terça-feira, 21 de abril de 2015

Mare nostrum, mare mortis


«Como em 2013, a expressão "nunca mais" volta a ser repetida. Como em 2013, quando morreram mais de 360 pessoas ao largo de Lampedusa, espera-se que algo seja feito, depressa, para minimizar o drama quotidiano das mortes no Mediterrâneo, a fronteira em paz onde mais se morre no mundo. O problema é que o que foi feito em 2013, a missão de resgate e salvamento Mare Nostrum, só durou até Outubro de 2014, quando a Itália pôs ponto final a operações que envolviam gastos de 9 milhões de euros por mês e que os parceiros europeus recusavam partilhar. Depois deste domingo, dia em que perto de 700 emigrantes se terão afogado no "Nosso Mar", já terão sido ultrapassados os 1600 mortos em 2015. (...) Um dos motivos invocados para não apoiar a Mare Nostrum, nomeadamente pelo governo de Londres, é a ideia de que uma operação que salva vidas encoraja o aumento da imigração. Algo que só quem não vê para lá das suas próprias fronteiras pode defender.»

Sofia Lorena, O «nosso mar» é um cemitério (a ler na íntegra)

A indiferença continuada das instituições europeias perante a insuportável tragédia do Mediterrâneo não se distingue - na sua essência - da indiferença continuada perante o sofrimento induzido pela austeridade, nos países em que a mesma é imposta e aplicada. Como se a Europa fizesse questão de dizer, e reiterar a todo o momento, que as dívidas e as fronteiras estão sempre primeiro.

7 comentários:

Jose disse...

O discurso dos coitadinhos deve trazer um qualquer bem-estar a estes personagens.
Para além das acções que seriam logo procamadas de colonialismo e imperialismo, as opções são claras:
- um serviço permanente de tramsporte que permita despejar a África na Europa.
- Um policiamento que evite o desembarque e reboque os barcos para África, uma espécie de contra-tráfego.

Mas os treteiros dos coitadinhos ficam à lamentar a solução do meio, tirar da água os sobreviventes e metê-los em campos de concentração.

Anónimo disse...

É nojento fazermos parte de uma europa que despreza o sofrimento humano, é nojento tanta gente validar as opções políticas de governos ilegítimos, o cidadão europeu é hoje em dia um bárbaro, não há uma réstia de civilidade, perdeu em absoluto as competências sociais necessárias para uma vida em comunidade.

Anónimo disse...

Um comentário às 16 e 14 que subscrevo.

Infelizmente o comentário às 14 e 58 espelha bem o racismo e a desumanidade criminosa que habita as almas da direita-extrema da sociedade

Repare-se na última frase do mesmo indivíduo que permite ler nas entrelinhas um apelo infra-humano a deixar simplesmente afogar os náufragos.

Há adjectivos para isto.Mas francamente até pensar neles me é repugnante

De

Anónimo disse...

"Nas últimas décadas terão morrido em várias rotas migratórias para a Europa mais de 25 mil pessoas.

A Europa carrega a importância moral deste fenómeno.
Os colonizadores europeus em África despojaram os povos de vários países de condições mínimas de dignidade enquanto lhe saqueavam matérias primas, deixando de lado investimentos de desenvolvimento até à descolonização.
Mais recentemente as "Primaveras" árabes em países do Mediterrâneo fizeram implodir estados que ofereciam garantias desenvolvimento e coexistência de diversas tribos e nações. Ficaram no seu lugar bandos de malfeitores que, entre outras coisas, traficam imigrantes para a Europa, sabendo que milhares deles irão morrer depois de lhes cobrar elevadas quantias. Há rotas particulares de tráfico humano para o trabalho ilegal escravo e a prostituição na Europa.
A agressão pela NATO em vários países do Médio Oriente piora esta situação.
O envio por Israel e a Arabia Saudita, com o silêncio cúmplice dos EUA e UE,de estruturas do Estado Islâmico e Al Qaeda para zonas problemáticas para os seus interesses agravam a selvajaria da guerra.

