terça-feira, 23 de janeiro de 2024
Temos um problema com a emigração, mas não é aquele que a direita nos quer vender
Os tempos financeiros não são verdes
“O número de dias de neve nos Alpes caiu mais nos últimos vinte anos do que nos 600 anos anteriores”, destacava o Financial Times, a pretexto do Fórum Económico Mundial, que se realizou em Davos, Suíça, entre 15 e 19 de janeiro.
segunda-feira, 22 de janeiro de 2024
Decência e coragem
«Impressionou-me ver o número de crianças feridas que estavam em trânsito para fora de Gaza. Crianças amputadas, crianças desfiguradas e com um olhar resignado, crianças de seis anos com um olhar como se tivessem 80 e muitos anos. Mais de 50% das casas estão destruídas e 85% da população não vai ter para onde ir, quando a guerra terminar. (…) Morreram mais crianças nos últimos 100 dias do que em todos os conflitos no mundo nos últimos cinco anos. Portanto, estamos perante uma catástrofe humana sem precedentes. Não quero poupar nas palavras. É uma catástrofe humana sem precedentes porque, ao contrário de outras catástrofes humanas, as pessoas não têm para onde fugir. As pessoas fogem da guerra para salvar a vida. No caso de Gaza, não há refugiados porque não podem sair.
[A população de Gaza] está presa num triplo sentido. Está cercada por um contexto de guerra e, portanto, está a ser bombardeada, (…) Por outro lado, já se notam surtos de doenças do foro diarreico porque não há água potável, não há medicamentos, muitas doenças do foro respiratório. (…) Há uma casa de banho para cada 400 pessoas e um chuveiro para cada 1850 pessoas. (…) Temos 50 mil grávidas sem qualquer tipo de cuidado que vão dar à luz. Eu já nem sei que adjectivos usar porque nos últimos 100 dias utilizei todo o dicionário de adjectivos.
(…) Depois, vi uma coisa surpreendente: vi produtos a serem rejeitados. Há uma lista de produtos rejeitados por Israel porque considera que podem ser de uso duplo e, portanto, que podem ser utilizados para outros fins, como a construção de armas ou coisas que possam ameaçar. Eu vi painéis solares, frigoríficos solares, lanternas solares, brinquedos, bonecas, livros para colorir, botijas de oxigénio que são um suporte de vida básico, tudo rejeitado. Quando se rejeita uma caixa porque tem um item supostamente proibido, todo o camião é rejeitado. Portanto, repare como as dificuldades que estão a ser colocadas a ajuda humanitária tornam esta guerra ainda mais indigna e ainda mais imoral, ainda mais ultrajante quanto aos direitos básicos».
Da pungente entrevista de Jorge Moreira da Silva, Subsecretário-geral das Nações Unidas, ao Público e à Renascença, no esteio da decência, coragem e perseverança de António Guterres, perante a gravíssima e inaceitável situação em Gaza. A contrastar com o silêncio e a complacência (e até indecência), que continuam a prevalecer nas direitas.
Do mamonismo
domingo, 21 de janeiro de 2024
Ebulição
A transição para as energias renováveis não resultará, automaticamente, na concretização do direito universal à energia renovável ou na gestão democrática do sistema energético. Ao invés, perante a ausência de transformações sociais, económicas e políticas estruturais, assiste-se a uma transferência da lógica do capitalismo fóssil – baseada na mercantilização da energia, na acumulação de riqueza e na maximização dos lucros – para os sistemas energéticos assentes em fontes renováveis. O capitalismo fóssil está a reconverter-se, rapidamente, em capitalismo verde – apenas mudam as fontes de energia, já que as relações sociais de produção permanecem, no essencial, inalteradas.
sábado, 20 de janeiro de 2024
Apelo
Cada democrata tem uma obrigação e uma só obrigação nas próximas semanas: tratar as eleições de março como um combate de vida, apoiando um dos partidos fiéis ao melhor da Constituição da República Portuguesa, com uma imensa alegria militante, todo o otimismo da vontade, sem elitismos.
sexta-feira, 19 de janeiro de 2024
As máscaras de Ventura
quinta-feira, 18 de janeiro de 2024
Combate pela memória
Graças a Catarina Coutinho, pude recordar um pungente depoimento de Maria Rosa do Couço, a circular pelas redes sociais, sobre as lutas camponesas pela jornada de oito horas. É parte de um combate pela memória de 1962.
