sábado, 9 de novembro de 2013

Privatês


A jornalista Ana Leal da TVI está de parabéns. A Verdade Inconveniente sobre os colégios privados, que passou esta semana na TVI, é reportagem no seu melhor. Se ainda não viram, não percam:

“Uma equipa da TVI percorreu o país e encontrou escolas públicas vazias, em risco de fechar, cercadas por colégios privados que nunca deveriam ter tido autorização para serem construídos. Uma teia de cumplicidades que abrange ex-governantes que, depois de exercerem os cargos, passaram a trabalhar para grupos económicos detentores de muitos desses colégios, ou ex- diretores regionais de educação que fundaram depois colégios que são pagos com o dinheiro dos contribuintes.”

É a economia política da ida ao pote, o tal Estado paralelo, o neoliberalismo, ou seja, uma engenharia política de demolição do que é público e de construção e decisivo reforço de interesses capitalistas, em todo o seu esplendor na educação. O privatês de Crato precisa mesmo de um contramovimento político à altura, o que requer a multiplicação das análises críticas sobre invenções políticas neste campo, de que são exemplos o novo estatuto do ensino particular e cooperativo e o planeado cheque-ensino, sendo que algumas destas tecnologias deseducativas têm por aqui sido escalpelizadas nas suas perniciosas consequências, em especial pelo Nuno Serra.

14 comentários:

Rogerio G. V. Pereira disse...

Tenho uma dúvida. Uma não irônica nem cínica dúvida: quando é que tudo isto começou?

http://artedeomissao.wordpress.com/2012/12/04/a-reportagem-da-tvi-sobre-o-ensino-privado-grupo-gps/

Adelino Ferreira disse...

Vou ficar à espera que o AJSeguro diga o que vai fazer sobre o assunto,quando todas as sondagens o apontam como o próximo 1°ministro

H. da Luz disse...

Boas,

Quem é o AJSeguro? O lider do PS plastificado e colado a um pasquim de não rotura?
Quemm são as bases do Partido? Numa situação destas como é que AJ não está ombreando com uma UGT que recuperou algum sangue na guelra, fruto deste oxigenio que nos tolhe que é a Austeridade direcionada;
como aceita este plano que está aí, de cara despudoradamente destapada, de que aos-ricos-o-que é-dos-ricos, aos-pobres-o-que-é dos-pobres-mais-o-que-tem-de-garantir-aos-ricos, e de que aos pobres, lhes vamos garantir um doce marasmo económico de 20 anos, onde pensar em estudar ou poder ser Hospitalizado condignamente é algo reservado ou por reservar, como toca já e continuará a tocar; Que no plano europeu está inquinado como qualquer dos seus parceiros de internacional (honra feita a alguns estados democráticos Sul-Americanos que lutam por recuperar direitos para os seus cidadãos)sem possibilidade de aventar caminhos diferentes ao da impunidade com que o poder do capital, das oligarquias feudais de países que controlam os recursos energeticos do planeta, e os mesmos do costume(G8), rasuram e criam novos tratados internacionais (Comerciais/Ecologicos/Politicos) onde tudo é abolido em nome do interesse único do capital.
Quem lhes resiste?
O AJ?
Não, não pode, coitado. Nem ele, nem infelizmente ninguem, enquanto que a nivel global não houver sequer respeito pelas cartas da NU, onde o grosso do capital que os Estados do Mundo naturalmente necessitam para serem(existirem)é micro-taxado, onde se decidiu mesmo no EUA, fazer cair o conceito de "yes, We all can" capitalista que preside o sonho americano, - representativa de uma Comunidade não dos poucos do capital, mas das comunidades a que pertencem (ou julgam pertencer).
Não, ninguem está perturbado o suficiente para olhar a mais do que do seu umbigo.
Como é que a classe dos professores nacionais aceita que tudo seja destruído sem se reivindicar o poder acreditar no futuro de um País?
Pretendemos ser a Suécia de 1975 ou México de 2013?
Eu preferia viver no México, com Mexicanos&Mexicanas, organizados socialmente como a Suécia de 1975.

Luís Lavoura disse...

colégios privados que nunca deveriam ter tido autorização para serem construídos

Eu diria que um colégio privado não deve necessitar de autorização para ser construído. De acordo com a Constituição, de facto, há liberdade de ensinar.

Nuno Serra disse...

Claro que sim, Luís Lavoura. Tal como um sapateiro, se assim o entender, tem toda a liberdade de abrir uma clínica dentária. Porque não?

Luís Lavoura disse...

Nuno Serra,
penso que o que está em causa aqui não é a capacidade ou qualidade do corpo docente das escolas privadas. Portanto, não atire areia para confundir as coisas.

Não há qualquer razão para que o Estado impeça uma qualquer escola privada de abrir, seja em que localização fôr. Um tal impedimento seria, repito, de facto inconstitucional.

Anónimo disse...

Então Luís, que tanto gostas do liberal, porque é que numa zona bem abrangida pela escola pública, um privado decide abrir uma, já que se rege por uma racionalidade abismal?

Count

Nuno Serra disse...

Caro Luís Lavoura,
Não é um detalhe, acrescentar ao que diz, a verificação - pelo Estado - das condições necessárias para autorizar a abertura de uma escola por privados. Uma vez cumpridos esses requisitos, tem toda a razão: não deve o Estado impedir a abertura de uma escola privada. Sem que, contudo, deva dispender um cêntimo de dinheiros públicos para esse efeito. É disto que se trata na reportagem em apreço.

Luís Lavoura disse...

Nuno Serra, em todo o país, de norte a sul, há escolas privadas à mistura com as escolas públicas. Em todo o lado, há escolas privadas em zonas bem cobertas pela escola pública. O meu filho mais novo, por exemplo, está numa escola privada pública que tem mesmo ao pé, a 50 metros de distância, uma escola privada. E isto é correto, porque há liberdade de ensinar. O Estado não tem nada que andar a conceder quaisquer autorizações especiais para que qualquer escola privada abra em qualquer lado. Há, constitucionalmente, liberdade de aprender e de ensinar.

Luís Lavoura disse...

porque é que numa zona bem abrangida pela escola pública, um privado decide abrir uma

Há montes de casos desses pelo país fora. Imensas escolas privadas paredes-meias com públicas. Se existem, é porque têm mercado.

Peneirento disse...

"Colégios privados que são pagos com o dinheiro dos Contribuintes".

É só isto que está em causa, porra, o resto são as habituais manobras de diversão de quem só por aqui anda para tapar o Sol com a peneira.

Ultra-liberal disse...

O Estado deveria pura e simplesmente deixar de financiar negócios privados.


Não é, ó "liberais" do mamanço?

Péricles Pinto disse...

A liberdade ECONÓMICA deve existir sem qualquer subvenção estatal.


NÃO É O ESTADO QUE SUPORTA A ECONOMIA, MAS SIM A ECONOMIA QUE SUPORTA O ESTADO.

Louis Farming disse...



Já agora, que dizem à liberdade de ser eu próprio a ensinar os meus filhos? Quanto é que o Estado paga aos Colégios, por cabecinha? Eu quero por igual!