segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Como a direita pensa

Há dias, deram-me a conhecer um texto de Milton Friedman – O Neoliberalismo e as suas perspectivas –, de 1951, em plena Guerra Fria.

Nesse texto, curto e claro como água, Friedman anuncia que "o palco está montado para o crescimento de uma nova corrente que substitua a velha ideia" defensora do socialismo, entendido como colectivista, fruto de uma forte presença do Estado na economia.

O conceito dessa nova maré de opinião pública era então perfeitamente definido:
"O neoliberalismo aceitaria a ênfase liberal do séc XIX da importância fundamental do indivíduo, mas substituiria o objectivo do séc XIX de laissez-faire, como um meio para esse fim, pelo objectivo da ordem concorrencial. Procuraria o uso da concorrência entre produtores para proteger os consumidores da exploração [!], da concorrência entre empregadores para proteger trabalhadores e proprietários [!!], e concorrência entre consumidores para proteger as empresas [!]. O Estado policiaria este sistema, estabeleceria condições para favorecer a concorrência e prevenir os monopólios e aliviar a miséria aguda e a angústia. Os cidadãos seriam protegidos contra o Estado pela existência de um mercado privado livre; e contra si próprios pela preservação da concorrência."
Ora, todos sabemos aonde levou esta doutrina que, passados 65 anos, ainda vigora e em força. Algo diferente da teoria: a defesa do indivíduo justificou uma maior concentração de riqueza nalguns, a desigualdade e o nascimento de firmas transnacionais, cujo poder rivaliza e se sobrepõe ao poder dos próprios Estados.

Mas o que é interessante é verificar que esta direita económica é preserverante e reciclável, nunca esquecendo ao longo dos tempos o seu leit-motiv de fazer tudo contra o socialismo. Libertar ao máximo - egoisticamente - a contribuição individual para um colectivo (e aí os mais ricos têm mais a perder), porque, supostamente, essa libertação da obrigatória interajuda num colectivo social trará mais benefícios para a sociedade, tida como um somatório de indivíduos egoístas. Mas, claro, ajuda mais os ricos do que os pobres, porque os mais ricos são mais empreendedores e dão emprego aos mais pobres. Outra versão daquela máxima tão velha e ainda tão usada: São as empresas que criam o emprego.

E a Segurança Social é um caso exemplar das ideias matrizes da direita.

1. Uso indevido das verbas da Segurança Social para fins outros: Um dos aspectos frisados na declaração de voto de Boaventura Sousa Santos, Maria Bento, Maldonado Gonelha e Bruto da Costa no Livro Branco da Segurança Social, em Janeiro de 1998, foi o desprezo dos governantes pelo equilíbrio e sustentabilidade do sistema de protecção social, reflectido no incumprimento pelo Estado da Lei de Bases da Segurança Social de 1975 a 1995 (sobretudo por Cavaco Silva). A preços de 1997, a dívida ao sistema era de 5,9 mil milhões de contos (quase 30 mil milhões de euros). Na comissão do Livro Branco, Diogo de Lucena e Miguel Gouveia desvalorizaram esse tema ao afirmar que não tinha "existência comprovada" e que "falar de dívida do Estado é retórica para aumentar os impostos".

Ora, no governo PSD/CDS, aconteceu aparentemente o contrário. Veja-se o que vem no anexo ao relatório do Orçamento de Estado para 2017 sobre a sustentabilidade do sistema:


O Estado sobrefinanciou a Segurança Social - através de transferências extraordinárias - como forma de aumentar os seus excedentes, por forma a serem canalizados para o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social, de modo a ser usado para comprar títulos de dívida pública, compra devidamente autorizada por uma alteração legal - de última hora - que alargou a percentagem de investimento nesses activos. Foi o tal decreto aprovado por Vítor Gaspar nos seus últimos dias no Ministério das Finanças (aqui e aqui).


2. Acesso a um bolo chorudo de contribuições sociais sem nunca explicar como a Segurança Social não perde dinheiro: Este objectivo vem geralmente a propósito do tema recorrente da insustentabilidade da Segurança Social, em que se frisa sempre a redução do número de activos por pensionista, mas nunca defendendo uma política de pleno-emprego.

Relendo as declarações de voto do Livro Branco, António Correia de Campos – que presidia à comissão, foi ministro do governo Sócrates e é actualmente o presidente do CES – elogiou a solução do plafonamento por "aliviar financeiramente o sistema", "introduzir uma mudança saudável na mentalidade assistencialista e de dependência do Estado", "aumentar a equidade social por excluir a responsabilidade da cobertura de pagamento as pensões desprporcionalmente altas" e, ainda, "aumentar capital para animação da actividade económica pelo mercado de capitais".

