Totalitário nostálgico, com fetiche por loiras alemãs, que escreve textos doentios e miseráveis: toquei num nervo dos liberais com este texto, dada a reação. Tenho de continuar, está visto. Que ninguém se deixe intimidar por uma ideologia esgotada.
Aproveito então este ensejo para partilhar uma dúvida sobre os Ribeiros, Milhazes e quejandos: fingem ser ignorantes e são pagos pela sociedade indigente de comunicação (SIC) por isso ou são ignorantes e são pagos por isso? Outra dúvida: com a exceção das raras aparições de Nuno Ramos de Almeida, os cada vez mais raros comentadores de esquerda mantêm-se aí em silêncio nesta crucial área ou dão mesmo para o peditório anticomunista, que abre as portas ao fascismo, porquê?
Entretanto, um exemplo da ignorância de Ribeiro: acusa os comunistas de terem sido os primeiros cúmplices do nazifascismo, a propósito do trágico – quando todas as escolhas disponíveis implicam sacrifícios de valores –, mas necessariamente temporário, pacto entre soviéticos e alemães. Esquece todo o contexto.
Há muitos mais exemplos, que constroem uma história séria, do que estes que aqui apresento: o entusiasmo conservador britânico com Mussolini, em 1922, mimetizando os das direitas italianas, o apoio da classe dominante alemã e dos outros partidos da direita a Hitler nos momentos decisivos, a neutralidade cúmplice ocidental na guerra civil espanhola, a austeridade destrutiva social-liberal, o “antes Hitler que Blum” da elite francesa, o apaziguamento franco-britânico, com o objetivo de encaminha Hitler para leste, culminando na Conferência de Munique (1938) e passando pela rejeição prática de todas as alianças antifascistas propostas até à última pela URSS, o isolacionismo dos EUA praticamente até Pearl Harbour, o facto de os comunistas terem sido os principais responsáveis pela derrota nazifascista, os mais sacrificados pela máquina de morte alemã (e muitos eram também judeus), a cumplicidade dos nacionalismos ucraniano e bálticos com o nazifascismo e com o holocausto, os libertadores de Auschwitz e de tantos outros campos, etc.
Esta gente esquece/desconhece tudo o que importa, porque é liberal até dizer chega, no fundo, e é bem perigosa, porque tem acesso a oportunidades únicas de intoxicação ideológica da opinião pública. Isto faz parte de um programa deliberado das camadas politicamente dominantes da burguesia lusa, como é evidente e eu até percebo que assim seja.
Se eu estivesse no lugar deles faria o mesmo, a lógica de classe é implacável. Mas escolhi não estar, lá está, fazendo orgulhosamente parte de uma cultura hoje marrana; amanhã, não sabemos, também depende de nós que deixe de o ser; que ninguém fique calado perante a ofensiva anticomunista.


1 comentário:
Lá dizia o nosso camarada Álvaro: «Ante a ofensiva da direita, ante o temporal político que a direita desencadeia contra o povo, contra a democracia, contra o nosso Partido, nós os comunistas, com a classe operária e as massas populares em luta proclamamos que ante a ofensiva da direita, da nossa parte, ninguém arreda pé!»
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