quarta-feira, 27 de julho de 2022
Casas a menos ou financeirização a mais?
Vale a pena reparar bem nos números: entre 2015 e 2020, o total de famílias na U27 (excluindo a Grécia) aumentou cerca de 2,5% (ou seja, mais 4,7 milhões de famílias, passando-se de um total de 187 para 191 milhões). No mesmo período, o total de alojamentos registou um aumento de 4,2% (passando-se de 217 para 226 milhões, o que traduz um acréscimo acima do registado no caso das famílias, com mais 9,1 milhões de fogos). Em termos de rácio, observa-se portanto a passagem de 1,16 fogos por família, em 2015, para um valor de 1,18 em 2021.
Assumindo 2015 como base de referência (2015=100), o que se verifica é que enquanto o número de famílias e de alojamentos registam variações ténues e idênticas (102,5 e 104,1, respetivamente), o aumento dos preços da habitação dispara para 126,9 em 2020, face ao valor 100 de 2015. Ou seja, evidenciando um claro desfasamento entre o preço da habitação e a relação «convencional» entre oferta e procura, obrigando a considerar que outros fatores explicam a vertigem dos preços, que afeta praticamente todos os países da União Europeia (com a exceção da Finlândia, Chipre e Itália, que denotam equilíbrio na evolução das três variáveis).
Ou seja, como já referido aqui, estamos muito provavelmente perante o efeito de novas dinâmicas de procura de habitação, alheias à simples relação entre «casas» e «famílias». Importando conhecê-las com detalhe, essas dinâmicas encontram-se muito provavelmente associadas a novas lógicas de financeirização, que encaram «a habitação como um ativo de investimento financeiro». O que, traduzindo na prática um défice de oferta, implica perguntar: «há falta de casas por quê, para quê e para quem?»
terça-feira, 26 de julho de 2022
Quem controla?
Como já vai sendo hábito, António Nogueira Leite exibe o seu preconceito e ignorância ao acusar os que defendem o controlo de preços de bens fundamentais de estalinismo económico.
segunda-feira, 25 de julho de 2022
Ser ou não ser Amorim
A Galp registou um aumento de 153% nos seus lucros no primeiro semestre. O seu CEO, imitando a iniciativa liberal, veio tentar desviar as atenções para os impostos, mas como Vicente Ferreira já aqui indicou, as margens contam “e não é muito e não é pouco, bastante”, na famosa formulação.
Ser ou não ser Milhazes
Alguém deveria informar Milhazes, e seus congéneres, que esta forma de combater o Partido Comunista Português não resulta. Estão a radicalizar quem tiver uma mera simpatia, a chamar para as trincheiras quem só estava a apanhar sol. Sá Carneiro disse algumas boas frases e não tenho nada o costume de as citar, mas aqui não resisto: “A melhor maneira de combater o comunismo é melhorar as condições dos trabalhadores.” Sá Carneiro ao menos sabia qual era — e é — a empreitada do PCP.
domingo, 24 de julho de 2022
Chega de desinformação
Como o Chega insiste, apostando em falsas perceções do senso comum, importa repor a verdade dos factos: o volume de contribuições dos imigrantes para a Segurança Social tem superado sempre, e muito, o valor que estes recebem em prestações sociais. Ou seja, os imigrantes são contribuintes líquidos do sistema e não uma espécie de «recebedores de subsídios», como Ventura quer fazer crer.
Mais: ao serem contribuintes líquidos da Segurança Social, os imigrantes contribuem positivamente para a sustentabilidade do sistema de pensões e o financiamento do sistema de proteção social que a todos beneficia. Razão pela qual, aliás, importa assegurar aos imigrantes condições de trabalho digno, garantindo «regulação, negociação coletiva e fiscalização das condições de trabalho», como sublinhou recentemente Manuel Carvalho da Silva.
sexta-feira, 22 de julho de 2022
Manifestamente exagerada
Se o Banco Central Europeu (BCE) está disponível, com a primeira subida da taxa de juro de referência da última década, para sacrificar o investimento e o emprego, em nome do combate a uma inflação sobretudo puxada pelos custos da energia e pelo oportunismo das grandes empresas, a verdade é que não parece estar disponível, no contexto de “policrises”, para repetir a crise evitável das dívidas que não são soberanas.
De facto, a instituição pós-democrática mais poderosa da zona euro decidiu continuar o caminho da sua americanização, começado pela encarnação do neoliberalismo chamada Mario Draghi (este processo foi analisado pelo historiador económico Adam Tooze em Crashed). Sim, também a sustentação do neoliberalismo requer comando político da moeda, ainda que disfarçado de técnica.
Quero com isto dizer que o novo instrumento de intervenção nos mercados secundários de dívida pública ontem anunciado é aparentemente ilimitado, embora esta hipótese vá ser provavelmente testada pelos próprios mercados, e sem condições novas, para lá da tralha neoliberal que já constrange a acção orçamental dos governos, sobretudo periféricos.