Diogo de Lucena e Miguel Gouveia defendiam-no porque "corresponderia a um aumento sensível dos rendimentos para os reformados", defendiam um "plafonamento que tivesse uma componente vertical mesmo para baixos salários" e achavam que "precisamos de um seguro para o desemprego", com a introdução de "co-seguros e franquias" contra os "usos perversos" e "risco moral" da prestação, porque o "o problema da fraude no subsídio de desemprego é endémico". E o mesmo para a saúde e para invalidez.

Luís Filipe Pereira, ex-ministro de Cavaco Silva, de Durão Barroso e Santana Lopes, ex-presidente do CES e dirigente do grupo Mello, defendia o mesmo plafonamento, como "única forma (...) de garantir uma expressão significativa de capitalização de financiamento do sistema", opção "inefastável", com "vantagens importantes ao nível da dinamização do mercado de capitais e de financiamento da economia".

Pois, passados quase 20 anos, o tema - sem ter sido concretizado, e sem estudos dos seus impactos financeiros - continua presente nos programas da direita. O bolo de contribuições representa actualmente 15 mil milhões de euros.

3. Defesa das pensões mínimas como forma de reduzir o papel do Estado na protecção das pensões mais baixas. Desde sempre, a direita tem preferido vangloriar-se de ter aumentado em uns euros as pensões mais baixas entre as pensões mínimas ou sociais, esquecendo-se sempre de frisar que, entretanto, baixou o Complemento Solidário para Idosos de 5.022 para 4.909 euros, e ainda por cima apertando as regras da condição de recursos, o que retirou apoio a dezenas de milhar de pessoas. Esta estratégia tem como condão de levar os futuros beneficiários a fazer menos descontos sociais ("Para quê, se não vou ter pensão?"), tudo contribuindo para que o Estado se encarregue apenas de um mínimo de subsistência dos cidadãos, com o mínimo da presença "colectiva" na sociedade.

4. A opção pelas contas individuais. Com mais ou menos variâncias, a ideia redunda numa desarticulação do funcionamento do sistema, baseado numa solidariedade colectiva intergeracional, em que os activos pagam a pensão de quem se reforma. Se os primeiros pensarem apenas em si, os segundos serão afectados. A ideia nunca foi concretizada, nem estimados os custos da sua aplicação. Em 1998, Diogo de Lucena e Miguel Gouveia escreveram, um inteiro capítulo da declaração de voto ao Livro Branco, defendendo que "as contas individuais são uma estratégia que não deveria ter sido secundarizada". Passados quase 20 anos, o tema é ainda incipientemente tratado, mas não deixou de estar presente nos programas eleitorais à direita.

5. E finalmente o Rendimento Básico. Em vez de uma presença do Estado, seria concedido um rendimento bruto a cada cidadão como um limiar básico de existência, retirando-se os apoios sociais. Cálculos feitos, um rendimento de 420 euros mensais representaria um encargo anual de 61,2 mil milhões de euros. Se fosse de 700 euros, o encargo seria de 101,9 mil milhões. Impraticável.

A direita é assim: nunca se esquece que o socialismo é o inimigo porque o egoísmo é o seu forte.

32 comentários:

Jose disse...

O coitado do Friedman nunca imaginou que as suas teorias fossem o pilar de tanta confusão, para em final se determinar que o socialismo é inviável para um rendimento básico de 420 euros.
Dúvida maior é saber como, opondo-se ao liberalismo que «…nunca defendendo uma política de pleno emprego», pode o socialismo garantir uma e outra coisa num mundo esmagadoramente capitalista e concorrencial.
O pensamento socialista tem uma única e forte âncora: aqui e agora venha a nós o justamente adquirido na luta por direitos sustentados em não interessa ao caso em quê.
A sua única genuína angústia é que algo tenha «como condão de levar os futuros beneficiários a fazer menos descontos sociais» a inviabilizar «o mínimo da presença "colectiva" na sociedade» que por eles foi determinado a grito e passeata, majorando e abreviando carreiras contributivas ao sabor de eleições e despautérios governativos.
Mas pecado maior do Friedman é pensar o Homem como um ser egoísta!
Isso não se lhe pode perdoar. Retirar ao homem o altruísmo fundador (tão visível na amiba, que se parte em duas a todo o tempo!) é promover o fundamento de todo o mal do mundo.

