sábado, 3 de novembro de 2018

Expedientes liberais

Não se pode negar que o fascismo e movimentos semelhantes, visando ao estabelecimento de ditaduras, estejam cheios das melhores intenções e que sua intervenção, até ao momento, salvou a civilização europeia. O mérito que, por isso, o fascismo obteve para si estará inscrito na história. Porém, embora sua política tenha propiciado salvação momentânea, não é do tipo que possa prometer sucesso continuado. O fascismo constitui um expediente de emergência. Encará-lo como algo mais seria um erro fatal.

Não sei porquê, mas nos últimos tempos tenho-me lembrado desta passagem do livro Liberalismo, da autoria de Ludwig von Mises (1881-1973), um dos mais destacados economistas políticos liberais do seu tempo. Publicado em 1927, ilustra bem como todos os expedientes valem, numa certa tradição liberal internacional, para que se imponha a versão mais intransigente dos direitos de propriedade privada, em face de movimentos vistos como ameaçadores, até porque portadores de outros direitos mais abrangentes.

Saltando quase um século, é possível afirmar que a direita portuguesa até é bastante liberal na sua atracção pelos expedientes autoritários favoráveis aos negócios, ao contrário do que afirma António Araújo. Realmente, Bolsonaro e seus apoiantes não enganam no campo que mais conta, em última instância, e que é o da economia política.

O que engana é a ficção, alimentada por uma certa esquerda e direita, de uma tradição liberal limpa de todo o variado trabalho sujo, intelectual e político, requerido ao longo da sua história: do elitismo abertamente anti-democrático ao tratamento penal da questão social, passando pelo imperialismo, colonial ou não, ou pelos expedientes autoritários, sem esquecer as mais recentes instituições supranacionais europeias, esvaziadoras dos Estados democráticos e sociais de base nacional.

É por denunciar esta ficção que a contra-história do liberalismo, a história de alguns dos seus mecanismos de exclusão, da autoria do saudoso Domenico Losurdo, deve ser traduzida.

74 comentários:

Jose disse...

Fica-me sempre a convicção de que estas associações direita-liberalismo, direita-fascismo-liberalismo são artificioso modo de não centrar a discussão entre capitalismo e socialismo.

A evidência de que capitalismo sempre requer uma larga margem de liberalismo e que socialismo sempre o exclui é a questão a decidir os campos na discussão.

Quando socialistas se põem a discutir o grau de liberalismo no capitalismo importa constatar que visam inviabilizar o capitalismo, nada mais os satisfará nunca.
Há uns híbridos que ainda proclamam uma mistela a que chamam social-democracia, que a par de liberdades cívicas sempre tendem a promover um qualquer totalitarismo mitigado sobre a economia. Só as liberdades cívicas os distinguem dos fascistas.

Mas o verdadeiro socialismo, o único possível, o comuna, esse faz o pleno do totalitarismo; liberalismo é palavra proscrita para todo o uso que não estigmatizar o inimigo.

Anónimo disse...

Fica a convicção ao jose?

E que tal jose sair daquela margem de mediocridade própria dos filhos família de patos bravos do fascismo, alimentados a pão-de-ló por salazar e pela pide e ir estudar um pouco mais?


Anónimo disse...

A “ convicção “ de jose tem as características típicas de ignorância pura e dura

Mas vai muito mais além do que isso. É-lhe manifestamente incómodo o desmascar das associações assim retratadas.

Que diacho, o fascismo ser uma âncora do neoliberalismo quando necessário, dá-lhe cabo da propaganda da sua doutrina. Não da doutrina porque esta ê o que é. Mas daquela propaganda continua, tenaz, persistente, em prol do regime pelo qual milita

E isso é ficar como que nu.

E temos que assistir a estes epifenomenos de ignorância tonta e idiota

Anónimo disse...

Os esforços de jose para tentar integrar o fascismo luso, naquela normalidade das sociedades civilizadas, falham se lhe denunciam as ligações tentaculares.

Os esforços de jose tentar normalizar bestas como Franco ou a guerra civil de Espanha falham se lhe desmontam o enredo salazarista


Anónimo disse...