Fala-se de uma intervenção de controlo das reações dos mercados, para lá do que seria justificado pelos “fundamentos económicos”, orientada pela “sustentabilidade da dívida”. Obviamente, estes dois termos são incertos e parcialmente determinados pela própria acção do BCE.
Como diria Keynes, em contexto de incerteza, vale-nos a discricionariedade do soberano monetário e logo orçamental. O problema é que a ligação tesouro-moeda é aqui indireta, para lá do facto relevante que o soberano não é popular. Da ficção da independência dos bancos centrais, propagada pela teoria neoliberal, passámos há muito para a realidade neoliberal europeia da dependência dos governos em relação aos bancos centrais. No regime keynesiano, como lembrou um dia o saudoso Silva Lopes, num aparte inesquecível numa confererência, o Ministro das Finanças telefonava para o Banco Central a dar ordens. Melhor regime.
Sim, a morte do neoliberalismo é manifestamente exagerada.
quinta-feira, 21 de julho de 2022
Pratiquemos a desobediência
Adoro o cheiro a desobediência a Bruxelas pela manhã: ‘Portugal “não aceita” proposta de Bruxelas para reduzir 15% do consumo de gás’.
Na realidade, Portugal e Espanha não têm interligações com o resto da UE que justifiquem aceitar tal imposição. É no que dão as pressas, resultantes de sanções imprudentes. E, sim, cada caso tem de ser um caso. É assim que temos de acabar com o suposto mercado único, na energia e não só.
Eterno optimista da vontade, pode ser que um dia, com outra relação de forças, a desobediência se torne um hábito e que quem nos governe deixe de ser “bom aluno de maus mestres”, como diria o saudoso José Medeiros Ferreira. A realidade da sociedade portuguesa impõe-no.
quarta-feira, 20 de julho de 2022
Estado da Nação em tempos de incerteza
O facto de serem pouco inovadoras ou dramáticas não torna menos importante o escrutínio das políticas públicas. Obriga, no entanto, a que o debate vá além de frases feitas e de polémicas mais ou menos estéreis, assentando antes na análise cuidada dos resultados e dos processos envolvidos. É isso que tentamos fazer nesta 4ª edição de “O Estado da Nação e as Políticas Públicas”, que tem o mesmo objetivo das edições anteriores: ir para lá da espuma dos dias, focando as atenções nos desafios estruturais que se colocam a Portugal e em algumas respostas recentes para os enfrentar em diferentes domínios da governação».
Da introdução de Ricardo Paes Mamede à edição de 2022 do relatório sobre o Estado da Nação e as Políticas Públicas, este ano com o título «Recuperação em Tempos de Incerteza» (acesso gratuito ao relatório, na íntegra ou por capítulos, aqui). Tal como nas três edições anteriores (2019, 2020 e 2021), este trabalho surge por ocasião do debate parlamentar sobre o Estado da Nação. Este ano, e dando sequência à inovação introduzida no ano passado, o IPPS-Iscte, em parceria com o CoLABOR, junta ao relatório uma interessante base de dados («O Estado da Nação em Números»), que vale a pena consultar.
terça-feira, 19 de julho de 2022
Economia política com claro sinal
Em declarações ao Financial Times, a chefe de uma das maiores empresas das indústrias de guerra norte-americanas apela aos governos ocidentais para que haja um “claro sinal de procura”: afinal de contas, precisam de garantias sobre a “sustentação” da guerra na Ucrânia para que os stocks de armas sejam repostos, com grandes lucros naturalmente.
segunda-feira, 18 de julho de 2022
Um jornal em defesa do SNS
Sandra Monteiro, Saúde e «grupos de interesse», Le Monde diplomatique - edição portuguesa, Julho de 2022.
domingo, 17 de julho de 2022
A indignidade anti-comunista
Amigo dos comunistas portugueses, fiz questão de ir ao concorrido comício no Campo Pequeno há uns meses. Os amigos são para as ocasiões, sobretudo quando está em curso uma campanha anti-comunista particularmente descarada.
sábado, 16 de julho de 2022
sexta-feira, 15 de julho de 2022
quinta-feira, 14 de julho de 2022
Eles têm um plano
No meio de tantas crises entrelaçadas, até parece que as elites da União Europeia (UE) têm um plano. Se assim for, é caso para dizer que este combina uma avaliação equivocada da relação de forças, subordinação aos EUA e à sua aposta na corrida armamentista, dirigida em última instância contra a China, sem esquecer o tradicional enviesamento de classe inscrito na zona euro.
O resto da crónica pode ser lido no setenta e quatro.
Combustíveis e margens
Mais uma notícia para a série "o problema dos preços dos combustíveis está sobretudo nos impostos cobrados pelo Estado": a margem de refinação da Galp mais do que triplicou no 2º trimestre deste ano. Ficou em 22,3$ por barril, bem acima dos 6,9$ por barril registados entre janeiro e março, à semelhança do que se tem verificado com as outras petrolíferas.
