domingo, 25 de março de 2012

Parte do problema

Passos Coelho quer "que a consagração da regra de ouro possa ser feita o mais dourada possível", ou seja, volta a insistir na inscrição constitucional de utopias neoliberais. Uma regra que está destinada a ser furada, já que estamos perante uma variável fundamentalmente endógena, dependente da evolução da actividade económica. Um partido socialista, social-democrata, um partido com respeito pela realidade económica, deve rejeitar este tipo de propostas, seja qual for a forma legal. A lei não deve ter de ser violada e a lei também não deve tentar transformar os poderes públicos nacionais em parte do problema do capitalismo, em força de depressão, em força de destruição económica, em força de ocupação. Se hoje já é claro para quase todos que a austeridade falhou, como compreender que se continue a pretender dar dignidade legal a fórmulas que acentuam todo os paradoxos da depressão?

3 comentários:

JOSÉ LUIZ SARMENTO disse...

Têm uma doutrina económica que está cada vez mais longe de ser consensual. Mesmo assim querem impô-la a todo o custo, e isto já, antes que a oportunidade passe.

E não lhes basta impô-la à geração presente: querem também tirar às gerações futuras a liberdade de definir as suas próprias políticas. Onde é que eu ouvi falar de um império que era para durar mil anos?

João Carlos Graça disse...

Viva, João!
Isto tem de facto um lado de ensandecimento colectivo, mas atenção, que a coisa é muitíssimo deliberada... e aliás também muito astuciosa quanto a alguns traços.
Veja-se o que diz este artigo do Corporate Europe Observatory, que aliás traduzi há dias para português, para o Resistir.
O cerceamento da soberania dos estados é... parte do processo conducente à emergência de um super-estado europeu que é ou se pretende "num certo sentido já um não-estado"...
Ou um estado que é a consagração constitucional plena do neoliberalismo ou "anti-estatismo" económico.
Vamos todos ficar mesmo completamente amarrados de pés e mãos a isto.
Dizem os portistas que a melhor coisa de Lisboa é o acesso à A1, na Portela de Sacavém.
Eu digo que na Eurolândia (e se calhar na UE) só há um caminho bom: é para fora dela!...

João Carlos Graça disse...
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