Requentar teses oportunistas em tempo de eleições
Fazendo estimativas para 1980 e 2020, Vítor Bento concluiu, nessa altura, que a «população dependente do Estado» passara de 34% para 61% em quatro décadas, desprezando, contudo, várias coisas:
- Que os descontos das empresas e dos trabalhadores para a Segurança Social (e não do Estado, já agora, que apenas as gere e garante), a par do envelhecimento demográfico, permitem que os reformados tenham hoje uma pensão;
- Que o aumento do peso relativo de funcionários públicos (de cerca de 7% para 9%), bem abaixo da média da UE, tem um significado muito claro: entre outros domínios, a universalização do acesso à saúde (médicos e outros profissionais) e à educação (professores), no âmbito do Estado Social tardio que o nosso país edificou desde o 25 de Abril, com destaque para o SNS e a Escola Pública;
- Que o aumento da proporção de trabalhadores abrangidos pelo salário mínimo, de 3% para 10% (o qual, já agora, também não é pago pelo Estado), reflete a exigência da sociedade, através das suas escolhas políticas, em fixar um limiar mínimo de decência na remuneração do trabalho, num país que chegou a 1974 com níveis de pobreza e desigualdade insuportáveis;
- E por falar em pobreza, note-se por fim a ausência de um equivalente ao RSI em 1980, suscetível de servir de comparação com os 3% da população abrangida em 2020 por esta prestação social, que representa um salto face ao assistencialismo caritativo e humilhante até aí prevalecente.
É verdade que Vítor Bento, no seu ensaio de 2022, assinala não ter «nenhum intuito moralista» com o exercício a que deitou mão, dizendo que «as coisas são o que são». Mas é ao mesmo tempo indisfarçável que não só encara de forma negativa esta alegada «dependência» das pessoas face ao Estado (como quando, por exemplo, se refere aos cidadãos enquanto «consumidores de impostos»), mas também quando a interpreta como um obstáculo à concretização das «reformas transformacionais» de que, no seu entender, o país precisaria.
Reformas essas que, como facilmente se deduz, iriam no sentido da retração do papel do Estado, tanto ao nível do desmantelamento e privatização dos serviços públicos como ao nível da desregulação da legislação laboral e da rarefação dos direitos sociais, no melhor esteio da «economia do pingo» (mas que depois nunca pinga). Isto é, em linha com as propostas programáticas que já se vislumbram à direita, do PSD ao Chega, passando pelo CDS e IL.
Não estranha por isso que João Maria Condeixa tenha repescado no seu twitter, para o atual quadro eleitoral, o ensaio de Vítor Bento. E afirme, a partir dos dados do referido gráfico, que «o partido que ignorar esta estrutura de rendimentos não será eleito» e que «o partido que dela ficar refém não servirá o país», lamentando-se, ainda, pelo facto de «o dinheiro atirado para o problema» contentar apenas «eleitorado e partidos».E quem deveria já agora, que mal se pergunte, contentar?
quarta-feira, 17 de janeiro de 2024
Os dezassete escolhidos
Luís Montenegro, qual construtor de mamarrachos políticos de Espinho, veio anunciar que tem consigo os melhores 17 economistas para colaborar na derrota da PaF (vulgo AD, graças ao PPM). Quem são? Escolho por agora 8, representativos do autêntico cortejo fúnebre da economia portuguesa.
1. Havia tanto para dizer sobre Maria Luís Albuquerque, mas não temos tempo, como diria Cândido Mota em A Roda da Sorte. Sucessora de Vítor Gaspar, esta liberal com iniciativa transitou depois para uma empresa internacional de cobrança de créditos duvidosos de Manchester: muita literacia financeira, muito pouca cultura económica. Uma palavra em inglês e um acrónimo bem português: Swap e BES.
terça-feira, 16 de janeiro de 2024
Quintas

Habitação: recuos demasiado habituais
No debate sobre a crise da habitação, um dos aspetos que ganhou relevância foi o do regime especial para Residentes Não Habituais (RNH). Este regime, que oferece taxas reduzidas de IRS às pensões de reforma (10%) e aos rendimentos do trabalho (20%) a cidadãos estrangeiros ou a cidadãos portugueses que tenham estado fora do país por mais de 5 anos, foi um dos esquemas criados para atrair capital estrangeiro no mercado imobiliário ao longo da última década.