No comunicado citado pelo Expresso, a Galp diz que "capturou o ambiente de mercado favorável". É um eufemismo simpático para a tendência que realmente se verifica: num setor fortemente concentrado, as grandes empresas como a Galp conseguem aumentar os preços e as margens no atual contexto e registar ganhos extraordinários à boleia da crise.
Espanha, Itália e Reino Unido já avançaram com a tributação dos lucros extraordinários das empresas. É uma forma de repor alguma justiça social e financiar políticas públicas de resposta à crise. Por cá, o governo continua a não parecer muito interessado no assunto.
quarta-feira, 13 de julho de 2022
Novo banco, nova agressão
Tarde e a más horas, cada vez mais gente chega à conclusão que as esquerdas consequentes tiraram há alguns anos: o interesse público não foi defendido no Novo Banco. O neoliberal Manuel Carvalho fala agora de agressão ao país, uma expressão curiosamente usada pelos comunistas para se referirem à ingerência do tempo da troika e que continuou para lá dela. Pactos de agressão tem havido muitos, de facto.
Eterno optimista, tenho esperança que até Carvalho chegue a uma conclusão, daqui a uns anos: a condição necessária para defender o interesse público num sector que lida com o crédito, com a confiança, é a propriedade pública e uma gestão muito diferente da lógica privada. Afinal de contas, quando 75% da banca estava em mãos públicas, antes das privatizações de Cavaco e companhia, não havia agressões destas.
O problema, como temos insistido nos últimos anos, radica no facto de Portugal ser nesta área o equivalente a uma colónia da UE, aplicando-se no rectângulo um princípio particularmente perverso, aceite por Centeno e companhia: pagam, mas não mandam, dado que é necessário internacionalizar, ao invés de nacionalizar, a propriedade. Lamento, mas é a lógica da UE, aceite de forma subserviente pelas elites deste pobre país.
Hoje
O Setenta e Quatro celebra hoje o seu primeiro aniversário. Para assinalar a data, o jornal promove um debate sobre «Os desafios do jornalismo português», que conta com a participação dos jornalistas Paulo Dentinho (RTP 1), Judith Menezes e Sousa (TSF) e Daniel Oliveira (SIC/Expresso), e a advogada Carmo Afonso. A conversa é moderada por Ricardo Cabral Fernandes, diretor do Setenta e Quatro, seguindo-se a apresentação da edição de aniversário e um momento de convívio. O evento tem lugar no Bar Park, em Lisboa (Calçada do Combro 58), a partir das 18h00.
terça-feira, 12 de julho de 2022
Uberizações, vergonhas
Que tipo de sociedade pretendemos?
Depois do imenso sofrimento de uma guerra, as sociedades esperam não voltar ao sistema que lhe deu origem. Também foi essa mudança radical que muitos esperaram que viesse a acontecer quando se conseguisse controlar a pandemia. Infelizmente, essa mudança não está no horizonte, ainda para mais com uma guerra na Europa sem fim à vista.
Após a Segunda Grande Guerra, os britânicos votaram por maioria absoluta num programa do Partido Trabalhista que criou o Serviço Nacional de Saúde universal e gratuito, a escola pública, habitação, propriedade publica de todos os tipos de transporte, nacionalização dos monopólios naturais (energia, água, correios, portos, etc.). A vida dos cidadãos melhorou imenso, sobretudo a vida dos "de baixo".
Tudo isso foi possível num país bombardeado e endividado.
A vitória militar tornou evidente a vitória da cooperação, do esforço colectivo, do planeamento, sobre o individualismo, a competição e a imensa desigualdade que dominavam antes da guerra. Foi este espírito de 1945 que reergueu o Reino Unido no pós-Guerra, de que dá testemunho este documentário de Ken Loach (sem legendas em português, infelizmente).
O filme termina com um depoimento/mensagem que deveríamos considerar seriamente na conjuntura dos nossos dias:
Dar início a um diálogo entre as gerações que viveram o tempo da reconstrução do país, os anos seguintes ao 25 de Abril, e os jovens que não fazem ideia da poderosa transformação social que foi, e tem de continuar a ser, um Estado social. Um Estado que restaura o sentido de uma vida em comum e solidária, o sentido de um "Nós" com dignidade para todos, com saúde, educação, habitação, pleno emprego, segurança social, sistema fiscal progressivo, e direito do trabalho que protege a parte mais fraca. Que tipo de sociedade pretendemos?