Anónimo disse...

Coitado do Friedman
Uma ode ao friedman. Uma vela acesa ao Friedman.
Tanta confusão que as suas teses fizeram.

Como é possivel tal choradinho?

Nauseante e até ofensivo para quem não passava de um admirador de Pinochet

Venha a nós estas tretas de um servidor do patronato?

Anónimo disse...

Para em final se determinar ...

Uma espécie de construção a merecer uma gargalhada.

Um pensamento à amiba que parece que se parte em duas a todo o tempo.

E que tal ter todo algumas aulas de biologia?

Anónimo disse...

Mas o que em final se determina nesse determinismo irrecusável e definitivo?

Que o socialismo é inviável para um rendimento básico de 400 euros.

Nao diga mais. É vossemecê o perito dos patrões que por ai se fsla

Anónimo disse...

É uma pena.
É uma pena que as questões levantadas por JRA sejam remetidas para o reino das idiotices de quem não argumenta,antes optando pelo breviário de fundamentalista religioso.
Do género: "O pensamento socialista tem uma única e forte âncora aqui e agora venha a nós em não interessa ao caso em quê, a sua única genuína angústia é que tenha «como condão de levar e a inviabilizar «o mínimo da presença do grito e passeata, majorando despautérios governativos"

Até o paleio formal:"Para em final se determinar", "agora venha a nós"



Anónimo disse...

Pelo que mais não resta do que inquirir se "a luta por direitos sustentados" é a imitação envergonhada daquele berro pleno de triunfalismo, de raiva e de ódio soltado lá do fundo das fauces a 16 de Janeiro de 2012 às 2:05 pelo mesmo indivíduo:

"2012 – o ano do fim dos direitos adquiridos!"

Anónimo disse...

Também mais não resta que perguntar se esta estranha afirmação :
" foi determinado a grito e passeata"

se refere a acontecimentos antigos já referidos pelo mesmo indivíduo quando saudou entusiasticamente a Legião Portuguesa. Parece que essa milícia, que funcionou durante o período do Estado Novo em Portugal, tinha sido inspirada em organizações como a SA (camisas castanhas) alemã ou a MVSN (camisas negras) italiana.

Muitos desses legionários combateram ao lado dos fascistas espanhóis e estão implicados nos crimes de guerra franquistas. Depois da segunda guerra foram utilizados para as funções do regime, como na repressão de manifestações e como tropa de choque para as chapeladas eleitorais.

Ora acontece que nas suas actividades estavam também inscritas as passeatas e o grito gutural com que saudavam os próceres do regime, mais as fantochadas que acompanhavam tais macacadas .

Serão reminiscências de tais acontecimentos por parte de quem os viveu de perto, com manifesta saudade das comezainas que esta tropa fandanga promovia entre os seus associados?

Anónimo disse...

Também parece estranha esta afirmação:
"o fundamento de todo o mal do mundo"

Mais uma vez uma ladainha? Confirmada pelo que a motiva, "o altruísmo fundador" e "a amiba"

Evolução das espécies ou criacionismo?

Pela defesa acérrima do senso-comum em contraponto ao conhecimento cientifico por parte de quem invoca a amiba como argumento já percebemos do que se trata.

A direita é mesmo assim

Anónimo disse...

