Preocupados com o coro monolítico e redundante de economistas e comentadores, que clamavam sem contraditório por austeridade, foi entregue à ERC, em outubro de 2010, uma
petição pelo pluralismo no debate político-económico. Nesse documento, exigia-se aos «
órgãos de comunicação social – em particular às televisões, e sobretudo àquela a quem compete prestar “serviço público”» - respeito pelo pluralismo, «
de modo a que se possa construir uma opinião pública mais ativa e informada», indispensável a uma democracia verdadeiramente capaz de fazer escolhas.
Em
resposta, a ERC afirmou que sendo possível aferir a «
diversidade da proveniência dos actores sociais presentes no comentário económico» (através do resenceamento de programas), já «
o substrato ideológico subjacente às posições assumidas» pelos intervenientes era difícil de apurar. O que não impediu a entidade reguladora, contudo, de concluir que o comentário sobre assuntos económicos era «
tendencialmente diversificado», consideração que levou os promotores da petição a endereçar à ERC um
comunicado de resposta.
Percebe-se, claro, que seja mais fácil e exequível mapear comentadores, analistas e colunistas que escrevem em jornais e/ou participam em programas de rádio e televisão (exercício que a ERC não faz e devia fazer regularmente), que proceder a uma análise do seu discurso e à tentativa de definir o seu posicionamento político-ideológico, permitindo que se tivesse uma noção do grau de pluralismo de opinião em cada órgão de comunicação social.
Por isso, e face ao declínio editorial persistente, que o João Rodrigues tem assinalado neste blogue, através de uma certeira e oportuna sequência de posts (ver por exemplo
aqui,
aqui,
aqui ou
aqui), as televisões, rádios e jornais bem poderiam adotar um barómetro político, solicitando aos seus comentadores, analistas e colunistas - nomeadamente os que participam em programas ou espaços de debate e comentário político e económico - o seu preenchimento.
Escolhida uma versão aceitável desta ferramenta, como a
original ou até, por exemplo, a recentemente criada pelo
Público (mesmo sendo mais circunstancial), e evitando versões manhosas (como a do
Observador ou outra, menos recente, ligada à
Iniciativa Liberal), poderia obter-se uma ideia do grau de
enviesamento e de preocupação com o pluralismo e diversidade de opiniões em cada rádio, jornal ou televisão. É pouco? É. Mas já permitiria dar um passo ao nível da transparência e da conformidade das escolhas com os estatutos editoriais, em regra pautados pela retórica da isenção, rigor e imparcialidade.