«Estou absolutamente convencida de que a geração mais velha, em vez de ser um fardo para a sociedade, tem o dever absoluto de tomar a iniciativa e juntar-se aos jovens, falar com eles e explicar-lhes. Eu digo aos pensionistas que desliguem a televisão, retirem os auriculares dos ouvidos e comecem a contar como era a visão em 1945. O que é que pretendíamos? Como a vimos progredir? O que significava a expressão “do berço à cova”? O que significava a propriedade colectiva, a partilha e a comunidade? O que significa? Comecem a reconstruir esse entendimento do tipo de vida que pretendemos. Penso que temos uma boa oportunidade de fazer isto.» (1:29:50)
segunda-feira, 11 de julho de 2022
Os rankings são também um problema de mau jornalismo
Ano após ano também - e de forma visivelmente concertada (não há um só caso, que pudesse ser apontado como exceção) - os colégios e escolas do ensino privado continuam a não fornecer qualquer informação sobre o perfil socioeconómico dos seus alunos (ver imagem, adaptada da lista de ordenação feita pelo Público), impedindo assim qualquer comparação séria dos resultados obtidos. É como se, numa prova de ciclismo, e ao registar os que vão chegando à meta, fosse irrelevante - para um jornalista - que uns tenham feito a prova num veículo motorizado e outros de bicicleta, dando como válida e fidedigna - em termos de mérito - a ordem de chegada.
Não é verdade, aliás - ao contrário do que refere o Público (caixa verde, na imagem) - que seja o Ministério da Educação a não fornecer os «dados de contexto socioeconómico (...) para as privadas». São as próprias escolas privadas que decidem, por razões óbvias (desde logo a inconveniência de tornar visíveis, e mensuráveis, as práticas de seleção dos melhores alunos), não partilhar esses dados com o ministério, que fica assim impedido de os disponibilizar à comunicação social (juntamente com a informação de contexto dos estabelecimentos de ensino da rede pública).
Tem por isso razão Rodrigo Queiroz e Melo, da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular, quando diz que «não há conhecimento sem informação» e que «em Portugal temos muito pouca informação relevante sobre o que se passa no sistema educativo». Só é pena, de facto, que a sua própria associação contribua de forma reiterada para essa desinformação, optando por não divulgar dados sobre o perfil socioeconómico dos alunos que frequentam as escolas privadas. E que, nestas circunstâncias, jornais, rádios e televisões continuem a não se recusar a publicar resultados destas escolas enquanto as mesmas não forneçam esta informação. Tanto mais quanto, já de si, os rankings estão muito longe de conseguir traduzir o trabalho desenvolvido por cada escola, como lembra, e muito bem, o ministro da Educação João Costa.
domingo, 10 de julho de 2022
Querido diário - Doutores de mula ruça
Há dez anos, o Governo era agitado por mais um drama.
Já não bastava o facto de estar a ser passado um rolo compressor
sobre o que era rendimento dos trabalhadores, no activo e na reforma,
como ainda por cima, tudo indicava que havia muitas coisas que se
passavam na penumbra dos bastidores. E que revoltava. Era como se a par desse estado de emergência, os pequenos promovidos aproveitavam-se do sistema de excepção para o qual tinham trabalhado. Era o caso que Jerónimo de Sousa associou ao que vivera nas suas origens, quando havia uns "doutores da mula ruça".
| Público, 8/7/2012 |
Querido diário - Chumbo
| Público, 6/7/2012 |
Na altura, foi mesmo uma pedrada no charco.
Andava o governo alegremente a querer fazer as suas revoluções neoliberais, passando por cima a Constituição (essa letra morta; os sindicatos a tentar resistir como podiam e a contrapor-se àquele discurso de inevitabilidade, que "tinha de ser assim" a bem das empresas e da competitividade nacional. Que apesar de termos 22% de pobres e de 40% de pessoas pobres antes de apoios sociais, todos "nós" tínhamos "vivido acima das nossas possibilidades" e agora tínhamos expiar as nossas culpas e pecados à luz do Santo Ofício dos princípios das instituições da troica. Que apesar de se ter saído de uma crise internacional, a melhor forma que Portugal tinha de sobreviver era - não promover os rendimentos, a procura e a produção nacional - mas asfixiar o rendimento, transferir rendimentos dos trabalhadores para as empresas (cortes de feriados e de dias de férias, corte na retribuição salarial do trabalho suplementar, cortes nas compensações por despedimento, cortes no subsídio de desemprego, etc., ) e aumentar o desemprego, para forçar os desempregados a aceitar mais baixos salários e, assim, tornar possível às empresas reduzir a sua massa salarial e aumentar as suas margens e lucros; tudo para reduzir o consumo, o investimento e, no final, as importações. E agradar aos mercados financeiros que nos "emprestaram" dinheiro a elevadas taxas porque os cânones liberais impedem o Estado de emitir moeda própria, de forma gratuita.
Vivia-se um estado político de emergência provocada, semelhante a um golpe de Estado, a um Estado invadido, em que todas as medidas se tornam possíveis, sem que haja oposição.
Mas aos poucos começou a haver.
