terça-feira, 7 de abril de 2015

A caixa de texto do FMI dedicada a João Miguel Tavares

O desemprego em Portugal encontrava-se em 13,1% no terceiro trimestre de 2014, bem abaixo dos 17,5% verificados no pico da crise. No entanto, é pouco provável que a escassez de emprego seja devidamente capturada pelas taxas de desemprego oficiais. No caso de Portugal, uma medida mais abrangente, que adiciona ao número de desempregados os trabalhadores desencorajados (que aumentaram drasticamente durante a crise), bem como o trabalho involuntário de curto prazo, coloca o desemprego em 20,5% em 2014, o que compara com apenas 9,5% em 2008. Os grandes fluxos de emigração de trabalhadores desde 2011 podem ser também ser adicionados ao enfraquecimento do mercado de trabalho, já que muitos trabalhadores migrantes provavelmente voltariam a Portugal caso existissem postos de trabalho disponíveis.

IMF (2015). “Portugal: first post-program monitoring”. IMF Country Report No. 15/21, January 2015. (Box 1)

Nota: faltou ao FMI incluir no seu texto a referência à redução da taxa de desemprego decorrente da inclusão dos indivíduos desempregados a frequentar programas ocupacionais entre os empregados contabilizados nas estatísticas do INE...

25 comentários:

F.M.I disse...


Quem é esse tal de João M. Tavares ?

Anónimo disse...

Ainda relativamente á diferença entre unemployment e labor market slack.
Eu percebo que seja necessário adoptar um discurso simplificado perante a opinião pública, mas daí a utilizar apenas genericamente "desemprego" ...

Já não percebo, e aí se quiser acompanho a crítica de JMT, que uma instituição de investigação como o CES elabore relatórios onde não tenha o cuidado de utilizar nomenclaturas (pelos vistos) já existentes, optando por designações "políticas" como "desemprego real" que não me parece traduzir de forma alguma o sentido de labor market slack.

Kid Karocho disse...

É um troll da direita que neste blog se dedicam a alimentar... parece que ainda não perceberam que não há um pingo de honestidade intelectual nessa besta, que só tem tempo de antena porque é mais um propagandista dos media da oligarquia.

Anónimo disse...

" In the case of Portugal, a broader measure of labor slack ... is estimated
to reach 20.5 percent in 2014, compared with only 9.5 percent before the crisis in 2008."

O que o FMI estima poder atingir os 20,5% é o labor slack e não o desemprego como a sua tradução erradamente apresenta. Ou seja, o FMI não estima o desemprego em 20,5% em 2014. E também não refere "desemprego real", um termo técnico (?) que o relatório do CES parece ter inventado.

Anónimo disse...

As estatisticas do desemprego em Portugal , são de péssima qualidade.
Não reflectem o valor real estando num valor muito inferior a este.Há quem estime que o valor real do desemprego em Portugal , é muito superior a 20 % .por outro lado o sub- emprego de Quadros assume proporções assustadoras.
Se excluir-mos a África sub Saariana os diversos tipos de desmprego em Portugal são um dos maiores do Mundo.

Antonio Cristovao disse...

Até em 2011 o desemprego era muito melhor.
Deviamos então pedir um 2º resgate ?
Os gregos não são nada bom exemplo.

meirelesportuense disse...

A verdadeira taxa de desemprego, obtêm-se de forma lata, deduzindo à totalidade da população, os que estão reformados ou incapacitados de trabalhar, os que não se encontram ainda em idade de trabalhar e os que estudam para além do Ensino Obrigatório...Claro que vamos encontrar uma percentagem enorme, de onde tendemos poder retirar ainda, os que se encontram em situação de subjugação familiar como as "donas de casa tradicionais"...Todos os outros, e mesmo as "donas de casa", podem considerar-se o núcleo populacional em condições de serem integrados, em actividades de pleno emprego.

Anónimo disse...

Este relatório do FMI vem, pelo contrário, dar razão a JMT relativamente à sua opinião sobre o Observatório do CES.
O que este relatório mostra, e a Box 1 em particular, é que é possível e desejável fazer uma análise mais aprofundada dos fenómenos associados ao desemprego (em sentido lato), com rigor e isenção.

