segunda-feira, 23 de maio de 2016

Para trocarmos umas ideias sobre os assuntos

Vale sempre a pena ler as crónicas de Nuno Ramo de Almeida e esta “onde se defende que não matar o pai é normalmente uma ideia acertada, para quem não quer que lhe impinjam os pais dos outros” não é excepção: boa homenagem a, e potencialmente um bom debate com, Fernando Rosas, o nosso historiador nacional de eleição.

Sugiro que leiam a crónica juntamente com a reflexão de Alberto Garzón, dirigente da Esquerda Unida espanhola, em reacção à mobilização do anti-comunismo, do medo, pelas forças do status quo. Não parece estar a resultar, a fazer fé na última sondagem. Muitas pessoas têm razões para ter outros medos, para ter medo do capitalismo sem freios e contrapesos.

Unidos Podemos, então? Gostaria de pensar que sim, claro. O problema é que, beneficiando da análise do economista William Mitchell ao seu programa, não se pode ignorar a repetição das ilusões que destruíram a esperança na Grécia: parece faltar, uma vez mais, um plano B.

Insisto na questão colocada no ano passado: de que é que têm medo e de que é que temos medo? Insisto: a impotência social-democrata pode vir a afectar hoje e ainda mais os que saíram, ou contam vir a sair, das franjas para o centro do poder, contestando a austeridade, mas tendo por base a narrativa fantasiosa de um potencial euro bom.

Isto está tudo ligado? Troquemos umas ideias, então.


18 comentários:

Anónimo disse...

Anda também aí um medo das 35 horas propalado até por alguns de esquerda. Que não é urgente e devia ficar adiado, pois acumula coM o assustar do bce que nos vigia por esta altura com avisos para julho. QUid juris?

Jose disse...

Um «...acontecimento, sem o qual dificilmente haverá mudança.»
Preservar o essencial de Outubro é admitir que a democracia, tal como a conhecemos, não é caminho de futuro; assim o sentem sem o dizer a boa parte da geringonça.

Desenterrar as lutas proletárias do século XIX, as experiências totalitárias do século XX e tudo o mais, de um tempo de imperialismos e em que o planeta e os seus recursos eram território de conquista, só pode significar querer demonstrar quão diferentes são os desafios e quão diferentes são as exigências que se colocam ao Homem.
O ignaro lutador pela subsistência não é exemplo, mormente se ao farto consumidor do presente essa imagem sustenta nada mais que uma acrescida ânsia de consumo.
Mas em verdade, essa é ainda a proposta essencial à Luta.
Do mesmo modo, os imperialismos que sustentavam que a riqueza de uns fosse a exploração de vastas áreas territoriais de outros, traduzem-se hoje em obscuros nacionalismos autárquicos (de Trump aos patriotas de esquerda)quando a globalização transformou o império em competição económica e tecnológica.

Jose disse...

Que vivemos uma ameaça comunista é um facto evidente.
Não pela Revolução e a tomada do poder mas pela corrupção de uma social-democracia aparvalhada que por um lado se corrompe pela venalidade dos seus agentes e por outro se entrega a exercícios de ‘progressismo’ populista e ruinoso.
«… os comunistas que nos tirariam as casas e, no final de contas, provou-se que foram os bancos privados, que nos roubaram a casa» é a versão nacional e burlesca dessa deriva imbecil, que arruinou a banca, transformando poupança em património improdutivo que esteve na posse de quem nunca o comprou e que nem mesmo é capaz do o poder arrendar.
A ameaça é pois a que sempre foi: destruir os meios e os processo que asseguraram o progresso económico e construir um qualquer totalitarismo irracional e perverso.

Anónimo disse...

Amigo Jose, deixe-se de fantasias. Fantasia #1: o amigo parece acreditar que o imperialismo é uma coisa do passado. Ter-se-á esquecido do que se passou recentemente na Líbia, Afeganistão, Mali, Iraque, Honduras, Venezuela, Iemen, Ucrânia, Palestina, etc? O imperialismo pode ter lavado a cara (os métodos mudaram ligeiramente para se ajustarem a uma maior difusão da informação, só isso; sabe qual a guerra mais longa da história dos EUA?) mas continua a ser a tendência dominante - venha de que lado vier. Só não vê quem não quer. Fantasia #2: os comunistas portugueses não são maioritariamente "bolcheviques", nem hoje nem durante o prec, embora sejam certamente descendentes dessa tradição. Só não vê quem não quer. Não só isso, como mais uma vez se atribuem todos os defeitos e incapacidades do capitalismo aos comunistas, como se fossem estes a causa das contradições. É uma pescadinha de rabo na boca que demonstra um vazio intelectual e um profundo desconhecimento da tradição iluminista da esquerda. Acho que está no hora de nós sermos capazes de avaliar o que sabemos e aquilo que não sabemos, só assim podemos avançar e construir algo melhor.

