sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Triste farsa


Ao justificar a atribuição do chamado Prémio Universidade de Coimbra a Cláudia Azevedo, o Senhor Reitor dá o seu contributo para a mensagem: o mérito herda-se e vê-se no apelido; aliás, há muito dinheiro, há muito mérito. 

Sugiro que para o ano seja Paula Amorim a distinguida, em linha com um prémio que é pago por um banco espanhol: o porno-riquismo merece; Amorim é agora luxo, para lá das rendas, afinal de contas.

Enfim, é uma decisão que está perfeitamente em linha com posições e silêncios anteriores, com o espírito de um certo tempo, fazendo lembrar uma Universidade SA. A Universidade de Coimbra é obviamente muito melhor do que esta triste farsa de submissão ao poder económico puro e duro. Temos de garantir que a história não se repete, mas de novo e como tragédia. 

Sim, o marxismo pode estar praticamente arredado da universidade portuguesa, mas explica, creio, o essencial do que aí se passa: afinal de contas, o capital está em currículos e nos conselhos gerais de universidades públicas cada vez menos democráticas.

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