segunda-feira, 16 de maio de 2016

Porquê tanto ruído com o desemprego? Não é por acaso...

Os dados mais actuais do emprego e do desemprego foram usados para atrapalhar o Governo. A nota do INE dá conta de uma subida da taxa de desemprego no 1º trimestre de 2016 em 1,3 pontos percentuais, atingindo 12,4%. O número de desempregados subiu 1% face ao trimestre anterior e a população empregada diminuiu 1,1% face ao trimestre anterior. Mesmo a taxa de actividade diminuiu face ao trimestre anterior em 0,5 pontos percentuais.

Tudo parecia condensar-se numa tempestade para o Governo, mesmo que se saiba que as suas políticas ainda mal fizeram efeito. Os jornalistas estão ávidos de pontos de inflexão, sobretudo os que são claramente contra a geringonça. Na SIC notícias, José Gomes Ferreira confrontou António Costa com essa realidade. O jornal online que tem um olhar sobre o país e sobre o mundo” de acordo com os "princípios fundadores da Civilização Ocidental" – o Observador - coloca um texto da lusa, mas com uma foto do ministro das Finanças com um ar entre surpreso e admirado. Noutro texto é o próprio ministro da economia que parece um pouco atrapalhado...

Às vezes, as fotos dos artigos dizem mais sobre o que o editor do artigo pensa do que o próprio texto...

Mas o que aconteceu então? Há três maneiras de olhar para a "coisa" para perceber que não foi bem assim: 1) pelos números oficiais; 2) pelos valores oficiais corrigidos de sazonalidade; 3) pelos números não oficiais.

Comece-se pelo primeiro.

Em vez de olhar apenas para os valores do desemprego ou do emprego, olhe-se para a população activa e inactiva.

O que parece desenhar-se é que os valores homólogos registam uma progressiva redução da população inactiva que coincide com uma recuperação da população activa. Ou seja, o mercado de trabalho está progressivamente a atrair mais pessoas que estavam inactivas. E mais: isso coincide ainda com uma recuperação da própria população, em queda. Ou seja, que muito progressivamente a economia está a expulsar para o estrangeiro cada vez menos pessoas em idade de trabalhar.

Mas o aumento da população activa pode significar muitas coisas: nos dois extremos, o desemprego pode estar a subir e o emprego a cair, bem como o contrário. E isso é verdade. Então passe-se ao microfenómeno dos valores do 1º trimestre de 2016.




O emprego continua com variações positivas (continua a subir) e o desemprego com variações negativas (continua a descer). O que se passa é que o emprego parece estar a subir menos rapidamente e o desemprego a descer mais rapidamente. Portanto, estamos a olhar para um pormenor da tendência. Mas mesmo assim conseguiu-se extrair das análises que o mercado de trabalho estava pior.

Aqui convém olhar para a sazonalidade.

A nota do INE ajudou à confusão quando, apenas no final, refere que “nestas estimativas trimestrais foi considerada a população com 15 e mais anos, não sendo os valores ajustados de sazonalidade”. Ou seja, os valores não tiveram em causa os efeitos sazonais da actividade económica e os movimentos cíclicos que habitualmente apresentam. Ora, o desemprego tende a subir no 1º semestre do ano para descer depois, com o verão. O primeiro-ministro não respondeu dessa maneira e preferiu sublinhar que a criação líquida de emprego era positiv. Já o ministro da Economia respondeu assim, mas não apresentou valores. E tudo deu um ar de estarem à defensiva, a ver se escapavam da turbulência. 

Um amigo meu – que nem sequer está próximo do Governo - teve o cuidado de me enviar uma série já corrigida de sazonalidade. E o que se verifica nessa série? Verifica-se que, de todas as formas de desazonalidade das séries, os valores descem no 1º trimestre de 2016. Mesmo a taxa de desemprego passa de 12,0 para 11,8%.  E no emprego aconteceu o mesmo. Em vez da descida, temos uma subida.

Faça-se os gráficos. 


Tem isto afinal tanta importância assim face ao volume do emprego e do desemprego? 

Possivelmente não, porque se trata de um instante no ciclo.  A questão é saber se se estará num momento de mudança de ciclo. De inversão.