Mas há mais

Jose, por entre as margens do seu palavreado, dirá que o “ capitalismo sempre requer uma larga margem de liberalismo”

Este tipo é um aldrabão. O regime pelo qual chora de saudades requeria uma larga margem de liberalismo?

Um aldrabão sem escrúpulos, que nem sequer respeita a memória do que anda para aí a dizer

Já conhecemos estes antigos filhos-família e o seu carácter

Anónimo disse...

A denúncia desta história liberal, cantada e decantada pelos que a tentam apresentar como despida do que lhe é intrinsecamente sujo e sórdido, deixa assim incomodado jose

Tanto que a asneira continua, num registo inequívoco mais uma vez de ignorância ou de deturpação

“ Quando os socialistas se põem a discutir o grau de liberalismo no capitalismo”?

Pobre jose. Faltaram- lhe alguns estudos para compreender o que é dito no texto, não? É ir ler de novo para ver se é desta

Mas há mais neste pequeno registo de iliteracia. Há também aquele tom de censor, de rancor pela discussão franca e aberta, de saudades pelo tempo da censura-prévia. Como se sabe a “profissão” de censor já foi aqui defendida por josé

Ora que diacho, então os malvados dos socialistas já se põem a discutir essa coisa do liberalismo? E no capitalismo ainda por cima?

Tão cristalinamente transparente

Anónimo disse...

Mas no seu incómodo ( e raiva) por este excelente texto, jose vai mais longe

A social- democracia ( seja lá o que isso agora seja) é-nos apresentada como um” totalitarismo sobre a economia”

Ensandeceu o coitado. De como um colonialista salazarento nos idos do fascismo, se transforma neste amante extremista e extremoso dos mercados uberalles é a prova provada e concreta das ligações fundas e fortes entre o fascismo e o neoliberalismo

Tão cristalinamente transparente.

Mas desta vez um obrigado por esta confirmação involuntária

Anónimo disse...

A coisa continua no domínio da farsa. Mas não só

No seu assumido destrambelhamento ideológico fundamentalista, jose vai mais longe. E considera até que só as liberdades cívicas distinguem os sociais-democratas dos fascistas

Isto é a prova provada que estes tipos já se sentem com o à vontade suficiente para assumirem as palhaçadas de um bolsonaro

A serpente s sair do ovo. E já mostrou do que é capaz

Anónimo disse...

Quanto à caracterização do verdadeiro socialismo...

Não dá. Isto não é ignorância. É idiotice rasca e idiotia. Daquela papada como antigo filho-família à mesa da sua endeusada Legião. Por entre os berros wue Angola era nossa

E para esse espectáculo circense já demos

Jose disse...

Três sobressaltos e coisa nenhuma!

Anónimo disse...

Jose lá sabe os sobressaltos que tem

Mas adivinha-se que os tenha mais e em maior grau. Estilo sezões entremeadas com os tempos de nudez no ginásio

Agora se os tremores do jose não ficarem com chiliques, ê voltar ao tema do post

Anónimo disse...

Já viram como as convicções de Myses se confundem com as de jose?

Um, assumido neoliberal de gema, a defender o fascismo. O outro na posição simétrica

O esforço danado do sujeito para esconder as similitudes.

Eles amam-se. Só que este não quer que os vejam juntinhos, pelo que há que há que dizer tantas asneiras disfarçadas de convicções.

Para ver se o namoro permanece incógnito

Jaime Santos disse...

Só quem é ou muito ingénuo ou intelectualmente desonesto é que poderá negar o cortejo de vítimas do imperialismo ocidental, ou a sua aliança com as ditaduras de Direita, nomeadamente dos EUA no continente americano.

Igualmente ingénuo ou intelectualmente desonesto é, por outro lado, quem reduz a meros crimes ou desvios o cortejo de vítimas e o esmagar de direitos pelo comunismo ou pelo nacionalismo dito progressista, João Rodrigues.