E o que veio depois a acontecer, provocou uma tal hecatombe à direita, da qual, passados dez anos, o CDS não recuperou e o PSD ainda mal se refez tendo, para sarar as suas feridas - espanto político! - reabilitado precisamente a equipa responsável pelo desastre nacional que foi a aplicação da receita neoliberal em Portugal, da austeridade redentora. E até com as mesmas caras, mas agora branqueadas e lavadas pela comunicação social, porque, afinal, tinham tido funções menores no desastre...! Grande alívio.
A direita entrou, pois, numa crise que, aos poucos, está a ceder a passagem à extrema-direita, seja ela a dos jovens neoliberais urbanos ou a da tropa de choque proto-fascista, criada e alimentada para, quando for necessário, ser capaz de bater a esquerda nas ruas.
Mas a direcção do PS deveria estar atenta aos sinais que se vão formando pelo descontentamento das suas cedências a uma agenda europeia neoliberal, acelerada militarmente pela guerra em vários continentes. Que o PS não se torne - em mais um estado de emergência provocada - no mordomo europeu da preparação dos jovens nacionais para uma guerra que não é nossa.
sexta-feira, 8 de julho de 2022
O BCE deve subir a taxa de juro para combater a inflação?
Revelar o quadro teórico do qual se extraem as recomendações de política pública é um bom ponto de partida para uma discussão que se pretende transparente. A maioria dos proponentes da subida das taxas de juro tem como quadro teórico implícito a designada macroeconomia do novo consenso, ainda muito influente nos círculos europeus. A inflação é geralmente vista como o resultado de um excesso de procura na economia, que se expressa na exigência de salários nominais excessivos e incompatíveis com uma inflação estável. Uma taxa de inflação baixa é alcançada de forma indireta, através do controlo do poder reivindicativo do fator trabalho: a subida da taxa de juro abranda o ritmo de crescimento ou faz decrescer o investimento e o consumo privados. Essa diminuição da procura agregada causa aumento de desemprego, que reposiciona a reivindicação salarial num nível consistente com uma inflação constante.
Mas a inflação presente não tem origem no excesso de procura, nem na aceleração dos salários nominais. A inflação na zona euro, descontada dos custos de energia e de bens alimentares, é de apenas 3,8%. Os salários nominais negociados situaram-se em 2,8% no primeiro trimestre, o que compara com uma inflação global de 7,4%. Em Portugal, prevê-se uma quebra dos salários reais de 0.8%, o que, a par de um crescimento da produtividade de 3.5%, se concretizará numa transferência adicional de 4,3% do rendimento nacional do trabalho para o capital.
Ao invés, o debate internacional tem atribuído a inflação a três fatores do lado da oferta: os constrangimentos nas cadeias de produção globais, a subida dos custos energéticos, associada à guerra na Ucrânia, e a subida das margens de lucro dos setores oligopolistas, como é o caso da fileira energética, num contexto de desancoragem de preços.
Será que, num contexto em que a inflação é causada pelo lado da oferta, a subida da taxa de juro é eficaz? A resposta até pode ser eventualmente positiva, mas com efeitos dramáticos e desnecessários para a desigualdade e para o desenvolvimento. Configura a metáfora do tratamento que cura a doença matando o paciente O aumento da taxa de juro causaria uma recessão artificial, com o aumento do desemprego e contração salarial. Seriam os desempregados e os trabalhadores, cujos salários reais já estão em queda, a suportar todo o fardo do ajustamento, enquanto as margens de lucro continuariam a subir em muitos setores. Por outro lado, é uma trajetória que compromete o futuro da economia portuguesa. Nos últimos vinte anos, Portugal registou níveis de investimento muito baixos, em parte pelo efeito negativo da austeridade nas taxas de lucro. Aumentar a taxa de juro significa contrair a acumulação de capital, com reflexos muito negativos na capacidade produtiva e no ritmo de incorporação de inovação tecnológica. Ser defensor de uma subida da taxa de juro e ter simultaneamente como prioridades a convergência tecnológica e o aumento da produtividade da economia portuguesa é um paradoxo.
Mas o argumento mais preponderante na oposição à subida da taxa de juro advém da fragilidade macroeconómica em que Portugal se encontra. Com os stocks de dívida pública e privada que Portugal apresenta, usar a taxa de juro como instrumento de política monetária corre o risco de aumentar os custos de financiamento soberanos para níveis incomportáveis, como ficou demonstrado na passada semana. Sem uma solução robusta para os problemas de desenho institucional da zona euro, defender a subida das taxas de juro é aceitar o regresso da austeridade.
(Publicado originalmente no semanário Expresso)
Teme-se o pior
Começou hoje a discussão parlamentar da proposta de lei denominada pelo Governo de Agenda para o Trabalho Digno.
Hoje, foi um debate curto, de pouco mais de uma hora e que vai prosseguir em comissão parlamentar, onde se discutirá a proposta do Governo e os projectos dos deputados. Mas deu para perceber ao que se vem.