E é aqui que as coisas ganham mais importância. Porque é precisamente isso que o Governo da geringonça quer influenciar – influenciar o ciclo económico quando nos nossos parceiros comerciais a economia está a arrefecer. E isso que a direita e as instâncias comunitárias parecem tentar ao máximo evitar que aconteça.

É que se justapusermos a evolução do emprego oficial (e do desemprego que, nesta fase, funciona como um simétrico do emprego), com a evolução da procura interna (em volume, ou seja, expurgada dos preços), verifica-se uma certa sintonia de tendências.

Esta sintonia é normal, tendo em conta que a procura interna representa, mesmo nos últimos 5 anos, cerca de 100% do PIB e que nas actividades associadas à procura interna, nomeadamente da área dos serviços, existe uma correlação muito forte entre crescimento/quebra da actividade e crescimento/quebra do emprego.

A evolução positiva da procura externa no período anterior a 2015 permitiu atenuar em parte os efeitos negativos no emprego provocados pela quebra da procura interna. No entanto, a procura externa representou, nos últimos 5 anos, apenas cerca de 38,5% do PIB. Ou seja: embora algumas das suas actividades da área dos serviços, com destaque para a hotelaria, tenham uma forte associação com a criação de emprego, o seu peso global é insuficiente para influenciar de forma decisiva o andamento do emprego global na economia. Com a quebra recente da procura externa, o dinamismo do mercado de trabalho torna-se mais dependente do andamento da procura interna.

Olhe-se para o sintonia das linhas:


Quer dizer, há uma sintonia, mas as coisas parecem estranhas. Não se trata de uma sintonia muito correlacionada. Em 2014, por exemplo, o emprego parece ter crescido mais do que proporcional face à evolução da procura interna. Tal como em 2015.

Talvez conviesse olhar para os valores de outra forma. Para outros valores mais reais. Em épocas de crise, nem sempre os indicadores oficiais são os mais fidedignos em termos de tendência.

Os valores estatísticos oficiais seguem critérios estatísticos harmonizados ao nível da UE e têm tido, ao longo do tempo – obviamente - critérios políticos. A Comissão Europeia não é um organismo acéptico. E vão se impondo conceitos estatísticos que desvalorizam, subavaliam a realidade do mercado de trabalho, nomeadamente a dimensão do desemprego. A Europa não lida bem com o desemprego e, sobretudo, não lida bem com os números que revelam a ineficácia das suas políticas. 

Em vez dos conceitos oficiais, tente-se ir mais além. Em vez do número de desempregados oficiais, considere-se igualmente como desempregados todos aqueles que trabalham pelo menos uma hora por semana e que gostariam de trabalhar mais horas (subemprego visível); os desempregados que não procuram trabalho (desencorajados que são por isso considerados inactivos); os desempregados que declararam estar – por diversas razões - indisponíveis para trabalhar (sendo por isso considerados inactivos); e ainda os “desempregados ocupados” pelo IEFP em estágios e que, após 2011, segundo as regras comunitárias, são considerados como inequivocamente empregados. Esta última parcela é a mais polémica porque se trata de uma estatística administrativa do IEFP, cujo valor se está a somar a um valor estimado por amostra, no inquérito ao emprego do INE. Mas pressuponha-se que a amostra do INE, usada para o inquérito do Emprego, está bem calibrada e que tem em devida conta esses desempregados “ocupados”. 

Subtraia-se então ao número dos empregados os subempregados e os estagiários do IEFP; some-se essas duas categorias de pessoas ao desemprego oficial, bem como todos aqueles inactivos anteriormente mencionados; e subtraia-se aos inactivos esses desempregados tidos como inactivos. E agora tente olhar-se para o que aconteceu desde 2011.  

Para evitar em parte o problema da sazonalidade, construiu-se as variações homólogas em cada trimestre, em valores absolutos (milhares de pessoas). 



Quando se considera essas novas realidades estatísticas, em que a sintomia parece mais ajustada, é óbvia a leitura:
1) A retoma do emprego só aconteceu um pouco mais tarde, quase no final do 2013;
2) o desemprego gerado pelas políticas adoptadas pela troika e pelo governo PSD/CDS foi mais pronunciado do que o mostrado pelas estatísticas oficiais;
3) a queda do emprego foi mais pronunciada do que as estatísticas oficiais mostraram;
4) a recuperação do emprego foi menos pronunciada do que mostraram as estatísticas oficiais, não abrandando após as eleições e não estando com uma tendência de descida, pelo menos até ver;
5) a descida do desemprego não está a abrandar como mostram as estatísticas oficiais, pelo menos até ver;
6) a evolução do emprego (e do desemprego) parece estar numa maior sintonia com o andamentoda procura interna.