O custo deste benefício tem vindo a crescer todos os anos, tendo atingido os 1360 milhões de euros em 2022, de acordo com o relatório da Autoridade Tributária. A perda substancial de receita fiscal para o Estado é provocada por um regime que constitui um tratamento desigual face aos salários e pensões de quem reside no país e é sujeito a taxas de imposto progressivas. Além disso, este é um dos esquemas que tem contribuído para a enorme subida dos preços da habitação, alimentado uma dinâmica que tem todas as características de uma bolha especulativa (não por acaso, o "eldorado fiscal" português é elogiado em sites como o Idealista).Face às manifestações pelo direito à habitação, que têm mobilizado cada vez mais pessoas, António Costa anunciou no início de outubro o fim deste regime. A medida acabaria com a possibilidade de novas inscrições no regime, embora não retirasse o privilégio fiscal a quem já o tinha recebido (e que poderia continuar a usufruir de taxas reduzidas por mais dez anos).
No entanto, o governo recuou rapidamente e decidiu manter este regime para "atrair quadros qualificados na área da investigação científica". Nesta versão, os investigadores científicos que passem a trabalhar em Portugal beneficiam da taxa única de 20% de IRS durante dez anos, independentemente dos rendimentos auferidos (e muito abaixo da taxa que tipicamente incide sobre os trabalhadores neste tipo de funções). Num país com níveis muito baixos de financiamento público para a investigação e desenvolvimento, bastante abaixo da média europeia, e onde boa parte do trabalho científico é garantido por bolseiros com contratos precários, é difícil compreender a justiça desta medida.
Mas o recuo não fica por aqui: além do novo modelo de benefício fiscal, o grupo parlamentar do PS apresentou uma proposta para a criação de um "regime transitório" para o atual até ao fim de 2024. Na prática, a ideia é que as regras atuais se mantenham em vigor por mais um ano, de forma a não travar quem já planeava mudar-se para o país. Se se reconhece que o regime não deve ser aplicado, por que motivo se adia a sua revogação e se permitem mais inscrições?
segunda-feira, 15 de janeiro de 2024
Combater o elitismo
Quando me dizem, sem quaisquer dados e de forma claramente preconceituosa, que “os pobres apoiam a extrema-direita”, porque, já se sabe, os pobres são mais facilmente “enganados”, respondo cada vez mais irritado de duas formas.
Lembrete
As metáforas elitistas devem ser combatidas: circula muita sabedoria pelas tabernas e mesas de café deste e doutros países (e, já agora, pelos balneários e piscinas). Repete-se então a homilia laica: só quem tem confiança no, e amor ao, povo está em condições de dizer algo de politicamente produtivo.
domingo, 14 de janeiro de 2024
Dos comentários para o blogue
Este post, sobre os resultados do PISA 2022, que evidencia sobretudo, como seria de esperar, o impacto da pandemia nas aprendizagens e desempenho dos alunos na generalidade dos países da OCDE, suscitou o seguinte comentário de um leitor do blogue: «Uma análise destas está desfasada da realidade. Aconselho o autor da análise a visitar qualquer escola sem a máquina de propaganda partidária e perceberá a verdadeira realidade. Como também sou docente do ensino superior há muito que vejo os resultados da falácia da educação pela competência. O que se vê é uma escola de mínimos a formar pessoas muito aquém das suas verdadeiras capacidades e potencialidades!»
Não será necessário, contudo, visitar uma escola para avaliar o que o leitor defende. Bastará acompanhar os filhos nos estudos. Da minha experiência, quem diz que não há exigência no ensino - tanto do ponto de vista dos conteúdos e competências como do trabalho dos professores - não tem filhos em idade escolar ou, tendo-os nessas idades, não os acompanha no estudo. E, portanto, não faz ideia do que fala e das matérias e exigências que estão em causa.
Em contrário, não só verificaria que os conteúdos das diferentes disciplinas pouco se alteraram ao longo do tempo (e em alguns casos, como sucede nas ditas «ciências exatas», até se tornaram mais complexos), como constataria que os professores não se tornaram menos exigentes. O facilitismo encontra-se, na verdade, nestas boutades ligeiras, que se auto-dispensam de uma análise mais profunda, no esteio do constumeiro «antigamente é que era bom».
sábado, 13 de janeiro de 2024
Problema de todos?
sexta-feira, 12 de janeiro de 2024
Saldos
As reações da direita à notícia de hoje do Expresso (ver por exemplo aqui e aqui), segundo a qual «30% dos jovens nascidos em Portugal vivem fora do país», parecem não só esquecer a evolução recente, e nomeadamente a inversão do rombo demográfico dos anos de «ajustamento», mas também ignorar que as políticas que defendem, apostadas na desregulação do mercado laboral, precariedade, baixos salários, cortes nos apoios sociais e privatização dos serviços públicos, são meio caminho andado para regressar a esses anos de chumbo.