Sistemas que se baseiam na repressão da autonomia individual e dos direitos dos indivíduos em nome de um qualquer paraíso na terra futuro não poderiam trazer outra coisa que não o fim das liberdades, a pobreza e a destruição ambiental. São afinal a imagem refletida no espelho do fascismo, ele também um movimento de massas, afinal.

A única soberania que vale a pena é a dos cidadãos livres e iguais. A de uma qualquer vanguarda medíocre e sangrenta é tão má e às vezes pior que a servidão a um império liberal.

E não, tais sistemas nem sequer serviram para manter o capitalismo ocidental em sentido, a não ser que se argumente que isso valeu o sacrifício da liberdade dos povos do Leste Europeu, coisa que recuso acreditar que defenda.

Sabe também por que é que o neo-liberalismo reina sem opositores, tirando talvez uns populistas de Direita cujo programa económico é, a mais das vezes muito liberal, afinal? Porque a Esquerda da Esquerda perdeu qualquer moral para criticar o autoritarismo quando o usou e abusou na URSS e na Europa de Leste...

Como é que se diz e depois queixem-se, em Russo?

Anónimo disse...

Francamente Jaime Santos, mude esse disco que já fede

Leia lá a história do Loaurdo sobre o liberalismo em vez de dizer patacoadas. Lá está a verdadeira face dos seus heróis liberais.

Afinal foram bem piores que quaisquer sonhos idiotas que são salivarmente debitados sobre os mauzoes das fitas do JS

Anónimo disse...

Errata: losurdo

Anónimo disse...

A imagem reflectida dos crimes liberais dá origem a estas cenas indignadas de pseudo-virgens a lastimarem-se pela virgindade perdida

Deve ser por um espírito teológico peculiar que JS fala em moral. Nem disso se trata (de questões Morais, ja que a “ moralidade” de JS já foi aqui bastas vezes apresentada pelo próprio) nem o pecado é uma forma de constranger o que quer que seja.

Espiar os pecados alheios será uma nova forma de argumentar politicamente?

Que cheiro a bafio

Anónimo disse...

Por isso e apesar desse anti- comunismo cristalizado,será altura de lhe relembrar que de facto a URSS colocou em sentido o capitalismo predador.

O estado social foi filho de tal receio

Pelo que se prescindem essas cenas macacas sobre os pobres povos do leste e o seu sofrimento atroz.

Tais fitas só se justificam quando os factos desmentem o paleio

Como é o caso

Anónimo disse...

Sabe por que o neoliberalismo reina sem opositores da parte da ex social democracia?

É porque esta se apressa sempre a gritar pelas grilhetas de Bruxelas,mal ouve um espirro contestatario

Anónimo disse...

O recente caso do jornalista da Arábia Saudita, assassinado com aqueles de selvajaria requintes todos, em plena embaixada do seu país na Turquia, foi (mais) um dos exercícios de barbárie abjecta

Se tal se tivesse passado com os russos, a que cenas histéricas estaríamos a assistir? Por um caso muito mais duvidoso e que mete água por todos os lados ( Skripal) vimos todo o estendal mediático de sanções e de berros em voz de falsete

Como se passa com a Arábia Saudita,toda a gente está à espera que Trump dê por concluídos os negócios com esta


Vem isto a propósito da forma como se contam as "histórias". E é citado um exemplo actual para fundamentar a falta de escrúpulos de certas gentes.


Como é que se diz e depois queixem-se, na língua dos que manipulam assim a História?

Anónimo disse...

Vem isto a propósito deste post que fala nos "expedientes neoliberais"

Fala-se de Myses e das suas simpatias pelo fascismo. Denuncia-se "o variado trabalho sujo, intelectual e político, requerido ao longo da história (do liberalismo): do elitismo abertamente anti-democrático ao tratamento penal da questão social, passando pelo imperialismo, colonial ou não, ou pelos expedientes autoritários, sem esquecer as mais recentes instituições supranacionais europeias, esvaziadoras dos Estados democráticos e sociais de base nacional"

O que diz JS depois de um primeiro parágrafo quase que envergonhado sobre o tema?

Fala nos "crimes do comunismo ou do nacionalismo dito progressista" ( isto será já um pendor colonialista não confessado?)