A evolução do desemprego nas diversas formas de o quantificar – incluindo as novas inscrições de desempregados nos centros de emprego – mantém a mesma tendência: de decréscimo.


Ou seja, tentar criar obstáculos à expansão da procura interna, vai se traduzir num menor emprego e num maior desemprego. É isso que quer a direita nacional e internacional? Em princípio, diríamos que não. Ninguém em seu perfeito juízo pode defender algo parecido. Mas que mal haveria se isso acontecesse às mãos do Governo da geringonça? Até talvez calhasse bem, não era? Irmãos desavindos desfazem governo e a direita salvadora viria recuperar o poder...  

E já nem falo de ter sido a subida do desemprego precisamente o objectivo da política seguida pela troika e pelo Governo PSD/CDS – como forma de criar uma pressão objectiva no “custo” da força de trabalho. Está nos documentos oficiais do FMI. Veja-se o desastre que nos aconteceu ao longo deste período de reinado da direita, de uma direita nacional devidamente enquadrada pelas noções da direita europeia, patente nas linhas de intervenção da troika.



Parta-se do momento zero: o 1º trimestre de 2011. A partir daí, o desemprego em sentido lato subiu exponencialmente à medida que iam ser destruídos postos de trabalho. Depois, começou a ser absorvido, mas não sobretudo à custa de um maior emprego, mas mais de uma maior emigração. Para se atingir o nível de 2011, aida teremos de criar 400 mil postos de trabalho e ainda fazer subir a população em 200 mil pessoas, potencialmente mais 200 mil activos. E com isso nem teremos absorvido os choques da crise de 2008/09. De dimensão semelhantes. Ora, se isto não foi premeditado, foi uma imensa incompetência.

Portugal está à abeira de um desastre e a direita apenas sonha com reganhar o poder, à custa da queda do emprego e da subida do desemprego.  Novamente.


21 comentários:

Anónimo disse...

PS: Há alternativa às políticas da PaF dentro dos compromissos europeus.

Aguardemos portanto.

Antonio Cristovao disse...

A redução de cobertura das exportações sobre as importações deverá também ter tres explicações. Que são?

Jose disse...

O progresso está aí.
Todos são burros menos a geringonça!
O entusiasmo é contagiante!
A rendição dos credores é o passo seguinte!

Jose disse...

http://5.fotos.web.sapo.io/i/N0508bad7/19614893_EDMMc.jpeg

Anónimo disse...

Com a direita portuguesa a tentar destabilizar política e socialmente, e a U.E. a manobrar por fora a economia do país, se juntarmos a incerteza da capacidade dos partidos que apoiam este governo
se aguentarem no essencial, e ainda numa conjuntura político-económica internacional desfavorável, o mais que pode acontecer e´- de duas uma - sair da U.E. de cabeça erguida ou ser vergonhosamente atirado para o meio da rua.
A meu ver somente a primeira hipótese tem viabilidade. De Adelino Silva

Anónimo disse...

ó das 17 e 33:

Todos são burros?
O entusismo é contagiante?
A rendição dos teus é o passo seguinte?

Mas são estas alarvidades em letra de forma que dão resposta ao post de João Ramos de Alameida?

Anónimo disse...

Cerca de uma hora depois, ciente da vacuidade da sua vacuidade argumentativa resolve o das 17 e 33 postar um outro post. Pelas 18 e 44.
Só que não é um post. É um gráfico Um gráfico. Logo ele, que tem centenas de diatribes contra os gráficos.

Mas mais uma vez? É "isto" a resposta ao texto fundamentado do JRA? Um gráfico à procura da porta dos fundos com que se tenta apagar as evidências, fugindo feito poltrão para os braços do BCE?


Jose disse...

O gráfico das 18;14 tem um factor distintivo essencial: a simplicidade!

Não tem pressupostos, inquéritos, combinações de variáveis: é tão só uma cotação sobre o as políticas da geringonça.

No essencial testemunha a palermice alternativa que dá pelo nome de política geringonçosa.

