segunda-feira, 4 de julho de 2016

O jornal Público faz censura

O jornal Público faz censura à Democracia Solidária.

Dado que a comunicação social (CS) ignorou, sem excepção, a Conferência Internacional PÓS-EURO que realizámos em Abril; dado que a CS tem ignorado os textos de posição política da DS que temos enviado, incluindo a Lusa, chegámos à conclusão de que teríamos de pagar um anúncio sobre a tomada de posição da DS sobre o Brexit, na condição de ser publicado até à página 9. Custou 662,82€.

Com inimaginável desfaçatez, o Público exerceu o seu poder discricionário: encaixou o dinheiro e colocou o anúncio na página 31.

Acham que um referendo sobre a UE seria um acto democrático sério em Portugal? Se na Áustria tiveram que anular as eleições por fraude, imaginem o que seria em Portugal com esta CS descaradamente colaboracionista.


16 comentários:

Jaime Santos disse...

Eu aconselhava-o a recorrer a um advogado. Dependendo da natureza do contrato que fizeram com o Público, poderão ter direito a ser ressarcidos. Não sei se estas questões de política editorial podem ser sujeitas a protesto para a devida Entidade Reguladora, mas o dito advogado/a deverá poder aconselhar a DS sobre isso. Aconselho-os ainda a lançar uma subscrição pública se necessitarem de recolher fundos com esse objetivo. Discordo de si, como sabe, mas estou disposto a contribuir. Agora, quanto à suposta fraude eleitoral na Áustria, o seu Tribunal Constitucional fala de negligência na contagem, não de fraude, isto é, votos por correspondência abertos antes do tempo e por pessoas não acreditadas, assim como divulgação de resultados durante a votação, embora esta prática fosse comum em eleições anteriores, apesar de ilegal (de acordo com a notícia do Público: https://www.publico.pt/mundo/noticia/tribunal-constitucEional-austriaco-anula-resultado-das-eleicoes-presidenciais-1736919 e ver ainda a declaração em alemão do TC Austríaco, que li e que confirma a notícia do Público: https://www.vfgh.gv.at/cms/vfgh-site/attachments/8/0/4/CH0003/CMS1467363234408/verkuendung_w_presseinformation.pdf) e que dadas as dúvidas levantadas, o número de votos em causa (cerca de 80.000) e a pequena diferença de votos entre candidatos (julgo que 30.000), as eleições deveriam ser repetidas (o dito documento explica ainda a razão pela qual a repetição das eleições deve ser a nível nacional e não apenas local). O Estado de Direito funcionou. Assumir que existe uma conspiração para cometer fraude eleitoral é uma acusação muito grave e que carece de provas. E sobretudo, isso coloca em causa o consenso que deve existir sobre a validade das eleições e a submissão de cada um à vontade da maioria, algo que vocês não se têm esquecido de lembrar (e bem).

Anónimo disse...

Colaboracionista é o termo.
E conivente

Anónimo disse...

Mais um grande exemplo da “democracia” defendida por os tais europeístas!

Jorge Bateira disse...

Jaime Santos, vamos certamente ponderar a possibilidade de uma acção judicial contra o Público se a nossa reclamação não for atendida. Agradeço a sua sugestão.
Já quanto às eleições na Áustria e à interpretação a dar ao acórdão do Tribunal Constitucional, há outra opinião que me parece plausível:
"S’il y a bien un droit formaliste, car permettant l’expression régulière de la souveraineté populaire, c’est bien le droit électoral. Et le dernier argument avancé pour tenter de sauver les meubles ne vaut rien non plus. « La Cour constitutionnelle n’a pas constaté de fraudes, seulement des irrégularités ». Pardi, elle n’en a pas constaté parce qu’elle n’en a pas cherché! Utilisant la technique dite de « l’économie de moyens », dès lors qu’elle a constaté des irrégularités formelles de nature à « altérer la sincérité du scrutin » compte tenu du très faible écart entre les candidats, elle pouvait et devait annuler sans aller plus loin. La situation était déjà assez tendue et il était inutile d’ouvrir la boîte de Pandore.
Pour tout observateur de bonne foi, la seule explication de l’énorme augmentation des votes par correspondance entre les deux tours et les vingt points d’écart entre les deux candidats sur ces votes, c’est la fraude."
Aqui: http://www.causeur.fr/royaume-uni-autriche-brexit-fraude-39012.html

R.B. NorTør disse...

