terça-feira, 26 de novembro de 2013

Petição pela manutenção dos CTT no Estado


«Para muitos portugueses os CTT, para além dos serviços postais, funcionam como uma pequena entidade financeira de proximidade, onde têm acesso às suas pensões e reformas. Esta proximidade ficará em causa se a privatização for executada. No lugar das antigas estações de correios, instalam-se já agências postais em lojas nas quais as regras mínimas não são sequer respeitadas: não é garantida a presença permanente das agências, a confidencialidade das operações não está assegurada. A submissão da presença postal às exigências de rentabilidade levará, inevitavelmente, a uma degradação ainda maior das condições da empresa, da sua presença territorial e da qualidade do serviço prestado.»

Do manifesto «Pela manutenção dos CTT no Estado», promovido pela ATTAC Portugal e a partir do qual surgiu uma Petição Pública (a enviar a Cavaco Silva), que se encontra em curso e pode ser subscrita aqui. O processo de privatização dos CTT é mais um exemplo obsceno de deliberada «irracionalidade económica» (a empresa acumula, desde 2005, mais de 440 milhões de lucros que revertem para os cofres do Estado) e de despudorada mercantilização de um serviço cuja natureza é instrinsecamente pública. Não é por acaso, aliás, que 8o% dos correios na Europa se encontram nas mãos do Estado.

7 comentários:

ISL disse...

Nuno,

Pessoalmente vejo os CTT como a empresa pública que mais confiança me inspira. Tenho um historial impecável com eles, são rápidos, cordiais e eficazes. POr essa razão e por todas aquela enunciadas na petição não os quero ver privatizados. Mas tenho uma dúvida. Esses gráficos que apresenta na imagem, mostram que as receitas e lucros têm vindo a cair e que a divida financeira tem estado a aumentar. Não sou economista e do assunto percebo pouco, mas não poderá isto ser um indicador de falta de sustentabilidade do serviço?

Obrigado pela atenção.

Luís Lavoura disse...

um serviço cuja natureza é instrinsecamente pública

Não vejo como é que a distribuição de cartas pode constituir um serviço intrinsecamente público, quando há montes de outras coisas bem mais necessárias à vida que estão (e muito bem) entregues a privados (ocasionalmente com supervisão estatal).

Mas talvez o autor do post possa explicar, em detalhe, porque é que isso é assim no seu entender.

Anónimo disse...

Talvez o Sr. Luis Lavoura possa explicar pq é que se privatiza algo que tanto dinheiro ao estado???

Luís Lavoura disse...

Anónimo, algumas empresas pertencem ao Estado porque realizam um serviço imprescindível que os privados não conseguem realizar (casos da saúde ou dos transportes), ou por operarem em setores não concorrenciais (distribuição de água), ou por produzirem bens públicos (iluminação pública por exemplo), ou por outros motivos - não por darem ou não darem lucro. Há, tanto no Estado como no setor privado, empresas lucrativas e outras que não o são. O facto de uma empresa ser lucrativa não é, de forma nenhuma, argumento para que ela deva ser estatal - caso contrário, a maior parte das empresas privadas deveriam ser nacionalizadas!).

Count Zaccone disse...

" além dos serviços postais, funcionam como uma pequena entidade financeira de proximidade, onde têm acesso às suas pensões e reformas". Não quisseste ler tudo foi?

Anónimo disse...

«irracionalidade económica»?
Quer com isso dizer que qualquer decisão de vender um activo que dá lucro é imediatamente irracional? Independentemente de qualquer outro factor?
Independentemente do preço a que é vendida (por exemplo)?

R.B. NorTør disse...

De um ponto de vista puramente de "pagar as dívidas" como se justifica ideologicamente que se esteja a vender um activo que nos permite acelerar a forma como pagamos essa dívida?