segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Receita alemã


A cozinha alemã tem má fama e por boas razões. Isto não é para experimentar em casa. 

Juntai um ciclo longo de reformas laborais regressivas, com aumento das desigualdades, da pobreza e da precariedade.

Adicionai uma austeridade convictamente imposta aos países do sul e de leste da UE e, qual efeito bumerangue, inscrita na ordem constitucional alemã, gerando um ciclo longo de degradação das capacidades coletivas, com efeitos socioeconómicos evidentes.

Fervei em lume brando de decisões geopolíticas, com consequências energéticas custosas, mexendo com anteriores e inexplicáveis decisões energéticas.

Subi o lume, com um estímulo económico recente e centrado na impopular economia da destruição belicista, enquanto se anunciam novos cortes no Estado social e aumentos dos horários de trabalho. 

Deixai arrefecer e acompanhai com um chanceler sado-monetarista oriundo da Goldman Sachs e uma social-democracia que reproduz o pior de 1914, numa situação europeia absolutamente desequilibrada desde 1989-1991.

Há receitas antifascistas, claro. Tudo começa sempre pela economia política.

Adenda. Peço desculpa, esqueci-me do único tempero na receita alemã: tornai a fronteira política economicamente irrelevante e logo ascenderá a perversa fronteira etno-cultural, promovida pela extrema-direita, cavalgando a impotência democrática gerada pela incapacidade estatal auto-imposta de dirigir a economia com propósitos de desenvolvimento, de capacitação individual e coletiva. 
 

3 comentários:

Anónimo disse...

A cozinha alemã tem má fama? Depende da perspectiva.

O imperador Frederico III, creio que era ele, estava casado com uma infanta portuguesa. Dois dos filhos bébes morreram. Ele acusou a mulher de matar as crianças com a comida portuguesa. Tirou-lhe o mando da alimentação dos pimpolhos. Acabou a comida portuguesa. Não morreu mais nenhum.

Anónimo disse...

Polvilhar com uns pozinhos de nazismo e russofobia para ficar au point.

Anónimo disse...

Faltava isso. Obrigado.