sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Tem a certeza, Dra. Isabel Jonet?

Na entrevista de hoje ao DN, Isabel Jonet lança o alerta: «há outra vez mais gente endividada, com salário penhorado, sem subsídio de desemprego». Isto porque, segundo a presidente do Banco Alimentar, «a recuperação económica que houve não chegou às famílias mais pobres», apesar de «algumas melhorias em abonos». «Aquilo que eu noto», acrescenta, «é que nos últimos meses sentimos como que algum agravamento da situação das famílias mais carenciadas».

Curiosamente, o INE divulgou também hoje os resultados do Inquérito ao Rendimento e Condições de Vida, que dá conta da redução do risco de pobreza de 19,0 para 17,3% entre 2015 e 2017, com uma diminuição igualmente significativa no universo das formas mais extremas de carência: a população em situação de privação material severa passa de 9,6 para 6,9%, numa quebra que ronda as -283 mil pessoas (estimando-se que este indicador atinja os 6,0% em 2018).


A presidente do Banco Alimentar poderia de resto olhar para as estatísticas da instituição que dirige e que convergem com os indicadores oficiais. Entre 2015 e 2017 o número de beneficiários do BACF diminuiu em cerca de 66 mil (-15,2%), passando o peso relativo do número de pessoas assistidas na população total de 4,2 para 3,6%.


Com uma entrevista concedida na véspera de mais uma campanha de recolha de alimentos, é de admitir que Isabel Jonet tenha considerado a necessidade de «forçar a nota» (mesmo que à custa da deturpação da realidade), para melhorar o fund raising (ou food raising, melhor dizendo). O que, convenhamos, não deixa de alimentar a suspeição de que os «objetivos» empresariais do BACF se sobrepõem, uma vez mais, à alegada «causa» a que a instituição se dedica.

15 comentários:

Jose disse...

"os «objetivos» empresariais do BACF se sobrepõem, uma vez mais, à alegada «causa» a que a instituição se dedica"

Uma frase que dispensa um par de «» na clareza da insídia.

Geringonço disse...

Isabel Jonet: "Não ganho um tostão há 25 anos. Sou voluntária, é quase uma missão de vida."

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/30-nov-2018/interior/isabel-jonet-ha-outra-vez-mais-gente-endividada-com-salario-penhorado-sem-subsidio-de-desemprego-10255047.html


Eu bem digo, tipos e tipas como a Jonet e o Jose vivem acima das possibilidades e com o dinheiro dos outros...

Anónimo disse...

Esses gráficos estão qualquer coisa. Qual a necessidade de truncar o eixo? Propaganda? Meta isso a começar no zero.

Jose Antonio Pereira disse...

Hoje não deixei de dar o meu possível contributo para o Banco Alimentar contra a Fome, mas confesso que começo a ficar farto.
AFINAL QUANDO É FAZEM UM FIM DE SEMANA DE BANCO DE LUTA CONTRA OS QUE PROVOCAM A FOME, HEIN?!

Eu vou dando com a esperança que alguma coisa certamente chegará a quem precisa e por respeito pelos voluntários que dão o seu tempo e o seu trabalho na recolha dos donativos. Mas todo o processo, de resto, me deixa muitas suspeitas a começar pela sua coordenadora, a sra. Jonet, que acha que a malta come bifes a demais...

Miguel Caetano disse...

"Há vários sinais de alarme a chegar ao Gabinete de Apoio ao Sobreendividado (GAS), da Deco, o que leva a directora deste serviço, Natália Nunes, a temer que o número de famílias que vai deixar de conseguir pagar os encargos dos empréstimos possa disparar nos próximos anos, como aconteceu no período que se seguiu a 2008. A pretexto do Dia Mundial da Poupança, Natália Nunes não esconde preocupação com o impacto que pode ter no orçamento das famílias uma queda no emprego, uma possível subida de taxas de juros para quem tem empréstimos à habitação, ou um aumento das rendas para quem tem contratos de curta duração.