Vale por isso apenas relembrar que foi entre 2011 e 2015, com a maioria de direita no poder, que o saldo demográfico português entrou numa vertigem de perda sem precedentes em democracia, com o saldo natural e o saldo migratório a registarem, simultaneamente, valores negativos (os únicos anos desde o início do século em que tal acontece), para apenas depois se observar uma recuperação parcial, com o saldo natural (diferença entre nascimentos e óbitos) a manter-se negativo (recuperando ligeiramente, contudo, em 2022) e o saldo migratório (imigração menos emigração) a entrar em terreno positivo.
Nada disto cai do céu. As perdas registadas entre 2011 e 2015 são o resultado da crise induzida pela resposta austeritária aos impactos da crise financeira de 2007/08, apostada no «empobrecimento competitivo» do país (aqui e aqui), num aproveitar da boleia da troika para ir além dela. De facto, a mesma direita que tanto gosta de brincar aos rankings com o PIB per capita, não percebendo as limitações deste indicador, para assinalar subidas e descidas face a outros países, bem podia começar a pôr mais os olhos no «outro PIB», que as dinâmicas demográficas traduzem, e que diz bem mais dos níveis de bem-estar e atratividade dos vários países. E que suscita também, deste ponto de vista, uma reflexão sobre o processo de integração europeia.
Do bem
Em linha com Ana Sá Lopes, Miguel Esteves Cardoso saiu em defesa de uma economia mista na imprensa. Não surpreende que um bondoso conservador esteja hoje bem à esquerda dos setores social-liberais do Governo em funções, encarnados por Pedro Adão e Silva.
Do mdiplo para o blogue
quinta-feira, 11 de janeiro de 2024
Coimbra é uma lição
A notícia tem três dias, mas bem podia ter três décadas ou até um pouco mais, tratando-se de Coimbra. Analisando os ganhos brutos resultantes da colocação no mercado de arrendamento de imóveis comprados para o efeito, o Notícias de Coimbra conclui, citando dados do idealista, que a rentabilidade associada foi de 7,3% em 2023, valor que compara o de 6,3% registado em 2022 e 5,5% em 2021. No caso de Coimbra, o valor ronda os 7,0%, que a posicionam logo a seguir a Santarém, a capital de distrito onde o retorno é hoje mais elevado (7,5%).
A aquisição de casas para arrendamento, ou para simples especulação (através da sua revenda sucessiva), constitui um dos traços distintivos das atuais dinâmicas do mercado de habitação, revelando a importância crescente de lógicas especulativas que encaram a habitação como um ativo financeiro interessante, contribuindo para a crise que se instalou, aqui e na generalidade dos países europeus (e não só). Lógicas essas que, além disso, e a par do turismo, se internacionalizaram, gerando novos segmentos de procura (neste caso externa) que alteraram o modo como, convencionalmente, se equaciona a relação entre oferta e procura à escala nacional (a ponto de se achar que o problema se resume à simples «falta de casas»).
Voltando a Coimbra e aos anos noventa, a circunstância de se tratar de uma cidade universitária com um peso relativo de alunos matriculados, face à população residente, a rondar os 14% em 1990 (o mais elevado de todas as capitais de distrito), e com uma economia local em ampla medida ancorada na universidade, constituía, já nesse tempo, um fator explicativo dos elevados preços da habitação, dada a procura de alojamento por estudantes, tornando atrativo o investimento em imóveis. Neste caso, o adicional de «procura externa» corresponde à procura pelos estudantes deslocados, que representava um segmento particularmente significativo do total, e que acabava por condicionar, com a subida do valor das rendas (que 3 ou 4 estudantes juntos conseguiam pagar) o acesso à habitação por parte das famílias residentes, sobretudo das mais jovens.
Com todas as diferenças a considerar, de tempo e de espaço, a Coimbra dos anos noventa pode assim ser vista como uma espécie de maquete da atual crise habitacional, ilustrando o impacto que as procuras externas, naturalmente de natureza distinta, geram nos sistemas de habitação.