Só que os mesmos epítetos podem ser aplicados à imprensa britânica que cobriu o Brexit e que poderiam fazer com que a coisa pendesse para outro lado.

João de Braga Filho disse...

O anúncio só saiu na edição Lisboa e não na edição Porto!

Jaime Santos disse...

Caro Jorge Bateira, Eu próprio já participei em operações de contagem de votos em que o delegado de um Partido (do PCP, creio), nos ajudou porque a mesa não estava completa (foi há muitos anos, antes da introdução da compensação monetária aos membros das assembleias). Nenhum dos participantes, das mais diversas correntes políticas, alguma vez teria colocado em causa a honorabilidade dessa pessoa. Não sei se lê alemão, mas julgo que são este tipo de falhas que os juízes identificaram. Se alguém tivesse protestado, aposto que também a nossa mesa teria que repetir a eleição e nós teríamos provavelmente sido processados. Sinceramente, acho que convém não perder aqui o sentido de perspetiva (o mesmo que me aconselhou a fazer antes), e não alinhar em narrativas conspirativas (é capaz de acabar mal acompanhado). Quanto à CS, dou de barato que ignora os pontos de vista soberanistas. Mas, se me permite puxar a brasa à minha sardinha, eu se fosse a si tentaria ser mais específico nas propostas que faria. Se pensa que sou um chato, espere até que a Direita com o seu batalhão de economistas neoliberais lhe caia em cima. Digo-o sem qualquer cinismo, se a DS, ou os membros dos 'ladrões', ou o PCP, ou o BE, etc, publicarem um estudo extenso das possibilidades e dos riscos de uma saída do Euro, não só atraem sobre si a atenção (e a crítica, claro) da CS, como prestam um serviço patriótico ao País (podemos precisar desse estudo, mesmo contra a vontade da maioria). O futuro é imprevisível, mas quanto mais fraquezas (e respetivas medidas corretivas de contingência) identificarmos na situação económica do País e nos ataques a que o País poderá ser sujeito em caso de saída do Euro (não duvide que em caso de saída unilateral, seríamos certamente sujeitos a medidas punitivas, não apenas ataques especulativos e 'what not'), melhor preparados estaremos.

Caro NorTor, Subscrevo o seu comentário, o Brexit foi de facto ganho pelo Sun, Daily Mail, Daily Express, etc, que contrariamente a Gove e Johnson (e confesso que me dá muito gozo vê-los irem com as trouxas, mesmo se tenho que admitir que me enganei relativamente ao futuro desses dois imbecis de Oxbridge), irão continuar a encher de mentiras e de preconceitos a mente dos Britânicos...

Antonio Cristovao disse...

Será que a importancia que se dão os da DS , corresponde ao que os media , os restantes cidadãos acham que a DS tem ? Eu considero sempre que os media , me boicotam pemanentemente; tenho ideias claras sobre tudo e mais alguma coisa e nunca dão publicidade; um desaforo.

Anónimo disse...

é preciso perceber que o novo director do Público tem muito pouco de imparcial

Anónimo disse...

O Brexit foi ganho por um conjunto variado de motivos, tendo sido o somatório duma série de condições. Dizer que foi ganho pela extrema-direita ou pelo Sun ou pelo Daiy Mail é não só pueril como faz a vontade aos que pretendem por outros motivos não enxergar ou discutir as verdadeiras causas do Brexit.
Para todos os efeitos o Brexit foi o que foi, mas o que une todos os votos na saída foi mesmo o afastamento face à UE. Um Não À UE. Por todos os motivos e mais um. Um Não rotundo à UE. Aos imbecis do Cameron e do Blair. Aos imbecis da comissão europeia e às suas instituições pos-democráticas.
Tentar arranjar bonecos de pano como no Vudu para esconjurar os seus fantasmas é simplesmente infantil

Jaime Santos disse...