Friedman marcou a agenda do movimento neo-conservador:
“Em primeiro lugar, os governos deveriam abolir todas as regras e regulamentações que se interpunham no caminho da acumulação de lucros. Em segundo, deveriam vender todos os activos que possuíam e que podiam ser administrados pelas corporações, com fins lucrativos.E em terceiro, precisavam cortar dramaticamente os fundos destinados aos programas sociais.Dentro dessa fórmula tripartida de desregulamentação, privatização e cortes, Friedman ainda oferecia especificações.Os impostos, no caso de precisarem existir, deveriam ser baixos,taxando ricos e pobres na mesma importância fixa. As corporações deveriam ser livres para vender seus produtos em qualquer lugar do mundo, e os governos deveriam ser impedidos de proteger as propriedades e as indústrias locais.Todos os preços, inclusive o preço do trabalho,seriam definidos pelo mercado. O salário mínimo deveria ser abolido. Para as privatizações,Friedman oferecia actividades como os cuidados com a saúde, o serviço de correios, a educação, as aposentadorias e até mesmo os parques nacionais .
A contra-revolução da Escola de Chicago pretendia eliminar todas as formas de protecção que os trabalhadores haviam conquistado e todos os serviços públicos que o Estado oferecia com o objectivo de aparar as arestas do mercado.”
“A visão de Friedman coincidia exactamente com os interesses das grandes multinacionais, cujo apetite natural ansiava por novos mercados desregulados. No primeiro estágio da expansão capitalista, esse tipo de crescimento voraz era propiciado pelo colonialismo– por meio da “descoberta” de novos territórios e da apropriação da terra sem precisar pagar por ela, e depois pela extracção de suas riquezas sem oferecer recompensas às populações nativas. A guerra que Friedman travou contra o “Estado de bem-estar” e o “grande governo” acenava com a promessa de nova fonte de riquezas – só que desta vez não era pela conquista de novos territórios, mas pela transformação do próprio Estado numa nova fronteira, leiloando seus serviços públicos e activos por um preço muito abaixo de seu real valor.”
Friedman apostou na formação de”economistas” chilenos na sua escola.Tal projecto começou em ..1956!Em 1965 o projecto foi ampliado para incluir estudantes de toda a América Latina,em especial provenientes do Brasil,México e Argentina.
“Os alunos que se submeteram ao programa, em Chicago ou na franquia que funcionava em Santiago, ficaram conhecidos em toda a região como os “rapazes de Chicago”.

Anónimo disse...

Com mais financiamentos da USAID, os rapazes de Chicago do Chile viraram embaixadores do “neoliberalismo”…”A educação desses chilenos decorreu de um projecto específico arquitectado nos anos 1950 para influenciar o desenvolvimento do pensamento económico no Chile.”
Mas “o projecto” não estava funcionando.”Foi no Chile – o epicentro do experimento de Chicago – que a derrota na batalha das ideias se tornou mais evidente. Na histórica eleição de 1970, o país tinha avançado para a esquerda de tal forma que os três maiores partidos políticos eram a favor da nacionalização da principal fonte de renda do país: as minas de cobre então controladas pelas grandes mineradoras dos Estados Unidos . ” Em outras palavras, o Projecto Chile,da escola de Chicago era um fiasco muito caro. Como guerreiros ideológicos que travavam uma batalha de ideias contra os adversários de esquerda, os Rapazes de Chicago falharam na sua missão.Não só o debate económico continuava a tender para a esquerda, como os rapazes de Chicago tinham-se tornado tão marginalizados que não conseguiam sequer um registo no espectro eleitoral chileno.
Isso poderia ter terminado assim, com o Projeto Chile sendo apenas uma pequena
nota de rodapé na história, mas algo aconteceu para tirar os rapazes de Chicago da obscuridade: Richard Nixon foi eleito presidente dos Estados Unidos. Friedman logo se entusiasmou: Nixon ” tem uma política externa imaginativa e efetiva no conjunto”.

Em nenhum outro lugar ela foi mais imaginativa do que no Chile.

A democracia tinha se tornado inóspita para os rapazes de Chicago, no Chile; a ditadura seria mais conveniente.”
(excertos de THE SHOCK DOCTRINE: THE RISE OF DISASTER CAFITALISM
2007 by Naomi Klein)

Anónimo disse...

O resto sabe-se como se processou e como tudo estava pronto quando Pinochet esmagou o governo de Allende.A experiência das ideias neo-liberais de Friedman iria começar num palco especificamente montado para o efeito e à altura dos planos da extrema-direita.As multinacionais arreganharam ainda mais os dentes.O sangue foi o adubo com que os chilenos regaram o “triunfo” da experiência de Friedman.

O Chile foi o primeiro país do mundo a adoptar o neoliberalismo. As privatizações no Chile de Pinochet foram anteriores às da Grã-Bretanha de Thatcher Em 1973, quando o golpe militar derrubou Allende, o governo já tinha um plano económico debaixo do braço. Esse documento era conhecido como “El ladrillo” e fora elaborado, secretamente, pelos economistas opositores do governo da Unidade Popular poucos meses antes do golpe de estado de 11 de setembro e estava nos gabinetes dos Generais golpistas vitoriosos, já no dia 12 de setembro de 1973. Em estreita colaboração com os economistas chilenos, principalmente os graduados na Universidade de Chicago, os chamados Chicago Boys, para levar adiante sua reforma da economia.»

Anónimo disse...

