sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Os vende-pátrias saem-nos caros


Esta semana ficámos a saber que, no ano de 2024, foram transferidos para o exterior quase 8 mil milhões de euros só em dividendos, o maior valor em 14 anos. Falta o resto, incluindo os juros e as rendas. Este país é drenado pelo controlo estrangeiro de setores estratégicos geradores de superlucros, o culminar de décadas de privatizações, como se avisou com iluminismo radical

Também temos exceções, como a Galp, desgraçadamente privatizada, que é controlada em 36,7% pela família mais rica do país, a Amorim: esta parqueia os dividendos em jurisdições fiscalmente mais vantajosas, beneficiando da liberdade de circulação de capitais instituída e garantida pela UE desde o início dos anos 1990. Anti-Amorim, por muitas e boas razões.

Entretanto, há dois tipos de vende-pátrias: os liberais, que desde o cavaquismo dominam a política económica do país, e os que, dizendo-se até muito de esquerda, são os seus idiotas úteis – o “capital não tem pátria”, como se isso fosse um estado da natureza e não o resultado de um quadro institucional, e, assim como assim, o patriotismo, incluindo o económico, é reacionário. Ignoram a melhor história económica, a melhor economia do desenvolvimento, bem como as tendências pesadas da presente economia política internacional. 

A propriedade pública conta, já que é a melhor forma de manter o controlo nacional de setores estratégicos, indispensável para não assistirmos a esta drenagem de recursos para o exterior, entre outras vantagens. A fronteira política deve contar economicamente. Deverão, por exemplo, voltar a existir controlos à entrada e à saída de capitais, até se queremos que a democracia volte a contar economicamente.

1 comentário:

Tá na laethanta saoire thart-Cruáil an tsaoil disse...

a jerónimo martins também tem sede fiscal na holanda, deve contar juntamente com o grupon amorim para uma parte desses 8 mil milhões que foram para fora