É óbvio que diferentes grupos sociais votaram no Brexit por razões diferentes. Não se pode, como diz o anónimo das 2:07, juntar todos os votos e esquecer as diferentes razões. Os votantes Labour do Norte de Inglaterra que votaram no Brexit tê-lo-ão feito por razões de insegurança económica, degradação dos serviços sociais e medo da supressão de salários causada pela imigração, enquanto o Sul rico Tory votou por razões de soberania e controle de fronteiras (será necessário uma sondagem mais fina para percebermos realmente os porquês). E não estou a fazer um julgamento moral daqueles que votaram pela saída. Estou simplesmente a lembrar que as causas que mobilizaram o eleitorado são de Direita ou Extrema-Direita e os vencedores são pessoas de Direita ou de Extrema-Direita. Felizmente, trata-se de gente de tal maneira irresponsável que parece ter abandonado o campo de batalha depois da vitória. Agora, quem são as figuras da Esquerda que fizeram campanha pelo Brexit? Gisela Stuart? Poupem-me: http://www.theguardian.com/politics/2016/jun/13/labour-mp-gisela-stuart-inquiry-alleged-failure-declare-interests-vestra-wealth. Que belo exemplo de Esquerdismo... Eu compreendo o desconforto e irritação da Esquerda soberanista quando lhe lembram os 'strange bedfellows' que fizeram campanha pelo Brexit. Mas é que, infelizmente, há exemplos históricos em que a Esquerda toma o Liberalismo como o Inimigo Principal e depois apanha com o Fascismo, com quem, claro, o Capitalismo pode sempre entrar em conluio... Um regime liberal reforma-se, um fascista tem que se destruir...

Anónimo disse...

Jaime Santos compreende o desconforto e irritação da esquerda soberanista ...?

Sério?
Eu compreendo o esforço e irritação de Jaime Santos pelo facto de não conseguir vender a ideia que o Brexit foi uma vitória da direita e da extrema-direita.

É ver a direita e a extrema- direita aqui a exultar com o facto.
Poupem-me a tais fantochadas

Anónimo disse...

Mas já não compreendo a raivinha infantil e despropositada como Jaime Santos mostra o seu rancor contra Gisela Stuart. Ela e o Guardian. Que todavia tem a decência de acabar o seu artigo expondo as razões da deputada inglesa.
Não o faz Jaime Santos. Prefere proferir um "poupem-me". E acrescentar um "que belo exemplo de esquerdismo"

Poupem-nos a nós tal demagogia hipócrita numa caça às bruxas. e um tão belo exemplar argumentativo para demonstrar que os que votaram no Brexit são ou de direita ou de extrema-direita ou então pessoas como este exemplo denunciado.

Um pouco repugnante não?
Talvez o facto do Blair ter ficado do lado do remain e ter uma "folha parecida com a desta deputada justifique esta "piada"de mau gosto de Jaime Santos?

Anónimo disse...

Parece que a análise sociológica( medíocre, medíocre) às razões do Brexit são mais importantes que os resultados em si.

Inverte-se assim a leitura dos resultados. Mais importante que estes é a sua análise. Enfia-se a cabeça na areia.Invocam-se os mais variados motivos para. Mas "esquece-se" que o Brexit traduz um poderoso sentimento anti-europeu, anti esta UE, pós-democrática e ao serviço da "globalização" do capital.

Ou seja,protela e tenta esconder aquilo que hoje é uma certeza. Cada dia que passa mais cresce uma opinião pública contra o directório e contra esta UE.

O que se pode culpar uma grande parte da esquerda é de não ter encabeçado o Brexit assumindo de forma clara a luta contra a globalização financeira. e ter deixado espaço à direita e à extrema-direita para ir conquistando terreno.







Anónimo disse...

Eu sei que Jaime Santos não gosta de Gisela Stuart.
Mas como não vejo no artigo do the Guardian algo que de forma substantiva macule esta deputada e como não gosto de assassínios de carácter deste jaez replico aqui o que aquela disse e que foi reproduzido por João Rodrigues:

A posição a favor da UE é o melhor “agente de recrutamento do UKIP na Grã-Bretanha”.


E depois já do referendo:

“Este referendo ocorreu num contexto de afirmação do poder das instituições e do dinheiro. Foi dito às pessoas que não tinham outra escolha a não ser permanecer, mas estas votaram pela saída. Temos a obrigação de permanecer calmos e de trabalhar em conjunto. Esta é uma oportunidade para recuperar o controlo democrático das decisões.”

Um outro nível que não vemos entre a fileira nem dos Reamin nem dos tories ou nos Farages.

Anónimo disse...

Quanto à suposta "irresponsabilidade" dalguns que abandonaram o campo de batalha:

"Os Nigel Farages (chefe do UKIP) e os Boris Johnsons do mundo são particularmente incapazes de liderá-los em qualquer luta contra a finança globalizada (de facto, como todos os fascistas, o UKIP estaria à espera de ser cortejado pelo capital financeiro e o mesmo seria verdadeiro em relação a Johnson)."
Ora onde está o capital financeiro, de que lado votou o capital financeiro? Do lado do Remain? Um motivo poderosíssimo para se ter votado ao lado do Brexit.