Em Abril de 1975, já o regime fascista de Pinochet tinha averbado uma sinistra conta escrevia Friedman ao protagonista deste mar de sangue, o general Pinochet:

"Permita-me antes de mais que lhe diga o quanto, eu e a minha mulher, estamos agradecidos pela calorosa hospitalidade com que nos brindaram tantos chilenos durante a nossa breve visita ao país; sentimo-nos como se realmente estivéssemos na nossa própria casa".

Portanto, sentia-se Friedman, aí, numa casa ensanguentada, como se estivesse no seu próprio lar.

Jose disse...

Hitler, Salazar, Pinochet, ...sempre Cuco tem uns espantalhos para associar aos mensageiros com mensagens que o incomodem...
Já os esqueletos no armário das suas crenças sempre os preserva na redoma dos seus sonhos de poder.

Jose disse...

O vigário das 22:37 continua a falsear o copy/paste.

Anónimo disse...

Porque é que o sabujo do Jose não se manifesta contra o controlo público da indústria do cobre, mantido pelo ditador Pinochet, após a nacionalização feita por Salvador Allende?

Resposta: Porque o valor produzido nessa indústria era a fonte de financiamento do aparelho repressivo e assassino do fascista chileno, para além de ainda ajudar a mascarar o desastre económico do ladrilho do Friedman. É ou não é assim, sabujão?

Anónimo disse...

"...da concorrência entre empregadores para proteger trabalhadores e proprietários"

Virando o modelo contra o seu criador, que melhor maneira de meter os empregadores em concorrência para atrair os trabalhadores, admitindo políticas de pleno-emprego? Não há concorrência com níveis elevados de desemprego, já que os trabalhadores não têm alternativa onde se empregarem!

Anónimo disse...

este jose é um mastim fiel dos monopólios, do 0,1% do topo e da pafiosidade em geral.

entretanto, a aplicação das doutrinas que ele defende colocaram um estado norte-americano - o kansas - na penúria.

Manuel Silva disse...

José (zito):
O nosso troll(zito) aqui no LdB.
Ainda não te apercebeste que a diferença entre os esqueletos no armário para certas pessoas da Esquerda as incomoda, de facto?
Gostariam muito de não os ter.
Já quanto a ti e à tua Direita, seja não versão mais troglodita, seja na versão mais tecncrático-neoliberal, vocês não têm esqueletos no armário.
Vocês têm ídolos (Hitler, Salazar, Pinochet, etc.) que veneram e tratam como mestres.
Já reparaste como vocês se referem ao nosso ditador de Santa Comba?
O Dr. Salazar.
E ao seu regime ditatorial?
Regime autoritário (este epíteto só usado pelos tecnocrático-neoliberais, que nunca apreciaram o estatismo salazarento).
Que doces que vocês são... e que cromos.

Anónimo disse...

Os esqueletos no armário são uma espécie de panaceia universal, usada como forma de
trote apressado.
Para não se falar do que se está a falar e para ver se uma mão limpa a outra. O que como se sabe não é o caso, neste último caso.
(Como se os armários ou os esqueletos fossem um pretexto para impor o silêncio ou para justificar as cobardias do presente)

Fala-se de Pinochet porque se fala de Friedman. E o que está aí em cima escrito explica bem o motivo porque tal ligação é feita.

De forma objectiva, clara, sem necessidade nem de diminutivos tontos nem de fugas pusilânimes

Jose disse...

O Friedman tem tanto a ver com o Pinochet quanto o Keynes tem a ver com o Chavez/Maduro.
Incidentalmente, o PIB per capita do Chile é só o mais elevado da América do Sul.
Mas tudo isso me interessa muito pouco.

Já não assim quanto aos esqueletos do Manelzinho:
Que razão encontras para que os ditadores de direita, quando substituídos por regimes democráticos, não se altera o regime económico e os ditadores de esquerda quando caem logo caem os regimes económicos socialistas (ou até antes, como é o caso da China)?

Porque uma e outra vez se verifica que finda a ditadura finda o socialismo, que razão encontras - para além da mais límpida estupidez - para que se mantenha a treta do 'socialismo democrático'?

Anónimo disse...

Mais uma vez se retoma o tema de Pinochet tendo o Friedman como associado. Ou ice-versa

Porque não pode passar esta tentativa de propaganda ao fascismo chileno com a leviandade com que este sujeito das 15 e 02 o tenta fazer, escondido atrás do PIB per capita e outras tretas do género.

Este tipo foi apanhado a fazer aldrabice com os números. Foi apanhado a mentir e a mistificar o que disse. Foi apanhado com as calças na mão. Mas agora já não se trata da sua função de "perito", medíocre como se comprovou, mas de outra coisa.