Anónimo disse...

O gráfico tem a "simplicidade dos "simplesmente Maria"

Falta-lhe o substracto. A ánálise. O processo analítico. O estudo. O senso crítico

No essencial testemunha a palermice de quem anda a arrastar-se atrás do "senso comum" dos medíocres e dos politiqueiros da PAF.

Anónimo disse...

Mas mantém-se a pergunta:

É "isto" a resposta ao texto fundamentado do JRA? Um gráfico à procura da porta dos fundos com que se tenta apagar as evidências, fugindo feito poltrão para os braços do BCE?

Agora travestido de slogan em jeito de gráfico?

Mas são estas alarvidades em letra de forma que dão resposta ao post de João Ramos de Alameida?






Jose disse...

Por falar em BCE, diz que já lá tem cerca de 1/3 da dívida pública portuguesa e daí não pode passar.
Por cá vai crescendo o potencial 'grupo dos lesados da dívida pública', coisa para daqui a cinco anos, já fora da protecção da afamada política alternativa.


Anónimo disse...

Sabe-se que o servilismo perante o BCE põe alguns em cuidados redobrados para o citar em todas as ocasiões de propaganda a preceito.

Mas o silêncio sobre o apresentado pelo João permanece e não deixa de ser cómica este atirar para o canto em que se fala de coisas como o "não pode passar" e o "potenciar e os lesados da dívida pública e a afamada política alternativa"

Mas esperem. Não foi este tipo, que anda agora a arranjar rodriguinhos made in BCE, que andou a potenciar mais a dívida pública à custa dos negócios privados dos colégios?

João Ramos de Almeida disse...

Caro José,
Não se convença de que estou a tentar convencer alguém - e a si - com ideias mastigadas e enxertadas. Estou a tentar encontrar caminhos alternativos porque há década e meia que vemos o nosso desemprego crescer, sem que seja devidamente atacado. E esse deve ser o nosso assunto: como acha que podemos crescer e gerar emprego?

Neste capítulo, se a direita foi este PSD/CDS, acho que provaram que nada tinham preparado, ao contrário do que dizia Catroga em 2011. Tudo correu mal, até que abandonaram o seu programa. Que não nos convençam agora que temos de retomar o que abandonaram em 2014.

Não acha que devíamos pensar juntos nalguma coisa diferente?

Manuel Silva disse...

Senhor Cristóvão:
Perguntou: «A redução de cobertura das exportações sobre as importações deverá também ter tres explicações. Que são?»
Pode encontrar aqui mais do que três explicações, pois a desaceleração da economia portuguesa e das exportações já se faziam sentir ao longo de todo o ano de 2015, como nos diz o jornalista de economia João Silvestre, num excelente artigo, muito sereno e muito explicativo, sobre a evolução da economia portuguesa (Ver jornal Expresso, Caderno de Economia, p. 6).
Angola, menos 45%
China, menos 32,9%
EUA, menos 9,6%
Alemanha, menos 4,5%
Para além da paragem pontual na refinaria da Galp em Sines neste período.
E da Autoeuropa ter eliminado um turno de produção devido ao abrandamento do mercado chinês que absorve a maior parte da sua produção.
O senhor Cristóvão deveria conhecer o papel destas duas empresas e produtos nas exportações da frágil economia portuguesa.

Jose disse...

Manelzinho, então? «ao longo de todo o ano de 2015»?

Jose disse...

Será que a austeridade estava a ser progressivamente diminuída, aumentando a procura interna, quando as exportações só desaceleram a partir de Agosto?

Anónimo disse...

A governança falhou. Com todo o fragor.Para mal de todas as ambições dos que andaram e andam a vendê-la como única alternativa.

Por exemplo a 29 de Setembro de 2015, em vésperas de eleições dizia o das 21 e 22:
"Talvez mais útil fosse continuar com a troika". Um suspiro conivente com os mandantes do país e com as políticas austeritárias, claro está, a ansiar por mais do mesmo. E mais alguma coisa que agora não interessa.

Mas relembremos o passado recente:

A direita foi ao ponto de acusar que um governo do PS apoiado à esquerda seria um "golpe de Estado". Mas um "golpe de Estado" contra quê? Contra "a tradição"! De cabeça perdida, escudou-se nos mais atamancados argumentos com o objetivo de destruir a hipótese de um governo que corrigisse alguns dos desmandos da direita no poder e consequências da austeridade"

Isto são factos.