Depois seguem-se meia dúzia de parágrafos em que de forma diligente JS tenta esconjurar o que se denuncia, apontando com o dedo de forma grosseira e manifestamente cúmplice ( com o que é denunciado) para o outro lado.

É desta forma que se dá (também) a beber a ideologia dominante.

E é com muitos JS nas redes sociais que se mascara uma realidade que de impoluta não tem nada. A nossa sociedade, dita moderna e ocidental assenta numa série de acontecimentos bárbaros e inenarráveis. Mas olha-se para o outro lado para assim esconder a trampa própria

Anónimo disse...

Infelizmente JS vai mais longe. E numa demonstração que atrás de um liberal está um agente autoritário com poucos escrúpulos, assistimos ao cerceamento da liberdade de lhe criticarem a podridão que reina no seu reino.

Dirá: "a Esquerda da Esquerda perdeu qualquer moral para criticar o autoritarismo ...blablabla"

A que propósito assistimos a isto? Para criticar tem que se apresentar a certidão da filiação partidária ou responder a um inquérito sobre as simpatias ideológicas? Já chegámos a este ponto?

Caro Jaime Santos, era o que mais faltava que a pretexto de juízos morais e de rodriguinhos moralistas, ainda por cima datadas, se tente limitar o direito à livre crítica, nos dias de hoje e pelos homens de hoje.

Tal tentativa de condicionar o debate não passa


Manuel Silva disse...

Anónimo das 21:24, de 3/11:
Domenico Losurdo (1941-2018) foi um filósofo marxista italiano, crítico radical do liberalismo, do capitalismo e do colonialismo.
Quanto à reflexão sobre o maior fiasco da alternativa ao capitalismo, que devido à sua falência, nos finais do século XX, nos atirou para os braços do capitalismo mais selvagem que se possa imaginar (interpretado por figuras tão sinistras como Trump, Bolsonaro, Salvini, Le Pen, Órban, Kaczyński, Duterte, etc.), essa reflexão ficou para o Losurdo fazer junto de S. Pedro (talvez com a ajuda divina ela possa ser mais rica e assertiva).
Estou esclarecido.

Anónimo disse...

Manuel Silva está esclarecido

Ainda bem, ninguém está aqui para ensinar nada ao sujeito

Mas ê francamente de mau tom o comentário sobre S Pedro e a reflexão final junto deste. Parece assim aquele tom pesporrento de um outro Silva, o Cavaco. Ou quiçá mesmo de um traulliteiro qualquer, ressabiado com qualquer facto.

Que este Silva não comcorde com o que o filósofo diz é uma coisa. Que lhe interponha a morte como insuficiência para não ter postado os amores ou os desamores do sr Silva é outra coisa.

Talvez esteja a invocar a ajuda divina para se saber comportar de modo um pouco mais civilizado.

Quanto à alternativa ao capitalismo, parece que existe.

Tal como houve uma alternativa ao Passos após as eleições de Outubro de 2015.

Também nessa altura o Sr Silva foi, e identicamente de forma grosseira, contra tal solução

Anónimo disse...

Quando aos braços que este silva quer responsabilizar pelos bolsonaros aí a coisa fia mais fino

O filho do bolsonaro quer criminalizar os comunistas. Como dizia o poeta, estes serão os primeiros. A estes outros se seguirão

Talvez o sr silva queira subscrever o projecto do bolsonaro filho. São no fundo mais parecidos do que se pensa. Têm os mesmos ódios e esgares.

Manuel Silva disse...

Ao Anónimo das 15:42 e 16:01:
[O mesmo desdobrado em dois, como é hábito na charica onde o nomearam para a tarefa: parecer sempre que são muitos mais do que são].
Os controleiros partidários bolsam controleirices.
E têm tudo registado, como este se atreve a mostrar publicamente.
A PIDE também sabia tudo de todos desde o nascimento até à morte de cada um.
Que se há-de fazer, não é defeito, é feitio [ou método de trabalho].
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P.S. A votação do Sr. João Ferreira no Parlamento Europeu, em defesa do Sr. Vítor Órban, aquele democrata dos 4 costados, mostra bem quem, «no fundo, é mais parecido do que se pensa».
Vá-se encher de moscas, Sr. controleiro.
As suas lições de moral convencem quem?