Trata-se da propaganda neoliberal a um pulha. Que primeiro tentou esconder no armário dos outros. E que depois tenta esconder atrás do PIB chileno.

Pode ele tentar fugir com um "Mas tudo isso me interessa muito pouco", cobarde como é seu timbre. Porque já disse o que tinha a dizer e porque de forma néscia tenta misturar também Keynes ao barulho. Tentando comparar o que não é comparável.

Anónimo disse...

A ligação de Friedman a Pinochet é directa.

Wikipedia:"Chicago Boys (em português: Rapazes de Chicago) foi o nome dado a um grupo de aproximadamente 25 jovens economistas chilenos que formularam a política económica da ditadura do general Augusto Pinochet. Foram os pioneiros do pensamento Liberal, antecipando no Chile em quase uma década medidas que só mais tarde seriam adoptadas por Margaret Thatcher no Reino Unido."

Eu sei que tal interessa muito pouco ao "perito" neoliberal ao serviço do patronato.Isso diz ele, porque lhe dá cabo do seu "serviço cívico" . É necessário então repetir.
"Os rapazes de Chicago do Chile viraram embaixadores do “neoliberalismo.A educação desses chilenos decorreu de um projecto específico arquitectado nos anos 1950 para influenciar o desenvolvimento do pensamento económico no Chile.
Mas “o projecto” não estava funcionando.”Foi no Chile – o epicentro do experimento de Chicago – que a derrota na batalha das ideias se tornou mais evidente. Na histórica eleição de 1970, o país tinha avançado para a esquerda de tal forma que os três maiores partidos políticos eram a favor da nacionalização da principal fonte de renda do país: as minas de cobre então controladas pelas grandes mineradoras dos Estados Unidos . ” Em outras palavras, o Projecto Chile,da escola de Chicago era um fiasco muito caro. Como guerreiros ideológicos que travavam uma batalha de ideias contra os adversários de esquerda, os Rapazes de Chicago falharam na sua missão.Não só o debate económico continuava a tender para a esquerda, como os rapazes de Chicago tinham-se tornado tão marginalizados que não conseguiam sequer um registo no espectro eleitoral chileno."

Marginalizados e derrotados, os rapazes de Chicago não tiveram espaço para desenvolver o seu modelo económico no Chile democrático.
Só conseguiram impor o seu modelo económico depois do golpe da besta fascista capitaneada por Pinochet. O Chile foi o primeiro país do mundo a adoptar o neoliberalismo. As privatizações no Chile de Pinochet foram anteriores às da Grã-Bretanha de Thatcher Em 1973, quando o golpe militar derrubou Allende, o governo já tinha um plano económico debaixo do braço, o plano dos rapazes de Chicago, tendo como patriarca Friedman.

Ou seja, o chamado neoliberalismo nasceu no ovo da serpente

Anónimo disse...

Que isto seja "incidental" para este fulano das 15 e 02 é uma coisa ´que não interessa absolutamente para nada. Porque os factos são por demais fortes para serem escondidos atrás do que este tipo tenta passar por "incidental". Porque o modelo económico de Friedman constituiu o modelo económico dum fascista de nome Pinochet. Porque tal modelo só foi possível de implementar pela força das armas e da barbárie, através dum golpe militar que chocou o mundo. Pinochet que depois se envolveu num escândalo de corrupção como se sabe. Mas que antes já se tinha revelado como uma verdadeira besta ao serviço da senha neoliberal.

Curiosamente é o mesmo modelo defendido pelos actuais neoliberais. "Em primeiro lugar, os governos deveriam abolir todas as regras e regulamentações que se interpunham no caminho da acumulação de lucros. Em segundo, deveriam vender todos os activos que possuíam e que podiam ser administrados pelas corporações, com fins lucrativos.E em terceiro, precisavam cortar dramaticamente os fundos destinados aos programas sociais.Dentro dessa fórmula tripartida de desregulamentação, privatização e cortes, Friedman ainda oferecia especificações.Os impostos, no caso de precisarem existir, deveriam ser baixos,taxando ricos e pobres na mesma importância fixa. As corporações deveriam ser livres para vender seus produtos em qualquer lugar do mundo, e os governos deveriam ser impedidos de proteger as propriedades e as indústrias locais.Todos os preços, inclusive o preço do trabalho,seriam definidos pelo mercado. O salário mínimo deveria ser abolido. Para as privatizações,Friedman oferecia actividades como os cuidados com a saúde, o serviço de correios, a educação, as aposentadorias e até mesmo os parques nacionais" .