A ideia do Observatório do CES é muito meritória. Mas o seu impacto fica desde logo comprometido pela falta de rigor científico da terminologia utilizada (não esquecer que o CES é uma entidade de carácter científico) explicada pelo enviesamento seu enviesamento político claro. Esse enviesamento nota-se precisamente na utilização de termos pouco rigorosos como "desemprego real" para criar impacto na opinião pública.
A função do Observatório devia ser a de fornecer dados relevantes para a análise política, não a de se substituir aos agentes políticos.

Anónimo disse...

Anónimo das 9 e 22:
O enviesamento político do seu texto é de tal forma óbvio que se aconselha ler um manual sobre os procedimentos a utilizar para não cumprir a agenda ideológica desta forma tão pouco meritória.
A apresentação dos dados não é o objectivo do Observatório.A sua contextualização e o seu estudo são vertentes obrigatórias da sua acção
Percebe-se que o seu objectivo politico seja o de tentar esconder o Desemprego Real.Tal deixa o JMT , um político medíocre armado em comentador, à beira dum ataque de nervos.O resto é conversa,ideologicamente enviesada.
Os agentes políticos disfarçam-se desta forma em JMT.E têm seguidores enviesados , naturalmente

Anónimo disse...

Caro anónimo das 09:47

A questão fundamental sobre o Observatório do CES é esta: é ou não uma entidade do sistema científico português?
Se sim, deve ou não seguir nas suas publicações as regras do método científico, tal como ele está instituído (concordemos ou não com ele)?
Se sim, qual a base científica reconhecida pelos pares para o conceito de "desemprego real"? Concretizando. A que publicações do sistema científico recorre o Observatório do CES para definir e caracterizar a variável "desemprego real"? (está não é uma pergunta retórica)

De resto, se a resposta à primeira questão for "não", isto é, se o Observatório do CES não se considerar uma entidade do sistema científico mas um interveniente no sistema político, então concordo totalmente consigo.

Independentemente desta questão, os números estão aí para que todos os possamos interpretar (inclusivamente no relatório do FMI). Cada partido político, cada sindicato, cada cidadão pode e deve fazer a sua análise e o seu julgamento político.

Para finalizar (sobre o post). Porque é que um académico de méritos reconhecidos, como é o autor do post, traduz a Box 1 do relatório do FMI confundindo propositadamente unemployment com market labor slack apresentando a tradução a itálico para dar a ideia de uma tradução literal?

Anónimo disse...

Ainda para o anónimo das 09:47

Eu sou investigador mas não da área da economia. Mas experimente aceder a scholar.google.pt e pesquisar separadamente:
(1) labor market slack
(2) real unemployment

Da pesquisa de (1) resulta, logo à cabeça, um artigo científico de 1998 (Pannenberg, Markus, and Johannes Schwarze. "Labor market slack and the wage curve." economics letters 58.3 (1998): 351-354.)

E relativamente à 2ª pesquisa?

Portanto a minha questão mantém-se: é ou não o Observatório do CES uma entidade do sistema científico nacional?

Anónimo disse...

A palavra que assusta alguns comentadores, o JMTavares e a direita que se governa é esta:
Real!
O Desemprego Real!
Que é o que de facto interessa.
E que é o que alguns comentadores querem , a qualquer preço, esconder

Anónimo disse...

"A palavra que assusta alguns comentadores, o JMTavares e a direita que se governa é esta:
Real!
O Desemprego Real!"

Para ser ainda mais assustadora sugeria que, para além de incluir emigrantes portugueses a trabalhar no estrangeiro (desemprego real), o cálculo passasse a incluir também:
- Trabalhadores descontentes com a sua situação laborar actual (salário, horas , ...);
- Estrangeiros interessados em trabalhar em Portugal mas que não encontram oportunidades de emprego;
- Reformados que gostariam de voltar ao mercado de trabalho mas não conseguem;

E mais não consigo imaginar agora. Mas tenho a certeza que o Observatório do CES lá chegará e os números rapidamente ultrapassarão a fasquia dos 100%. Verdadeiramente assustador!

Felizmente entretanto podemos ir lendo os relatórios do FMI. Mas que têm de ser citados com mais rigor.

Anónimo disse...