Jose disse...

'criminalizar os comunistas'

Atitude nada democrática!
Já sendo fascistas, é um legítimo direito da democracia criminaliza-los.
Donde se conclui que os comunistas são democratas?
Não imediatamente, é preciso adjectivar a Democracia, é preciso que se diga que não sendo burguesa é A Verdadeira: orgânica e estruturada.

João Pimentel Ferreira disse...

A retórica de Bolsonaro é primária, nojenta, boçal e troglodita, e se fosse brasileiro não teria qualquer dúvida em votar Haddad.

Todavia questionemo-nos: o país da América do Sul mais próspero, com maior qualidade de serviços públicos, melhores salários e maior PIB per capita, é o Chile. O mais miserável é a Venezuela. Alguém encontra um padrão com referência à teoria económica e à escola de Chicago?

Os verdadeiros liberais repudiam o fascismo, da mesma forma que gente decente de esquerda repudia o estalinismo. Mas não há por aí tanto saudoso de esquerda que aplaude regimes que em quase nada se diferenciam do fascismo? Vimos o dr. Louçã e respetivos acólitos repudiarem com a mesma veemência o regime venezuelano, como catalogam Bolsonaro de fascista, antes mesmo de tomar o poder?

A retórica de Bolsonaro é marcadamente fascista e por isso é repudiável e nojenta. Mas ainda é apenas retórica. E com o regime venezuelano que já passou aos actos há muito tempo? Onde está o delírio da esquerda anti-fascista? E os comentadores de esquerda que por aqui vemos, ao deleitarem-se com o regime fascista italiano vigente? Porque não o repudiam!? Porque é um regime eurocético?

Caro João Rodrigues, não se ludibrie portanto! Há mais denominadores comuns entre o fascismo e a esquerda portuguesa, do que você imagina!

Repito que a retórica de Bolsonaro é primária, nojenta, boçal e troglodita, e que se fosse brasileiro não teria qualquer dúvida em votar Haddad.

Anónimo disse...

Ora bem

Quem diz que "o maior fiasco da alternativa ao capitalismo, que devido à sua falência, nos finais do século XX, nos atirou para os braços do capitalismo mais selvagem que se possa imaginar" é alguém assim para o medíocre.

Porque esta frase é um absurdo.Porque é cobarde. Porque é mentira.E porque revela uma boçalidade anti-comunista de bradar aos céus

Nem sequer se questiona agora a "falência" em causa. Porque também aí se poderia dizer muito, já que as alternativas ao capitalismo não abrem falência como acontece com a honestidade do sr manuel silva

Manuel silva foi atirado para os braços de bolsonaro por tal falência?

Anónimo disse...

O sr manuel silva vê fantasmas em toda a parte. Até se rebela com comentários desdobrados.

Não consegue ver que são da mesma pessoa?
É que um é a continuação de outro. E é manifesto que os dois comentários referidos sãoda mesma pessoa

Uma questão de inteligência básica. Pelo que se lastima mais uma vez, mas o um desdobrado em muitos são coisas mais para o outro lado.

Claro que isto é difícil de perceber pelo sr silva.
Não só por intrínsecos motivos ideológicos, como também por questões de intelecto.

Ainda não há muito andou a fazer figuras bem tristes, referenciando outros comentários como dirigidos a si. Como é hábito teimou. Também como é habito a demonstração da idiotice foi de tal forma, que teve que voltar atrás.

Anónimo disse...

Manuel silva fala depois em "controleiros"

Pobre manuel silva. Aquele hábito de bolsonaro agora não se desgruda da sua pele?