Repare-se como este discurso é parecido com os discursos dos actuais joses deste mundo. Repare-se como os actuais joses tentam esconder agora a besta que está colada como uma lapa a tal doutrina. Friedman-Pinochet unidos como os dedos de uma mão. Por isso nada mais resta do que a palhaçada desonesta e abjecta de invocar Keynes ou de invocar socialismos.

Escondendo que foi esta escória que impediu a implantação do socialismo por via eleitoral.

Anónimo disse...

O tal sujeito que se auto-intitula "perito" e que se assina com o nick de jose fala em "ditadores de direita e em regimes económicos e em ditadores de esquerda e em limpidas estupidezes"

Odre vazio de ideias e de realidades. Porque o se viu precisamente no Chile (e por isso é que a ele lhe interessa muito pouco discutir o assunto) foi que a tentativa de instituir um modelo económico socialista por via eleitoral teve o passo cortado pelo Capital. Pelo fascismo que é a sua arma última. E que tal ultrapassa e em muito o discursozito idiota de quem tenta mascarar factos e ideologias da forma torpe como um vero "perito" do género o faz: "ditadores de direita, regimes democráticos, não se altera, ditadores de esquerda, finda a ditadura, límpida estupidez".

Não , isto não é estupidez nem muito menos límpida. Isto é manipulação pura e simples que esconde por um lado a realidade e que por outro tenta apresentar esta história que vivemos como o fim da História. Tal como Friedam tentou apresentar o seu modelo económico de definitivo . Ou como os neoliberais hodiernos tentaram mostrar o seu caminho como sendo o único caminho. Com o resultado de todos conhecido

Anónimo disse...

Mas há uma coisa ainda mais grave

É que por detrás de um paleio pretensamente civilizado e "democrático" se esconde a serpente já fora do ovo.

Apercebida já num incidental "PIB Chileno" dito assim de forma "incidental". Mas que transparece de forma clara quando, noutro contexto e sem a necessidade de fazer eficazmente"serviço cívico", se admitem líderes como este assim admitido desta forma límpida" e clara:

"na composição da minha pouco importante figura, evita pôr-me como tendo Cavaco por líder! Põe lá o Salazar ou outro figurão qualquer mas não o Cavaco".

Pelo mesmo "jose" que agora assim fala de mansinho

Manuel Silva disse...

José(zito), pobre(zito) de espírito e de inteligência:
O Chile sempre foi um caso à parte (de maior desenvolvimento) na América Latina.
Quer quanto ao desenvolvimento económico, quer quanto à organização institucional e social.
O Exército, por exemplo, até 1973, nunca teve tradição golpista (tão generalizada nesta área do mundo) e depois da normalização democrática dos anos de 1990 regressou à sua anterior matriz.
Desenvolvimento económico que não impediu a tremenda desigualdade social e a apropriação das principais fontes de riqueza nacional pelo grande capital americano (as minas de cobre e a produção agrícola).
Foi este primeiro factor, a tremenda desigualdade social, que levou à vitória democrática do Allende, em 1971, e o segundo (a expropriação do grande capital americano) que levou ao Golpe fascista do criminoso Pinochet (que teria a protecção de outra figura maior da política de rapina dos pobres: a Dama-de-Ferro Thatcher, também conhecida por Ladra de Leite, quando este teve ordem internacional de prisão dada pelo Juiz Garzon).
Depois vieram os Chicago Boys e foi a miséria que se viu, só corrigida parcialmente após a normalização democrática dos anos de 1990.
Miséria plantada em cima de 3900 mortos e de uma grande fortuna (roubo) do patriota (criminoso) Pinochet depositada na lavandaria Suíça, que a abertura dos arquivos do Congresso Americano permitiu descobrir e desmascarar: que grande patriota e ainda por cima anti-socialista, portanto, dos puros (e duros, as mãos do cantor Vítor Jara que o digam, pois foram esmagadas a martelo para que nunca mais tocasse guitarra e cantasse as suas canções revolucionárias).
Quando falares do Chile informa-te primeiro.
Já que miséria, desigualdade social, repressão fascista, roubo do erário público, Pinochet, Chicago Boys, são temas que, ou não fazem parte do teu cardápio ou veneras e aos quais rezas 10 padres-nossos todos os dias.



Anónimo disse...

