segunda-feira, 20 de julho de 2009

Bater no fundo


Já batemos no fundo? Depois de batermos no fundo vem lá de novo o crescimento? Existem sinais de retoma? Aqui estão perguntas a que não podemos responder com certeza. Os sinais são contraditórios.

Mas a nossa dificuldade de prever o que lá vem não resulta apenas da confusão de sinais. O problema é que estarmos ou não a bater no fundo e de regresso ao crescimento depende também de muitos acreditarem ou não que estamos já a bater no fundo. As expectativas e a reflexividade são o que fazem das ciências sociais, ciências muito “duras” (difíceis).

Dada a reflexividade é possível criar factos. Fazer previsões como “já estamos a bater no fundo” é uma forma de tentar inverter as expectativas, e pode ser também uma forma de tentar voltar aos negócios como de costume sem que nada de essencial mude na economia de casino, como até agora não mudou. Acho que é por isso, e não pela clareza dos sinais, que nestes últimos tempos ouvimos dizer tantas vezes “estamos a bater no fundo”.

Quero tentar evitar opor a isto um “ainda não batemos no fundo” destinado a favorecer as mudanças que considero essenciais para evitar o sofrimento evitável. Mesmo assim, quando vejo, como nunca tinha visto, sinais de deflação - das tentativas de descer salários (até no jornal Público vejam lá), a pequenos restaurantes de olho no vizinho que desceu os preços – não posso deixar de temer que ainda não tenhamos batido no fundo e de achar cada vez mais que os que nos meteram nesta não serão capazes de nos fazer sair dela.


7 comentários:

L. Rodrigues disse...

Talvez estejamos a bater no fundo, mas a julgar pelo que se passa nos EUA com os Goldman Sachs e Morgans da vida, batemos no fundo para continuar a escavar um buraco ainda maior.

Carlos Pires disse...

Os solos não são coisas simples: muitas vezes têm várias camadas. Por isso, há fundos falsos de materiais moles, coomo a areia -onde as aveztruzes gostam de enfiar a cabeça. O fundo do fundo, a última camada de sólido granito, talvez ainda não tenha sido atingida. Mas quando for saberemos: um pescoço partido nota-se bem!

Oscar de Lis disse...

Pois, algum já pode falar de pescoço partido, caro Carlos Pires. É interessante essa referência a escavar nas camadas moles do solo. Acho que estamos mesmo nisso. E concordo com o J. M. Castro em temer que os que nos soterraram não saibam (e até não queiram, polas implicações que isso traz) devolver-nos à superfície. E ainda, qual superfície? O que é estar na superfície?

Oscar de Lis disse...

Cabe reflectir mais sobre o tema:

http://aconjuradosnescios.blogspot.com/2009/07/bater-no-fundo-i.html

Anónimo disse...

Realmente L.Rodrigues, a manipulação que a GS tem feito no mercado, a mando do governo, é vergonhoso, mas o resultado vai ser pior que a situação actual.

JM

L. Rodrigues disse...

A questão, JM, é quem é que manda em quem.

Anónimo disse...

Sim L.Rodrigues, basta ver isto que retirei de um forum " Henry Paulson - ex Goldman Sachs, Tim Geithner - ex Goldman Sachs, Ben Bernanke - ex Goldman Sachs, Larry Summers - ex Goldman Sachs. Quem foi um dos principais financiadores da campanha do senhor Barak Obama? - Goldman Sachs. Porque é que deixaram falir o Lehman e o Bear Stearns e não deixaram falir o Goldman Sachs? Quem inventou a máxima do too big to fail? "
Como dizes resta saber quem manda em quem... aguardemos pelos resultados, neste momento para eles o importante é segurar o mercado.

JM