Percebe-se pela resposta do anónimo investigador que os problemas são por demais encviesados.
Politicamente,claro
É uma tristeza ver os economistas ditos clássicos refugiarem-se entre os seus pares, precisamente os pares deles que foram co-responsáveis pela presente situação.
É ver o doutrina dominante papaqueada até à exaustão pelos "cientificos" pares.Ver os seus resultados e as suas consequências. Travestindo a economia em "ciência", para parecer séria e para fazer-se passar por séria.
Os resultados estão aí tão à vista que até doi.
Por isso são tão incomodas vozes alternativas ao pensamento neoliberal doiminante. Porque não têm medo de dizer que o rei vai nu, não se atemorizam perante o peso institucional dos adoradores dos mercados, recusam a cumplicidade com o poder económico e recusam as prebendas em jeito de "incentivos" à actividade "económica séria, servil e prostituída"
Por isso o Ladrões é uma lufada de ar fresco. E, confessemos, incómoda

Anónimo disse...

Quando alguém fala em Isenção e Rigor dos relatórios do FMI deve ser a reinar,não?
É ver o discurso a não sei quantas vozes dos funcionários de serviço e ver a sua pesporrência. É ver as consequências dos seus relatórios, das suas acções e das suas maquinações.E depois actuar em conformidade,solicitando para tais funcionários a pena máxima sem quaisquer contemplações

Anónimo disse...

Citando:
"Para ser ainda mais assustadora sugeria que, para além de incluir emigrantes portugueses a trabalhar no estrangeiro (desemprego real), o cálculo passasse a incluir também:
- Trabalhadores descontentes com a sua situação laborar actual (salário, horas , ...);
- Estrangeiros interessados em trabalhar em Portugal mas que não encontram oportunidades de emprego;
- Reformados que gostariam de voltar ao mercado de trabalho mas não conseguem"

Isto é uma cópia ( involuntária admite-se ) dum texto bem elaborado do Filipe Tourais em que este desanca no JMTavares.
Aqui vai todinho , para se ver até onde vai o enviesamento dos cientologistas:

"Coitadinho do João Miguel Tavares. O rapaz inquietou-se tanto ao confrontar-se com a constatação de que o desemprego real que existe actualmente em Portugal está quatro pontos percentuais acima daquele que se verificava nos Estados Unidos na maior depressão do século XX que, sem tema a que atirar-se nesta semana de Ramadão noticioso, decidiu convencer quem o lê de que é tudo mentira. Mentira porque, em primeiro lugar, quem dirige o Observatório que produziu o relatório que inquietou o nosso cientista social são Carvalho da Silva e Boaventura Sousa Santos. Toda a gente sabe que todo o cuidado é pouco com o que dizem comunistas, sindicalistas e malta de esquerda em geral. Mentira porque, segundo o nosso estudioso da obra de Karl Marx, nem mesmo a imaginação deste se lembraria de contabilizar aqueles desempregados desencorajados que deixam de se apresentar nos centros de emprego com a periodicidade necessária para serem contabilizados como tal pelas estatísticas oficiais, os desempregados ocupados pelos estágios que o nosso académico admite que falseiam as mesmas estatísticas, os desempregados que aliviaram a taxa de desemprego ao emigrarem e todos aqueles mais de 300 mil que contra a sua vontade não conseguem mais do que um emprego em part-time. Não nega que existem. E mentira porque, agora segundo o João Miguel humorista, a criticável metodologia CGTP que foi utilizada no estudo não contabiliza as categorias “activos infelizes”, “activos que não saíram do armário” “activos descontentes” e “activos sonhadores”, inexistências criadas e colocadas pelo nosso “analista” no mesmo patamar das existências que não foi capaz de negar para, de mãos na cabeça, concluir a sua cruzada contra a mentira vermelha a rogar que lhe assegurem, por amor de Deus, “que não é este o género de “ciência” que se anda a praticar nas universidades portuguesas. E, de caminho, jurem-me que nem um cêntimo dos meus impostos está a servir para pagar o Observatório sobre Crises e os fetiches ideológicos do senhor Boaventura.” Da minha parte, asseguro-lhe que não gasto nem um cêntimo para ler parolices como esta. E, de caminho, ainda lhe agradeço a visibilidade que deu aos temas desemprego real e colunistas colaboracionistas da casta que, a pretexto de uma emergência que ela própria criou, aproveitou para enriquecer tanto quanto empobreceu todos os demais. Eu hoje também estava um bocado sem tema para alimentar o meu burro

Anónimo disse...

