quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Menos literacia financeira, mais aritmética, por favor


Numa economia monetária de produção, as despesas de uns são as receitas dos outros e, por isso, se uns têm mais receitas que despesas, outros terão, obrigatoriamente, mais despesas que receitas. Assim, como não podem todos ser, simultaneamente, superavitários, se o Estado acumula superávites, então a restante economia incorre em défices.

Há quem lhe chame saldos financeiros setoriais embora, em larga medida, se trate de simples aritmética.

As famílias argentinas, tendo votado, ou não, em Milei estão a descobrir de forma dolorosa quão inultrapassável é aquela identidade contabilística. 

O mesmo está a acontecer no nosso país. 

O Banco de Portugal afirma que “[e]m julho de 2026, a taxa de variação anual do endividamento dos particulares situou-se em 10,0%” e que se trata da “subida mais acentuada registada desde o início da série, em dezembro de 2008”. 

Com o governo de direita neoliberal, cumprindo de bom grado as orientações imperativas que recebe de uma União Europeia que lhe diz quanto do nosso dinheiro podemos gastar, a insistir manter a receita do Estado maior que a despesa em que o Estado incorre, só no mês de Julho, o endividamento do setor privado (empresas e particulares) aumentou 2,4 mil milhões de euros, para a astronómica quantia de 501,5 mil milhões de euros. 

Estes neoliberais são assim. Para além da demagogia mais aviltante, enchem a boca com literacia financeira mas governam como se não soubessem somar.

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