quinta-feira, 30 de abril de 2015

Lembrem-se do Oceanário


O governo já deu início ao processo de privatização do Oceanário, ignorando olimpicamente a moção aprovada pela Assembleia Municipal e o interesse manifestado pelo Turismo, a Câmara e a Universidade de Lisboa (entre outros parceiros), tendo em vista «assumir a gestão do equipamento, garantindo a manutenção em funções da equipa que tem nele trabalhado e que o tem gerido». Tal como no caso do Pavilhão Atlântico (lembram-se?), o Oceanário é um dos equipamentos da Parque Expo que desde 2007 sempre proporcionou lucros (que atingiram, no ano passado, 1,1 milhões de euros) e um dos espaços culturais mais visitados na cidade de Lisboa.

Como sublinha Nicolau Santos, «o Oceanário está pois no ponto exato para ser privatizado: dá lucro e os utentes/clientes estão satisfeitos», pouco importando que se não se perceba a razão que leva a «que o Estado aliene o que está na esfera pública e corre bem. (...) Ou seja, o Governo entrega a um privado, cujo objetivo é seguramente o lucro, uma instituição que não existiria se não tivesse sido construída com dinheiros públicos».

Poderá argumentar-se (na linha das justificações invocadas no decurso da privatização do Pavilhão Atlântico), que os 40 milhões de euros que a «concessão» do Oceanário a privados permite arrecadar decorrem da necessidade de amortizar a dívida de 200 milhões da Parque Expo. Só não deixa de surpreender que, a par deste «sacrifício», supostamente «necessário», seja ao mesmo tempo com a maior descontração e leviandade que o governo abdica, por exemplo, de 85 milhões de receita em favor do Novo Banco. Pelas mais nobres razões de defesa do bem comum e da sustentabilidade das finanças públicas, seguramente.

Por isso, quando ouvirem dizer que «não há dinheiro», que o Estado é mau gestor e não tem receitas para assegurar políticas sociais decentes, lembrem-se do Oceanário. Quando vos disserem que é preciso «reformar» e encolher os sistemas públicos de saúde e educação, lembrem-se do Oceanário. Quando insistirem que não há condições para garantir os mínimos de subsistência aos mais excluídos, lembrem-se das privatizações do Pavilhão Atlântico e do Oceanário. E também dos CTT, já agora.

Nota: Encontra-se aqui a petição «Pela manutenção do Oceanário de Lisboa na esfera do domínio público». Assinem e divulguem.

5 comentários:

Anónimo disse...

eu queria era que o PS ameçasse com a nacionalização dessa merda toda

Jose Fernandes disse...

Portugal é o país do faz de conta ... que não está a acontecer ...
Fo$*#»e, lá para o Ca*&#$ho da ignorância ou p$#a da cegueira colectiva ...
Fo$*#»e

Anónimo disse...

Mesmo em projectos implementados pelo estado, este deve logo que possível retirar-se, para evitar os "jobs for the boys", privatizando.

cumps

Rui SIlva

Anónimo disse...

Um post exemplar de Nuno Serra merece um comentário assaz significativo do sr Silva

A cobiça mal lhe serve no enunciado. Os "negócios privados" e a sede de lucro a aparecerem escondidos por debaixo dos "job for the boys"

Escamoteia-se o lucro que o Oceanário dá ( daí a apetite...). Esquece-se que o projecto não é um dos néscios e gordos exemplares dos capitalistas nacionais.Esconde-se que a cultura deve estar ao serviço das populações e não alvo das mixórdias obscenas das negociatas privadas. Patrocinadas pelo próprio gooverno ,com o exemplo feliz dado pelo autor do post quando denuncia os 85 milhões de receita em favor do novo banco.

Mas este paleio dos "jobs for the boys", como justificação para a pilhagem do que é de todos, torna-se particularmente abjecta porque tenta apagar quem são os jobs, quem lhes dá trabalho e em que medida estes boys fazem parte activa do estadio do desenvolvimento do capital.

Ora vejamos.Quem nos tem governado tem sido o arco da governação, membros cativos da direita e da extrema-direita, mais o PS que se tem confundido com estas na concretização das políticas criminosas neoliberais

Quem tem nomeado os boys para os jobs tem sido quem agora quer a privatização.Do que dá lucro.Para que depois os seus boyys se amesendem nos negócios privados a continuar os lugares de designação governamental.

A promiscuidade entre o público e o privado tem sido um dos vectores chave do processo capitalista. a colocação de gestores em lugares -chave tem tido muitas vezes como único obbjectivo o servir numa bandeja o prato para os interesses privados...que esses mesmos gestores servem.
Quem não conhece os casos de ferreira do amaral e seus muchachos? Quem não conhece os casos de oliveira e costa e o seu banco? Quem não conhece os casos de catroga ou de relvas?

A governança governa com e em função dos seus boys. Governa em defesa dos interesses privados. Este exemplo do Oceanário é particularmente obsceno,porque quem o criou e o tem levado a bom porto foi o Público.
E agora aí estão os coyotes e os vampiros, com a mão na massa a tentarem apanhar mais massa.

E a fingirem que não têm nada a ver com os boys ...dos seus jobs regimentais.

De

Anónimo disse...

Uma nota de rodapé:

O sector privado está totalmente envolvido em corrupção. A agenda de privatizações e liberalização tem sido corrompida em si mesma gerando rendas elevadas, usadas para exercer influência política. Por exemplo, com Obama foram combatidas tentativas de se responsabilizar as instituições financeiras pelas suas atividades. Em Massachusetts, quando o procurador-geral do Estado entrou com uma ação contra alguns bancos, um banco controlado pelo governo federal ameaçou cessar suas atividade nesse Estado.(Pag 160)

Em vez do governo moderar os excessos das forças de mercado, trabalha conjuntamente para aumentar as disparidades de rendimento. (p. 50) Nos EUA um estudo mostrou que, em média, os serviços privatizados cobram ao governo mais do dobro do que seria pago a trabalhadores de serviço público para a efetuarem serviços comparáveis. (p. 143). Esta captação de rendas permite às grandes empresas obter vantagens sobre o resto da sociedade(Pag 46)

J. Stiglitz, The price of inequality, p. 7, Ed. W. W. NORTON & COMPANY, 2013. Existe também edição portuguesa da Ed. Bertrand. Os números de página entre parêntesis são os da edição em língua inglesa e referem-se a conteúdos ou ideias expressas por Stiglitz

(De)