamar a disciplina, por uma questão de rigor:
Já alguém disse que a economia deixou de ser a resposta para passar a ser a questão. Hoje, quase ninguém duvida que a economia substantiva é política do princípio ao fim e que a ciência económica convencional, quando reduzida a uma racionalização matematicamente sofisticada do privilégio mais grosseiro, é certamente parte do problema.
Na melhor tradição da economia política com experiência parlamentar, de David Ricardo a Gunnar Myrdal, dois economistas também académicos oferecem-nos neste manual uma atualizada introdução à fronteira do conhecimento nesta ciência apesar de tudo plural e conflitual – da economia comportamental à das desigualdades. Fazem-no com atenção ao contexto histórico-geográfico, num livro culto e com lastro, das ideias aos factos económicos.
Dirigido a estudantes de economia, pode ser lido e consultado com proveito por outros cientistas sociais e por todos os outros cidadãos portugueses interessados, até porque nele abundam os exemplos da realidade nacional. Este manual contrasta com abordagens convencionais aparentemente desenraizadas, mas na realidade tributárias de fracassados consensos, forjados algures entre Washington e Frankfurt.


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