A ministra do Trabalho apresentou-se da mesma forma de sempre: com um discurso cheio de palavras redondas como se o PS - juntamente com a direita - não tivesse fortes responsabilidades na actual realidade laboral descrita pela ministra como "inadmissível" (!), como se Ana Mendes Godinho não estivesse no Governo desde 2015 e como ministra do Trabalho desde 2019, como se não tivesse aprovado em 2019 um pacote de medidas contra a precariedade (aliás com forte apoio patronal). Disse:
Esta é "uma das mais importantes e ambiciosas reformas em matéria de legislação laboral para chegar a milhões de trabalhadores"; é o resultado de "um processo longo que se iniciou com o Livro Verde sobre o Futuro do Trabalho", que incide sobre o "futuro colectivo", expressa em 70 medidas com quatro objectivos "muitíssimo caros": "o combate sem tréguas à precariedade e a valorização da promoção do trabalho digno", a "valorização dos jovens no mercado de trabalho", a "promoção da conciliação entre a vida profissional, pessoal e familiar" e a "real dinamização efectiva da negociação colectiva, promovendo a participação dos trabalhadores". "Esta é uma agenda forte, uma agenda corajosa, uma agenda ambiciosa de que o país precisa e de que os jovens precisam".
Apesar de o PS estar há 7 anos no Governo, Ana Mendes Godinho disse que a proposta "responde a graves problemas que, de forma absolutamente inaceitável, persistem no mercado e trabalho e na sociedade poertuguesa". Cerca de 62% dos jovens têm contratos precários e os seus salários são 40% abaixo dos contratos permanentes. "É isto que não podemos aceitar" (palmas do PS)... Medidas que passam por "combater o recurso abusivo ao trabalho temporário e à eterna precariedade como meio normal de contratação que é inadmissível!", (palmas do PS), "medidas para impedir esquemas de substituição por outsourcing após despedimento colectivo ou extinção do posto de trabalho"; "Medidas para impedir a eternização de uma vida permanentemente temporária com contratos temporários que impede qualquer estabilidade ou autonomização", etc., etc. tudo o que "socialmente não podemos aceitar!".Mas depois, foi incapaz de discutir os assuntos apresentados, incapaz de responder a questões políticas postas de diversas bancadas, respondendo de uma só vez (ou seja, esquivando-se) aos pedidos de esclarecimento que lhe foram postos e recorrendo a tiradas e chavões de marketing político.
O problema é mesmo a falta de casas?
Na reação à atual crise de habitação, que atravessa hoje a generalidade dos países europeus, incluindo Portugal, «a nossa direita apressou-se a identificar a "falta de casas" como a raiz do problema. Isto é, como se o que estivesse em causa fosse um simples défice de oferta. (...) Sucede, porém, que esta tese não colhe quando se olha para os números, tirando o tapete à leitura convencional a que a direita, convenientemente, deita mão. De facto, tanto o número de alojamentos (oferta) como de famílias (procura) pouco se alteraram ao longo da última década. O parque habitacional aumentou em cerca de 111 mil fogos entre 2011 e 2021 (+1,9%) e as famílias residentes em cerca de 105 mil (+2,6%), ao passo que o Índice de Preços da Habitação (IPH) subiu vertiginosamente no mesmo período, “descolando”, em termos de ritmo de crescimento, da evolução da oferta e da procura.»
O resto da crónica pode ser lido no Setenta e Quatro.
quinta-feira, 7 de julho de 2022
Quando é que a AR vai discutir a crise?
Discute-se na AR a moção de censura apresentada pelo Chega. Infelizmente, os discursos passam ao lado das causas mais importantes da crise que estamos a viver e que, tudo o indica, se agravará nos próximos meses. E as causas são estas:
1) o colete de forças da moeda única (vulgo "Portugal das contas certas") que leva o Governo a evitar uma negociação séria das carreiras na Administração Pública (SNS, Educação, etc.), a admitir que terá de voltar a olhar para o sistema de pensões com os óculos do neoliberalismo, a limitar o essencial do investimento público ao PRR, a conduzir uma política de relações públicas dirigida aos mercados financeiros, a exibir um discurso de "bom aluno" no quadro de uma UE cada vez mais pressionada pelos países da Europa central e de leste, ou seja, no quadro de uma UE submissa aos interesses geo-estratégicos dos EUA;
2) as sanções económicas e financeiras decretadas contra a Rússia que, como muitos previram (comparando com sanções antecedentes), não impedem a guerra, não derrubam Putin, nem afundam a economia russa, pelo menos pelo que se viu até agora. Um verdadeiro "tiro no pé" da UE com consequências que se afiguram gravíssimas, sem que a Ucrânia tenha qualquer benefício.
Na realidade, as sanções produziram na UE uma gravíssima crise de energia (última hora: nacionalizações na Alemanha e na França), possivelmente também uma crise alimentar de grande escala no Sul global, uma enorme subida do custo de vida que mais uma vez agravará a vida dos pobres e de boa parte da classe média, um abalo no excedente comercial da Alemanha, um novo cenário internacional que pode pôr em causa o modelo de crescimento alemão, com repercussões negativas para o resto da zona euro. Recorde-se que a Alemanha é o terceiro destino das exportações portuguesas.