Um dos sinais de alarme mais evidentes está no aumento de pedidos de ajuda registados de Janeiro a Outubro, que totalizaram 26.180, mais 100 que em igual período de 2017. O aumento começou a ser visível desde Março, mês em que se registou um crescimento de 50 pedidos face ao periodo homólogo, adiantou ao PÚBLICO a directora do GAS, destacando que também têm aumentado os pedidos de atendimento presencial, o que mostra a maior gravidade das situações a reportar."

https://www.publico.pt/2018/10/31/economia/noticia/pedidos-ajuda-familias-endividadas-subir-desde-marco-1849414

Jose disse...

Enquanto despedir pessoal for um drama, admitir pessoal será um drama.
Enquanto despejar inquilinos for um drama, casas a preços decentes será um drama.
Enquanto o Estado for um antro de emprego inútil, de sinecuras e de baixa produtividade, o Estado Social tem no BACF o seu indicador de ineficiência.

Anónimo disse...

Não contribuo para instituições privadas de solidariedade.
Dou ("dou") para o Estado, ajudo pessoalmente quem quero e posso. Discricionário? Também o BA.
Posto isto, quero ver como o Portugal aguenta o seu endividamento quando os juros subirem. Aí quero ver os resultados do milagre económico e da redistribuição da riqueza.

José disse...

BACF????....ou será banco alimentar para as grandes superficies e cofres do estado?...No dia em que o estado deixar de cobrar o IVA destes produtos doados e as grandes superficies os venderem a preço de custo (sem o seu lucro)....aí sim, contribuerei de boa vontade.

esteves, ayres disse...

Deixei de participar em Campanhas Alimentares(BA), e quando o faço é só para, "CENTRO DE APOIO AO SEM ABRIGO", é uma das muitas instituições que não tem propaganda na comunicação social.
Vamos la saber por quê?
No caso do "BA";é controlado pela burguesia e uma parte da media e pequena-burguesia!

Quanto as estatísticas.
A maioria dos portugueses nunca foram chamadas a responder este tipo de inquéritos. e pelo que me foi dito, são enviadas cartas pelos serviços, onde os cidadãos dão as suas respostas, as perguntas apresentadas.
A não ser que este governo dito de esquerda tenha alterado este sistema.
Não acredito neste tipo de estatísticas sobre a pobreza!
Como sabemos existe em Portugal cerca de 2,5 milhões de pobres abaixo do linear da pobreza. E não digo mais nada porque posso ser multado ou preso..

Anónimo disse...

O que é a Taxa de privação severa? Como é calculada?

Jose disse...

«No caso do "BA";é controlado pela burguesia e uma parte da media e pequena-burguesia!»


Os pobres comerem pela mão dessa gente só pode ser falta de consciência de classe!!

Anónimo disse...

Uma variação de 0,4% não parece muito significativa

Anónimo disse...

Quando se argumenta estatisticamente usando gráficos que tanto começam em 4 como em 2 e por ultimos meses se entendem os de há um ano... Distraiam-se dos sinais e de alibis que habilmente se vão construindo...

José Maria Veiga Coelho disse...

O que me espanta é aparentemente ninguém reparar na publicidade que grupos económicos privados fazem nas sacas que o BACF distribuiu à entrada. Este ano de 2018 foi um banco (já useiro nestas andanças) e a associação da indústrias da celulose (eucaliptos). Há anos atrás, era uma seguradora. Quer dizer, os voluntários (boas pessoas, sem dúvida) são manipulados para serem usados como entregadores de publicidade e o BACF presta-se a ajudar o negócio (e os lucros) privado à custa da fome e miséria alheias. Estamos perante a perversão completa do que é a caridade. E, para cúmulo, vemos associações escutistas, cuja Lei obriga à protecção das plantas e dos animais (a Natureza), de braço dado com os grandes plantadores e incentivadores da plantação de eucaliptos.

Ana Paula disse...



"Não entram aqui políticos a não ser o Presidente Marcelo mas porque ele é especial."

Isabel Jonet, ás camaras da TVI no domingo dia 1 de Dezembro,
ladeada pelos Presidentes da República de Portugal e Cabo Verde.

Antonio Silva Augusto.