Anónimo disse...

"A diatribe de P. Portas à saída de Belém, dizendo que "um governo PS pode ter expressão numérica mas é ilegítimo", mostrou a desorientação da direita que não conseguia articular um raciocínio lógico e ainda menos conforme à Constituição, que procurava tripudiar a seu contento.

Muito simplesmente a direita não aceitou a vontade expressa de 2,7 milhões de eleitores contra as suas políticas não hesitando em fazer apelos a conflitos das instituições da UE e outras com um governo que não fosse o seu. Para a direita, o acordo do PS seria contra o voto dos portugueses, ou seja 1 milhão de eleitores não só não teria direito a ser governo como nem sequer lhes admitiam apoiar um governo! O recurso ao absurdo e o hábito de mentir da direita tornou-se uma segunda natureza"

É inútil citar aqui a raiva e o ódio que a direita e a extrema-direita têm a esta solução governativa.Chamam-na ainda de "geringonça". E mal conseguem pronunciar o nome sem lhe aconchegarem um ou dois insultos soezes. É ler o que se escreve no bas fond das ditas ou o que escreve por exemplo o das 21 e 22

Jose disse...

Pois bem, vejamos então o que justifica o que se diz da Direita:
1 - O PS que governa não representa a maioria dos seus votantes; é bem mais esquerdo e só é suportado pelo partido, porque manda a regra de que vale tudo para alcançar o poder e prover de lugares os militantes.
2 - Os acordos da geringonça traduzem bem o quanto se trata de um acordo discordante, algo novo e inusitado que, sendo antes demais de recusa do PaF, incorpora uma mera partilha de medidas a gosto das partes componentes: os soungbytes para o BE, os transportes para o PC e a treta para os treteiros.
3 - Trata-se assim de um projecto em que o país é o terreno de partilha de interesses e nenhuma política é definida e acordada que aponte um caminho que a prazo e coerentemente o conduza a uma situação de soberania e bem-estar.

Sendo isto a Geringonça que hoje se pode confirmar ser, não era preciso grande talento para prever o que ela seria aquando do seu anúncio.

Os 2,7 milhões não são chamados a suportar aquilo que os partidos em que votaram não alcançam em definir, salvo a exclusão do PaF. Que isso legitime políticas idiotas ou suicidas, vai a distância entre a legalidade e a legitimidade.
Em conclusão, a Geringonça é um aborto político e vai dar um mau resultado.

Anónimo disse...

A prova provada da indigência democrática de alguns está aí em cima plasmado às 10 e 57.

Exigem-se conhecimentos mínimos do funcionamento da democracia. Conhecimentos também da legalidade constitucional.E conhecimentos cívicos básicos.

Compreende-se que a formatação ideológica do sujeito remonte ao tempo do fascismo, de que não esconde nem a admiração nem a subserviência. Mas desta compreensão não se pode passar nem à aceitação nem ao silêncio perante estas tretas anti-democráticas

Arranjar patetices à Portas, sobre o que o PS representa ou não, nem merece resposta. São os eleitores que validam ou não a praxis dos vários partidos. No passado, agora e no futuro que se adivinha. Pelo que a frase "a regra de que vale tudo para alcançar o poder e prover de lugares os militantes" é um juízo boçal e malcriado, pesporrento e com a carga ideológica típica referida acima. Não traduzindo nada mais do que o rancor pelos resultados eleitorais. Estamos a julgar factos e não o breviário salazarista/ passista

Anónimo disse...

Os acordos da referida geringonça têm uma tradução política, numérica, real e concreta na assembleia da república, logo na formação do governo.

A tradição que se invoca, escondida atrás dum acobardado "algo novo e inusitado" é o reflexo da cabeça perdida citada aí em cima. As soluções encontradas encontram substância na legalidade, na legalidade democrática e na legitimidade.
O que incorpora está escrito. O seu âmbito também.
O mais do resto são manifestações patetas do ponto de vista formal, sem conteúdo do ponto de vista substantivo e rancorosas, com aquele hálito ideológico característico.

Quanto ao aborto, isso é algo do foro pessoal do dito ressabiado e com o seu perfil salazaristo/passista.