segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Imortal, claro


“E se há um camarada à tua espera, não faltes ao encontro e sê constante”, assim cantava José Afonso em Tinha uma sala mal iluminada, música do álbum de 1978 Enquanto há força. Já ali o pessimismo da inteligência assomava: “A velha história ainda mal começa/Agora está voltando ao que era dantes”. É uma das minhas canções favoritas do Zeca. São tantas.

Lembro-me de onde estava quando soube da triste notícia do falecimento do que terá sido o maior cantor português de todos os tempos, se esta ideia comparatista não fosse tão contrária ao seu espírito: ia com a minha mãe de autocarro para Viseu, ela tinha comprado o jornal na estação de camionetas de Coimbra e ficou subitamente muito triste. 

Trinta e nove anos depois, já agora, a estação é a mesma e é uma das expressões vergonhosas do subinvestimento público, ainda agora lá te deixei e pude constatar isso, uma vez mais.

Foi a 23 de fevereiro de 1987, há 39 anos. Ele é imortal, claro.

Sem comentários: