Não acreditais no que deu origem a esta resposta, que aqui fica para memória futura. Está de resto em linha com uma entrevista recente ao Público e com tantas outras intervenções do mesmo calibre.
Para celebrar os cinco anos do stink-tank “mais liberdade” (para explorar e expropriar), Pedro Santa Clara da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa escreveu um artigo, em coautoria, onde afirma que não é possível ser-se economista, socialista e honesto.
É um trilema que só existe nas cabeças desta gente, ao contrário dos trilemas económicos que nos ajudam a pensar, da macroeconomia à economia política internacional.
Respondeu-se ao insulto com factos: em três anos receberam meio milhão de euros do nono mais rico do país para escrever alarvidades destas. Como disse um incrédulo Tiago Santos: “Suspeitas? Está literalmente nos relatórios de contas do -liberdade”.
E acrescentou-se: basta pensar, um só exemplo entre tantos da história do pensamento económico, no insuspeito “Nobel” Kenneth Arrow, o do refinamento matemático do equilíbrio geral e da eficiência, e no seu argumento “cauteloso” a favor do socialismo. Arrow inscrevia-se de forma moderada na tradição primeiramente avançada por Oskar Lange no debate do cálculo económico em socialismo na década de 1930. Tratava-se da defesa de um socialismo que mimetizaria melhor do que o capitalismo as propriedades de eficiência dos mercados idealizados teoricamente.
Estamos em plena economia neoclássica. Podemos melhorar e ir para a economia keynesiana ou marxista ou, muito apropriado na atual conjuntura histórica, para um cruzamento das duas, em defesa de uma realista economia mista para efeitos antifascistas, começando por garantir as bases materiais da subordinação do poder económico ao poder político democrático. A economia nunca é neutra, como Arrow bem sabia, como sabe qualquer pessoa honesta com luzes.
Na realidade, este blogue só faz sentido se começar por servir para denunciar esta elite mandonista e vira-latista, nada habituada ao escrutínio. Podem ter capital de sobra, do económico e do que diz ser social, mas falta-lhes cultura económica e razão ético-política.
E, claro, “wokismo” é uma palavra tão feia, mas tão reveladora da assustadora incultura de extrema-direita que atravessa os quadros liberais até dizer chega. O país está a pagar um preço elevado pela sua influência alimentada a dinheiro. O povo não merece tantas iniciativas liberais com décadas.


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