Sou um democrata e patriota, eurocético até à medula, e não estou nada “excitado” (nada entusiasmado...), antes pelo contrário, com este novo tanque de ideias.
Tudo o que envolva o sociólogo Frank Furedi, diretor do tal tanque, deve ser evitado, qual Covid, metáfora deliberada para este negacionista. É um sabido intelectual de extrema-direita, que já esteve reconhecidamente na folha de pagamentos de Orbán e da sua rede capitalista autoritária (dirigiu o seu stink-tank em Bruxelas até há pouco) e que já chefiou uma seita “comunista revolucionária” no Reino Unido há umas décadas, tendo todo um percurso de provocador. Não precisamos de simulacros de oposição ao cada dia mais autoritário Consenso de Bruxelas.
Realmente, há académicos, como Furedi, que são sempre, e de tantas formas diferentes, úteis nas tentativas de contaminação dos melhores poços, velhinha tática, enganando alguns. Se não existissem, tinham mesmo de ser inventados.
Absolutamente lamentável então que Thomas Fazi, jornalista italiano com trabalho interessante na área da economia política e da política económica, ande misturado com esta escumalha. Haja quem saiba fazer as distinções soberanistas e antifascistas que se impõem, o que manifestamente não é o seu caso pelo menos desde o Covid.
Enfim, esta pequena desgraça política lembra-me a falta que faz o PCI em Itália, o verdadeiro, não os atuais grupos, e são tantos, um cemitério de siglas desde que Ochetto e companhia optaram pelo suicídio político em 1991. E sem movimento comunista à altura, o caminho fica tão fácil para a fascização UE-OTAN-conforme levada a cabo pelas Meloni.
Houve quem coletivamente tivesse resistido, mas perdido a orientação pelo caminho, seduzido por várias trampas ideológicas produzidas fora e dentro das ruínas romanas. E não falo de um lugar de superioridade: perdemo-nos, reencontramo-nos.
Ninguém disse que isto está fácil. Mas também não está assim tão difícil. Aliás, creio até que está mais fácil do que parece, dado que a realidade insiste em ter um viés marxista (e keynesiano, já agora), nem sendo necessário ligar o complicómetro. O principal problema é a organização dos subalternos, um problema intelectual e político sério.
Uma parte do trabalho consiste apenas em evitar armadilhas destas, em não se ser enganado. Não nos deixemos enganar.


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