Isto, ao mesmo tempo que o BCE anuncia subidas (cautelosas, é certo) da taxa de juro para "combater" uma inflação que nada tem a ver com excesso de procura, e a UE promete com grande espectáculo um novo alargamento que (a concretizar-se, o que duvido) produzirá na UE o caos institucional, como de resto António Costa já percebeu.
O melhor cenário para os próximos meses seria uma situação de relativo equilíbrio no confronto militar que conduzisse a Rússia e a Ucrânia a aceitarem o regresso às negociações.
Eu sei que este cenário é injusto para a Ucrânia invadida, cuja classe dirigente, pouco importa agora as suas motivações, acreditou poder contar com outros exércitos ao seu lado para submeter os separatistas e enfrentar a Rússia. E tinham alguma razão para acreditar nessa ajuda musculada porque, embora 'de jure' a Ucrânia estivesse fora da NATO, a NATO estava 'de facto' na Ucrânia antes do golpe de 2014. Um dia saberemos mais sobre esta trágica instrumentalização da Ucrânia pelos EUA.
Na verdade, os EUA conduziram a Ucrânia a uma situação-limite, como bem explicam os diplomatas que conhecem a História e, estando agora aposentados, não se sentem condicionados pela propaganda.
Também por compaixão para com o povo ucraniano, precisamos de algum realismo para pôr fim à tragédia. O trio Scholz-Macron-Draghi devia ter a ousadia de dizer a Joe Biden (alguém acredita?) que a guerra tem de terminar já, até porque o stock de armas e munições dos fornecedores está perto do fim.
Enquanto esperamos por melhores dias - uma espera activa, pela minha parte - devemos dispensar a voz dos falcões da guerra (dos que querem uma "solução militar"). Ouçamos antes a voz de diplomatas experientes, de académicos que anteciparam o que estamos a viver, de militares que trabalharam para a NATO, ou mesmo o idoso Henry Kissinger, gente que conhece bem o que nos conduziu a este beco e sabe como isto ainda nos pode conduzir à catástrofe nuclear. Alguns exemplos: (1), (2), (3).
Querido diário - O passado actual
| Público 5/7/2012 |
Sim, não é um engano. Este artigo foi publicado ... há 10 anos. Mas, com as devidas adaptações estatísticas, poderia ter sido publicado... hoje.
Passaram dez anos, mas podem passar ainda mais. Porquê? Porque aquilo que impediu que se mudasse continua a fazer perdurar os seus efeitos. Há fortes e externos condicionalismos. E são tão mais fortes esses condicionalismos porque, precisamente, são externos.
Podemos votar. Mas podemos mudar?
terça-feira, 5 de julho de 2022
Aumentar os salários agravaria a inflação? Not so fast
Portugal é um dos países da OCDE em que os salários mais perderão com a inflação prevista para este ano. Apesar de se prever uma redução do poder de compra ao nível do período da troika, o Governo não tem mostrado intenções de atuar. António Costa fez questão de explicar que não aprovaria aumentos salariais extraordinários este ano porque “temos mesmo de travar a inflação e não multiplicá-la numa espiral que depois ninguém sabe como é que se controla”. O ministro das Finanças, Fernando Medina, disse que a subida dos salários seria “ilusória” porque provocaria aumentos de preços na mesma proporção.
segunda-feira, 4 de julho de 2022
Querido diário - A Direita que quis reduzir os salários está aí outra vez
| Público, 3/7/2012 |
Dez anos antes de Luís Montenegro proferir a sua intervenção vencedora no 40º Congresso que o empossou como presidente do PSD, o Governo que o então chefe da bancada parlamentar social-democrata apoiava, foi responsável pela descida salarial nunca vista e que ainda perdura. As notícias de 2012, parecem aliás um déjà vu do que se vive actualmente.
Pedro Passos Coelho - tão ovacionado pelos delegados ao dito 40º Congresso do PSD - presidiu, com o Paulo Portas do CDS, a um Governo que quis tomar nas suas mãos a revolução (neo)liberal respaldada pela intervenção externa da troica. Hoje, esse ideário é mal assumido por causa do fracasso económico então gerado e do descontentamento geral que atirou o PSD para o deserto e o CDS para o fundo. Hoje, o PSD quer branquear-se, embora sem mudar de programa económico. E nem mudam de caras.