Antonio Cristovao disse...

nem o sucesso da Grecia, Venezuela, Portugal do Costa chegam para aterrar muito lírico da nossa praça. Cuba , Coreia, Russia tudo sociedades a caminho duma vida....

Álvaro disse...

É verdade João. O Podemos e IU continuam a apostar que o peso económico e político da Espanha na UE será suficiente para gerar dinâmicas globais de reforma do sistema. Mas provavelmente enganam-se, e se se enganarem a derrota será ainda mais custosa que na Grécia. A ver vamos, nos próximos 6 meses.

Anónimo disse...

Um muito excelente post de João Rodrigues. A ler com atenção e mais uma vez a procurar ler nas linhas e nas entrelinhas

Anónimo disse...

O tom certeiro de João Rodrigues tem um comprovativo indirecto. É a agitação que provoca no falcão fundamentalista de serviço que perora em torno dos seus argumentos de sempre...mas escorregando desastradamente e patinando na tentativa de alinhavar um discurso minimamente coerente.

Coisa aliás que não é nova

Anónimo disse...

"Vivemos uma ameaça comunista" é um tão grande disparate que nem os adjectivos usados habitualmente pelo que os usa servem de desculpa para a asnice ("aparvalhada, venalidade, progressismo, populista e ruinoso, imbecil,totalitarismo irracional e perverso")

Parece que a ameaça comunista deriva duma "social-democracia aparvalhada" que não da Revolução e da tomada do poder. Assim começa o conto.

Como termina o conto? Pela ameaça de construção dum qualquer totalitarismo irracional e perverso.

De repente a ameaça que não era ameaça torna-se ameaça. Que afinal parece que sempre foi

Isto é um exemplo claro do raciocínio perversamente irracional, desonesto, cabotino e ignorante.

Anónimo disse...

Uma análise superficial permitirá ver o ridículo de quem tenta identificar como origem de todos os males "uma social democracia aparvalhada".
De facto a "impotência " (quantas vezes conivência) da social-democracia tem sido responsável por uma ausência de resposta adequada, triunfante, mobilizadora e de esquerda aos tempos que hoje vivemos.

Mas francamente tentar esquecer o papel de criminosos sociais da governação Passos/Portas, o papel dos donos disto tudo, o papel dos banqueiros, da UE, da troika, o BCE, do FMI, do desenvolvimento actual do capitalismo é simplesmente motivo duma boa gargalhada

Neste caso o disparate vive paredes meias com a posição de direita-extrema. E aqui coincide com o mesmo que manifestou simpatias filo-nazis, ousando comparar Philippe Pétain a Charles de Gaulle.

Anónimo disse...

A versão nacional e burlesca desta deriva imbecil de tentar proteger a banca e os banqueiros está aí patente, numa modesta extensão é certo, mas preciosa pela evidência da lata em fazer afirmações de tal calibre.

A crise da banca, dos banqueiros, da sua responsabilidade nos dias que hoje vivemos é assim ternamente apagado à custa dum "património improdutivo" que nunca comprou e arrendou e outra tretas do género.

Simplesmente confrangedor. A pesporrência ideológica junta-se à cegueira e esta assume laivos de demência?

Estão assim explicadas as hossanas aos banqueiros , aos terratenentes, aos donos disto tudo antes do descalabro da Banca e dos seus banqueiros. Há por aí uns versinhos de pé-quebrado, erigidos em honra do dono disto tudo, escritos antes da sua queda e das lágrimas vertidas na altura?

Lágrimas que voltam agora, desta forma grotesca e piegas, assumindo um papel de branqueamento que agonia, associado a uma cumplicidade e conivência que levanta todas as suspeitas.

Mas a banca e os terríveis malefícios da sua privatização já ocuparam basto espaço aqui no LdB

Anónimo disse...

Ler alguém, que assume o elogio de Salazar e da Pide (como comprovadamente o faz o das 12 e 29), falar de "democracia" é um autêntico nonsense.

Não se sabe o que admirar mais. Aqui sai a Passos Coelho mais as suas aldrabices e mentiras. Mas sai também a alguns dos salazarentos personagens que a 25 de Abril juravam que sempre tinham sido democratas

Anónimo disse...