"Quando alguém fala em Isenção e Rigor dos relatórios do FMI deve ser a reinar,não?"

Até são citados (embora traduzidos de forma enviesada) pelos Ladrões de Bicicletas! É a vantagem do rigor e isenção, algo que o Observatório do CES não procura ter.

Aliás, a propósito do "desemprego real" sugeria que o próximo barómetro passasse a incluir o "desemprego odioso" à semelhança da "dívida odiosa" outro conceito igualmente rigoroso e útil como se tem visto. Isso sim ia causar impacto!!!

Anónimo disse...

Vou ficar à espera de um comentário do RPM.

Jose Rocha disse...

Para F.M.I.
É um imbecil que, no programa da TSF "governo sombra" tenta ter mais piada que o RAP. Mas, obviamente, não consegue.

Anónimo disse...

Comentário do Ricardo ?
Mas para quê?
O enviesamento ideológico reconhece-se nas linhas e entrelinahs de quem copia ( e mal) textos com humor. ( Pena ser apanhado, não é?) E também na postura crítica que o Ricardo assume perante o FMI , deus adorado pelos cientologistas a fazer-se passar por cientistas.
É só ler o último parágrafo do texto e deixar-se de fitas.
Quanto ao desemprego odioso...só mesmo alguns fundamentalistas do mercado e obedientes aves canoras do FMI é que o negam
Tal como a Alemanha que agora nega as reparações devidas à Grécia.
Agitam-se as águas e cai-lhes por terra a beca que usam nas jantaradas inter-pares. Os órgãos de comunicação bebem-lhes de tal forma a doutrina neoliberal que ficam amuados quando lhes colocam em causa o impacto que querem causar.
(O JMT está a fazer tirocínio para ministro. Como qualquer boy amestrado e obediente)

Anónimo disse...

Esperava uma resposta ao anónimo do post de 8 de abril às 11:13 por parte do RPM.

Anónimo disse...

Não esquecer que João Miguel Tavares votou e apoia o Livre/Tempo de Avançar. É o que dá a proposta política ser vaga. Tem apoios até de direitosos.

José M. Sousa disse...

Parece-me que a melhor maneira de contrariar um argumento - válido no meu entender - não é responder da maneira como algumas pessoas o estão a fazer. Eu não tenho qualquer dúvida sobre a gravidade do desemprego e também do emprego precário ou muito precário (suponho que é a isso que "labor slack" se refere) e que JMT é um cretino também não, mas deve-se responder a um argumento válido com outro (no caso, o argumento de um anónimo acima)!

Anónimo disse...

Caro José M. Sousa,

Infelizmente parece que até já pessoas de reconhecido mérito, como Ricardo Paes Mamede, se deixaram contagiar pela mediocridade argumentativa que enche as caixas de comentários dos blogs. Só isso pode explicar que mantenha a tradução original do seu post sem qualquer alteração ou explicação justificativa. É pena porque se perde a oportunidade única proporcionada pela blogoesfera de poder dialogar (de forma educada) com pessoas de reconhecido mérito e interesse que de outra forma permanecem "inacessíveis".

Anónimo disse...

A mediocridade argumentativa começa precisamente na pretensa cientificidade com que se apresentam os dados e se misture o que é essencial do que é secundário.

Uma espécie de benzeno a tapar as nódoas da governança.

Em que nem a tentativa de passar a mão pelo ego alheio tira a evidência de pedantice balofa à procura de pretextos para tapar o sol com a peneira.

Porque sejamos frontais.Respeitando de todo a posição de José M.Sousa é tempo de fazer a separação de águas.E criminosos não podem ser tratados como pessoas de bem. A governança age à bruta.Hoje o passos teve a ousadia de pregar ainda mais a diminuição dos custos do trabalho.

E há quem fale em " educação" como falavam ingenuamente os tipos que debaixo da ascensão de Hitler ao poder pediam para se dialogar e pactuar "gentilmente " com ele.

De