Segundo a jornalista Lúcia Müzzel, no ano passado, a União Europeia pediu o encerramento da operação de salvamento Mare Nostrum, que, segundo a Amnistia Internacional, permitiu resgatar 170 mil pessoas. Os europeus avaliaram que, ao propor um sistema de resgate, acabaram estimulando mais viagens de embarcações ilegais.
Agora, a operação Triton apenas monitoriza o mar, mas não tem o objetivo de socorrer barcos em dificuldade. “A proporção dos salvamentos é muito reduzida, porque as operações não cobrem toda a parte central do Mediterrâneo e ainda menos as águas internacionais em alto mar, onde acontece a maioria dos naufrágios. Ou seja: sim, a União Europeia tem consciência do fato de que as pessoas estão perdendo vidas, mas por razões de controle do fluxo migratório e de gestão da imigração, e não para salvar vidas”, ressalta Jean-Fraçois Dubost, membro da Amnistia Internacional na França. “A Europa está comprometida com operações que não salvam ninguém.”

Dum artigo sereno de António Abreu , no Antreus.

Eu ainda me lembro da selvajaria dos gritos histéricos de alguns , incluindo o de JgMenos festejando a intervenção do ocidente, da nato e dos eua para acabar de vez com a Líbia.Usaram todos os argumentos possíveis e imaginários, até estórias da carochinha, que alimentaram a senha guerreira assassina.
Com os resultados que estamos hoje a ver.

Estes crimes não podem ser esquecidos

De

Antonio Cristovao disse...

Discordo que a Inglaterra esteja na UE, não porque sim , mas porque se coloca sempre fora da carruagem no que não convem e apanha a boleia no que convem. Um dos maiores intervenientes e responsaveis na catastrofe que se abateu sobre a Libia pela ganacia de deitarem as unhas ao petroleo, vem agora dizer que as carochas devem ser pisadas antes que subam para bordo. Nojento e aceitavel pelos capados até quando?
Se nunca se escrutina nada nivelamos sempre pelo esgoto.

Anónimo disse...

O pessoal fala muito mas não diz nada de jeito, então a solução é socorrer e deixar entrar todos os africanos, em vez de obrigar os países africanos a melhor e castigar os traficantes de humanos, isso é a missão do conselho das Nações Unidas, pressionar os governantes africanos a criar melhores condições para os seus povos e castigar os traficantes. Para aqueles que defendem que se deve deixar entrar todos só vós digo o seguinte daqui alguns anos os conflitos que neste momento ocorrem no continente africano serão transportados para a Europa, basta quando não houver emprego, comida e outros serviços ficarem estagnados para começar a violência no continente europeu...

Anónimo disse...

Um anónimo fala no que deve ser feito pela europa.

Talvez não tenha percebido ,mas eu vou repetir.

Os despojos do colonialismo e as suas consequências estão à vista de todos.

A intervenção ocidental permanece em África, como se vê nos jogos de rapina e de mercadejo dalguns destes países com os traficantes e demais criminosos

Quem tem intervido ( e a fundo ) nos conflitos africanos têm sido algumas potencias ocidentais, como a França e os EUA.É ver as tropas para lá enviadas e as alianças que fazem com os fundamentalistas religiosos.E é ver a cobiça pelo petróleo e pelas matérias-primas em geral

O anónimo não saberá mas a maior parte destes que têm perecido no Mediterrâneo provêm da Líbia e da Síria.

Ora quem destruiu a Líbia?
Sabe ou quer informar-se?

Ora quem provocou a guerra na Síria? Quem a estimulou , quem apoiou os que cortavam cabeças, quem armou, protegeu, defendeu, tratou, medicou, manipulou os ditos rebeldes?
É favor consultar os factos e usar a massa cinzenta.

A realidade é uma coisa indecente.Teima em desmentir os preconceitos e as manipulações

Ah e ninguém disse que não devia haver controlo

Ah e ninguém disse que a violência já não se está a sentir na Europa,entre os próprios cidadãos europeus.

Basta ver.E aguardar

De