Mas vejamos mais aprofundadamente a estória de sucesso de Friedman e dos seus rapazes de Chicago, entre os quais se inclui obviamente Pinochet.

No preâmbulo de “El Ladrillo” está escrito com todas as palavras que o Chile é das sociedades mais desenvolvidas da América do Sul: Friedman e seus rapazes achavam que era preciso des-socializar a economia, desestatizá-la, porque se consideravam “não-marxistas”.

"Durante o regime de Pinochet, entre 1974 e 1987, o PNB per capita do Chile caiu 6,4% em dólares constantes, passando de US$ 3.600 em 1973 para 3.170 em 1993 (dólares constantes). As sucessivas tentativas e erros de dosagem nas medidas recomendadas pelo modelo liberal custaram ao Chile uma queda 30% do seu PIB. Apenas cinco países da América Latina tiveram, em termos de PNB per capita, um desempenho pior que o do Chile durante a era Pinochet (1974-1989).

Em 1970, 20% da população do Chile vivia na pobreza. Em 1990, o ano em que Pinochet deixou o cargo, o número de indigentes dobrou para 40%. Em 1973, o ano em que general Pinochet assumiu o governo, a taxa de desemprego no Chile foi de 4,3%. Em 1983, depois de dez anos, o desemprego atingia 22%. Os salários reais diminuíram 40% durante o regime militar.

Em 1982, houve uma profunda crise da supervalorização peso chileno (que foi ajudado pela paridade da moeda em relação ao dólar dos EUA, e altas taxas de juros no Chile). Isso teria impedido o investimento em actividades produtivas. Entre 1973 e 1982, a dívida externa do aumentou de 3500 para mais de 17 bilhões de dólares. Os bancos foram socorridos pelo Estado, como recomendado pelos Chicago Boys. A crise económica e financeira que atingiu o país representou um custo que tem sido estimada em até 35% do PIB. O sistema financeiro entrou em colapso devido à forte desregulamentação da banca comercial. Depois de ter sido privatizada, após o golpe militar, foram liberalizados e as taxas de juros foram desregulados. Produto da crise de 82 o PIB chileno diminuiu 14,3%, o desemprego chegou a 23,7%.
Quando ocorreu a democratização, em 1990, 38,6% da população chilena se encontrava abaixo da linha de pobreza. Pinochet privatizou a previdência social, e até hoje 39% da população - quase a metade dos chilenos - não dispõe de nenhum tipo de seguridade social".

É este "modelo" que é elogiado pelo tal "Jose". É este modelo que eles quiseram ( e "jose" também) implementar por cá.

Registe-se que o que está aí em cima transcrito, neste comentário, não é de nenhuma fonte revolucionaria. É da simples Wikipédia

Jose disse...

Manelzinho,

Quando me contares uma história, conta-a bem contada.
Antes do Pinochei entrar em cena já as panelas batiam em Santiago.
Nunca esqueças de mencionar as forças reacionárias antes de encontrares um líder para demonizar.
O mesmo para os de Chicago; foram a troika do Chile e o paralelo é o de que sem troika não haveria hoje a tua bem amada geringonça.

Anónimo disse...

Herr jose e as panelas!

herr josé! As panelas justificam os golpes fascistas?

Anónimo disse...

Herr jose.

Deixe-se de tretas sobre lideres. Os seus fedem e já fediam antes de estarem a apodrecer debaixo da terra

Anónimo disse...

Herr jose

Os rapazes de chicago não são os da troika. Também os há. Mas definitivamente não são os mesmos troikistas tão do seu agrado
Pelo facto de herr jose gostar dos dois - os boys e os da troika- não quer dizer que sejam os mesmos.
São os capangas neoliberais, encartados, de Friedman. Que depois iriam dar as réplicas conhecidas

Anónimo disse...

Vejamos este dado interessante.

Numa tentativa para tornar interessantes os boys de Chicago ( Pinochet incluso), o que faz o das 00 e 51?
Tenta dar "mais-valia" à troika. E como? Tenta abrilhantá-la como a responsável pela geringonça.

Tentou já justificar o brilho que atribui a salazar como resultante do aparecimento posterior do 25 de Abril?

Demais mesmo. Paupérrimo mesmo.

Já quanto ao silêncio sobre o o incidental desempenho económico dos boys, de Friedman, do neoliberalismo , de Pinochet...é de tal forma gritante que envergonharia até à raiz dos cabelos os seus ascendentes se....

Demais mesmo. Paupérrimo mesmo