Agora algumas bojardas que falam por si:

-"de um tempo de imperialismos"... pois foi. Já não é. Olha agora as guerras de pilhagem e de terror levadas a cabo no Iraque, na Líbia, na Síria.

-"o planeta e os seus recursos eram território de conquista"...pois eram. Já não são.Olha aí o exemplo dos neo-colonialistas e dos rapinadores dos recursos naturais e humanos.

-"ignaro lutador pela subsistência não é exemplo"...pois não. É bom não falar nestes.Então não é que a intensidade da pobreza não aumentou em 30% em 3 anos? Chiu. Não espalhem.

-"ao farto consumidor do presente essa imagem sustenta nada mais que uma acrescida ânsia de consumo"...pois claro. Porque motivo o tamanho do ventre de quem assim fala não deixa ver que os seus padrões de comportamento nem são nem universais nem justificam todos os ódios e tolices?

-"Mas em verdade"...Ámen

-"essa é ainda a proposta essencial à Luta"....Não sabemos bem qual a proposta essencial.Mas ficamos a saber que a submissão abjecta é melhor para quem vende a sua Pátria assumindo-se como seguidor de Pétain?

-"os imperialismos traduzem-se hoje em obscuros nacionalismos autárquicos"... ahahaha. Brilhante esta. Nem o licenciado Relvas ou o batedor de punho Miguel Gonçalves ousaram ir tão longe.

-"quando a globalização transformou o império em competição económica e tecnológica". ...ou por outras palavras...viva o direito do mais forte ao saque. Já ouviram falar nas teorias eugénicas? Também tiveram a sua origem no darwinismo social mais abjecto.
Será por isso que se defende a desigualdade e a sua perpetuação de forma assaz fanática?

-" transformou o império".. esta é mesmo só para negar a sua existência. Também negava o crescimento da direita-extrema e o renascimento do nazi-fascismo não era?

Jose disse...

Aí pelas 17:50 fala-se em fantasias.
#1 - Porque se atribui ao imperialismo tudo o que são sociedades e estados disfuncionais? Ou será que tudo começa por isso mesmo e se seguem reacções externas?
#2 - Os descendentes de uma tradição bolchevique sempre são seus fiéis até que a repudiem. E comunismo só há um e mais comuna não há nenhum.

Anónimo disse...

"é a versão nacional e burlesca dessa deriva imbecil, que arruinou a banca, transformando poupança em património improdutivo"

Mas ó das 12 e 29. Então não foi vossemecê que em janeiro de 2014 se saiu com esta pérola na defesa dos lucros da banca e das suas negociatas? Cite-se ipsis verbis:

"Se não sabes que o papel dos bancos é pedirem emprestado (endividarem-se) para emprestar (ficarem credores) lucrando no processo, sabes pouco."

Isto foi antes do descalabro e da exposição da pulhice da banca

O desejo do lucro a todo o custo , a defesa da banca e dos banqueiros , o conluio com as negociatas e com os negócios sujos...tudo em nome do sacrossanto lucro, não é mesmo ó das 12 e 29 ?

Anónimo disse...

"Porque se atribui ao imperialismo tudo o que são sociedades" ?"

Como? Que patetice é esta?
Então ainda há pouco os imperialismos traduziam-se hoje em "obscuros nacionalismos" e aora são bens preciosos a proteger?

Mas a frase está manifestamente incompleta:
"Porque se atribui ao imperialismo tudo o que são sociedades e estados disfuncionais? Ou será que tudo começa por isso mesmo e se seguem reacções externas?"

A iliteracia dá nisto. "Tudo começa por isso mesmo", mesmo

Anónimo disse...

"E comunismo só há um e mais comuna não há nenhum".

É natural. Isso era trauteado com o "Cá vamos cantando e rindo" não era?

Anónimo disse...


“De que e´ que têm medo e de que e´ que temos medo?”
Acho que a UE tornou-se um enorme Caldeirão de medo e terror: sanções económicas, penalizações, escravização dos povos do Norte de Africa e Oriente Medio, a abolição dos direitos civis para a maioria dos europeus devido a´ crescente militarização e intervenções em ´estados soberanos´ e com o “Cerco a´ Rússia” através da NATO.
Note-se que a maioria dos países da EU fazem parte desta estrutura militar internacional capitaneada pelos USA.
Na situação actual sentimos, na pele, que os “sectores dominantes” são estruturalmente favorecidos, qualquer que seja o governo. Mas é óbvio que têm preferência pela direita e não por governos ditos de esquerda… Eu tenho medo de poder vir por ai a Terceira Guerra Mundial…desta vez Nuclear…de Adelino Silva