Maria Luís Albuquerque, a arrogante ministra das Finanças, escolhida depois da fuga de Vítor Gaspar para o FMI, é repescada, como se nada lhe tivesse passado pelas mãos. Carlos Moedas - hoje presidente da Câmara Municipal de Lisboa e um dos mais ovacionados oradores no dito Congresso - afirmou na SicNotícias que não tinha funções de decisão no Governo Passos Coelho (como foi o caso do aeroporto de Lisboa), quando na verdade foi secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro encarregue de coordenar a aplicação das medidas do Memorando de Entendimento com a troica de que Passos Coelho disse querer "ir além". Jornalistas que então apoiaram o Governo de direita como uma autêntica revolução libertadora, defendem agora na televisão (como na RTP) que isso de "ir além da troica" é um mito, que Passos Coelho nem ninguém do CDS alguma vez o disseram, quando na verdade... todos o disseram!
Ora veja-se:
No regresso do passismo, nada de novo
«Montenegro não queria dizer ao que vinha, mas de onde vinha. E a incompreensão do que foi a geringonça é evidente quando pinta um retrato tremendo sobre a forma como os portugueses olham para os últimos seis anos, esmagadoramente desmentido pelos resultados eleitorais. O guião foi o habitual: a esquerda tem ideologia, a direita tem soluções para as pessoas. Depois, veio uma intervenção quase exclusivamente ideológica.
Baseado num conceito de liberdade essencialmente anti-social-democrata, o debate que Montenegro propõe fazer sobre políticas públicas é o de saber o que mais pode ser entregue ao privado. Mais nada de relevante existe no seu esboço programático. É preciso o SNS recorrer o privado contra o qual o Estado tem, apesar de gastar 40% dos seus recursos em saúde com ele, um preconceito ideológico. Montenegro parece querer, como a IL, transferir para o setor privado a generalidade da prestação dos serviços de saúde, reservando ao Estado o papel de financiador. Se não é isto, o resto não esteve no seu discurso. Nem uma proposta sobre a fixação de profissionais de saúde no público ou investimento no SNS. Até quando fala do ensino pré-escolar, a questão já não é a necessidade de recorrer ao privado, é o Estado abster-se de criar uma rede pública para não criar concorrência desleal ao negócio.
Nas propostas do combate à inflação, os salários estiveram ausentes. Montenegro propõe um programa assistencialista que deve aproveitar os ganhos fiscais com a inflação, apesar de no mesmo momento propor baixar os impostos e dispensar esses ganhos fiscais. Para a economia, baixar impostos resolve. Tudo o resto é genérico.»
Daniel Oliveira, O passismo voltou, que a gestão ao centro está ocupada
sábado, 2 de julho de 2022
Querido diário - desemprego, saúde e empregos mal pagos
Neste mesmo dia, há 10 anos, entravam em vigor - pela mão do Governo de passos Coelho/Paulo Portas e Pedro Mota Soares como ministro da Solidariedade - as alterações legais que reduziram significativamemte a protecção aos trabalhadores no desemprego. Essa foi uma das formas de reduzir os salários médios, ao forçar os desempregados a aceitar piores condições salariais nos empregos que surgissem. O grosso destas alterações legais, por incrível que pareça, ainda se encontram em vigor. Por incrível que possa parecer também, o Partido Socialista presentemente no poder tem por objectivo melhorar o peso dos salários no PIB (de 45 para 48% do PIB).
| Público, 2/7/2012 |
E um velho senhor que sempre trabalhou a desigualdade na distribuição do rendimento, dava uma entrevista e criticava a austeridade que nessa altura imperava e reinava militantemente por parte do PSD e do CDS no poder. E dizia coisas que hoje até deve provocar arrepios na coluna de uma direita que se mostra jovem, mas que defende o mesmo de sempre: uma baixa de impostos, que, na prática, resulta numa baixa de impostos para quem mais tem e que mais devia pagar.
Anthony Atkinson criticava igualmente a estratégia alemã de expansão do emprego - que viria a marcar toda a Europa - criando muito emprego mal pago, desprotegendo o desemprego, fragilizando a contratação colectiva, privatizando um número considerável de sectores, tudo redundando num aumento da pobreza. E tudo deliberadamente decidido!
Actual, não é? Foi há dez anos.
A memória é um país distante (X)
«Oficialmente, nada está ainda estabelecido quanto ao local onde se situará o novo aeroporto internacional de Lisboa. Parece, no entanto, decidido que seja na margem sul do Tejo e, tudo indica, numa proporção de 90%, que será na zona plana que, a partir de Rio Frio, na estrada do Montijo a Águas de Moura, para lá do marco geodésico conhecido pela 'Guarita do Chaparral do Homem', a perder de vista, até ao apeadeiro do caminho de ferro de Venda do Alcaide, um terreno, em parte, coberto por chaparros, árvores baixas e tortuosas, cuja madeira apenas serve para lenha.»
Diário de Notícias, 29 de janeiro de 1969
sexta-feira, 1 de julho de 2022
Ladrões em Junho
Com cerca de 13 mil seguidores no facebook e a aproximarmo-nos dos 4 mil no twitter, e ainda com a recente colaboração semanal com o Setenta e Quatro, temos boas razões para continuar. Pedalemos pois.