Nacionalizações necessárias
Dada a falta de pluralismo no jornalismo e o declínio editorial geral, sou tentado a concordar com Vital Moreira – “Não se pode ter o sol na eira e a chuva no nabal”. Não se pode defender o liberalismo e depois, quando as coisas apertam, o socialismo.
quarta-feira, 10 de janeiro de 2024
O círculo vicioso das iniciativas liberais até dizer chega
Através do esquerda.net, confirma-se o círculo vicioso da atual economia política: “Dono dos CTT financiou o Chega”. Mariana Mortágua já tinha apresentado uma lista de financiadores do Chega desta índole.
terça-feira, 9 de janeiro de 2024
Do trabalho para o capital, de novo
segunda-feira, 8 de janeiro de 2024
Obrigado pela viagem
Obrigado, Ansgar Schaefer e Susana de Sousa Dias pela viagem. Está lá tudo e tão bem gizado: sombra e sol, história e memória, ricos e pobres, amor e ódio, aproximação e afastamento sociais; dois países distantes, um deles diz que é nosso, visto com outros olhos, outra língua, outros rostos.
domingo, 7 de janeiro de 2024
Um jornal com muita política
É este contexto de visibilidade assimétrica dos projectos, e de interiorização mais ou menos consciente do pensamento neoliberal, que torna possível que as forças de direita escapem a ser confrontadas nesses palcos mediáticos, durante anos a fio, com o carácter socialmente desastroso das suas políticas. E, mais ainda, com o fracasso económico dessas mesmas políticas — algo que se pode concluir até a partir do balanço dos efeitos que as próprias afirmavam querer alcançar (ver, nesta edição, o exercício de memória e de desmontagem crítica dessas políticas feito pelo economista Vicente Ferreira, «A direita e a arte de esvaziar a democracia») (...) Se a direita partidária ou patronal se mobiliza nos media para defender os seus interesses, numa aposta que mostra o quanto a propriedade dos meios de informação interessa (ver, nesta edição, o artigo de João Rodrigues, «Ecos patronais»), também é verdade que o serviço público não é minimamente imune a esta naturalização do senso comum neoliberal dominante, nacional ou europeu (...) O que causa mais danos ao direito que Abril consagrou à informação é esta vocação que as propostas neoliberais têm para se apresentarem como algo que paira acima da política e das suas escolhas.
sábado, 6 de janeiro de 2024
Homilia laica
Se tenho uma convicção, de resto já várias vezes partilhada com quem me vai lendo, é esta: as pessoas fazem o melhor de que são capazes nas circunstâncias que são as suas, sendo que a tarefa da ação coletiva é precisamente a de ir tentando humanizar circunstâncias e desenvolver potencialidades. E isto aplica-se a este país, naturalmente.
sexta-feira, 5 de janeiro de 2024
Mamarrachos políticos
quinta-feira, 4 de janeiro de 2024
CTT: um modelo de privatizações desastrosas
quarta-feira, 3 de janeiro de 2024
Razões para um voto
Em breve celebraremos os cinquenta anos do 25 de Abril. É uma questão de memória, mas também de futuro. A revolta e a alegria das pessoas comuns que há meio século saíram à rua deram pleno sentido à longa história da resistência antifascista e das lutas anticoloniais. É na sua esteira que vos escrevemos, a fim de partilharmos as nossas preocupações com a situação atual e para vos dirigirmos um apelo mobilizador.
terça-feira, 2 de janeiro de 2024
Leituras
Como se argumenta na indispensável República dos Pijamas, “a Literacia Financeira é a nova palavra-chave do léxico neoliberal”. Já em 2013, em artigo na Análise Social, Ana Cordeiro Santos e Vânia Costa exploraram as implicações de uma forma de colocar o fardo sobre os cidadãos, ao invés de regular a finança, transformando-a num previsível serviço público. Ana Cordeiro Santos desenvolveu a relação entre literacia financeira e construção ideológica do sujeito neoliberal em artigo na New Political Economy. Leituras, estas sim, educativas...
segunda-feira, 1 de janeiro de 2024
Os serviços públicos são belos
Se quiserem começar o ano em beleza, não percam a viagem pela Linha do Douro – Um Património sobre Carris, verdadeiros bens e serviços públicos, a linha, o Douro, o documentário e a RTP Play. Não conheço viagem mais bela neste mundo, vindima num “poema geológico”.






