Tenha um pouco de inteligência. Eu escrevo por mim. Ninguém me diz o que devo ou não escrever. Não tenho "controleiros"

Se manuel silva quiser fizer birra dessa forma ressabiada é lá com ele. Nem ele consegue, sobre o tema, papaguear mais do que esta idiotice. Nem se consegue demonstrar mais nada

Uma hipótese de trabalho para o pobre sr silva. Talvez seja eu Domenico Losurdo vindo lá do outro mundo e mandatado por S. Pedro sabe-se lá para quê.

Anónimo disse...

Continuando a desmontar o paleio do nosso convertido chegamos a outra parte bem negra, na postura ideológica deste tipo.

(As relações entre a Pide e o sr silva não estão aqui em debate. Não estão aqui em debate porque casos assim individuais de gente medíocre não me interessa para nada).

Poucos houve que, aqui, se manifestaram tão cedo e tão grosseiramente contra a viabilização de um governo de António Costa.

Aí um admirador dessa mesma pide, um tal jose fê-lo em termos enraivecidos e racistas.

O sr manuel silva destacou-se pela sua posição. Grosseira como já se disse e insultuosa

Ora bem. A memória é uma coisa tramada. Se esta memória falta ao sr silva para se lembrar do que disse, outros ficaram chocados por tal defesa objectiva de um governo de Passos. Da parte de quem andava com a boca no trombone contra este mesmo passos

Mas o que suspeitamos é que manuel silva se lembra bem das suas posições de anti-comuna primário ( anti-comuna primário e não só).

Só que não os tem no sítio para assumir o que andou a dizer.

Ou seja é a cobardia e a falta de carácter que o empurra para idiotices sobre a Pide.

Infelizmente para ele, o respeito pelo próprio é uma condição que prezo. E ainda não passou tanto tempo para que a memória dos berros histéricos do sr silva se tenham apagado.

Anónimo disse...

Quanto ao que João Ferreira disse no parlamento pode discutir directamente com ele. Acho que não deve ser difícil contactá-lo ou o seu partido

Até posso discutir a minha posição quando o tema estiver em discussão. Acho até que S.T já abordou por aqui o caso, com uma honestidade intelectual que não se vislumbra infelizmente no sr silva

Mas francamente, não é isso que está em debate. Percebe-se que a cobardia também dê para fugas em direcção a políticas partidárias ou a amores ou desamores do sr silva.

A falta de verticalidade tem também destas coisas. Embora o que sobre sejam de facto os "ódios e esgares" do sr Silva.. Tal como o outro


Anónimo disse...

Quanto ao que jose diz

Mais uma vez um misto de auto-comiseração e de aldrabice

Aí num outro post está a explicação quase que por inteiro.

É jose sair da sua zona e ir lê-lo.

Quanto aos fascistas não são estes que são criminalizados. O que é criminalizado é a prática de actos fascistas. E a sua organização

Artigo 46
4. Não são consentidas associações armadas nem de tipo militar, militarizadas
ou paramilitares, nem organizações racistas ou que perfilhem a ideologia
fascista.

Há mais?

Claro que há

Anónimo disse...

A última vez que joão pimentel ferreira apareceu por aqui, com o seu nome próprio, não disfarçado de outros nicks e com esta foto do século passado, não só foi para insultar o LdB como blog, como também os seus autores. Entre os quais o próprio João Rodriges, a quem vem agora pedir batatinhas neste jeito enjoativo e delicodoce.
Não se lembra pimentel ferreira de, num misto de paroxismo histérico com um descontrolo emocional patético. ter jurado que não voltava mais?

Tem que renovar os votos.

Como se sabe voltou e tem voltado. Muitas vezes. Mas a cena com que tinha dito adeus foi tão canalha, que tinha tido a vergonha de voltar "incógnito" para assim não lhe atirarem à cara mais uma vez o que de facto é.

Num dos seus últimos nicks, assumia-se como "Vitor" e envergava o fatinho dum contestatário anti-neoliberal...embora defendesse tudo o que fosse do foro. Uma espécie de cavalo de Tróia para fazer passar a sua tralha ideológica.

Infelizmente ( para ele) auto-desmascarou-se e meteu o rabinho entre as pernas. E o "Vitor" sumiu-se, não sem antes apagar o comentário que o identificava como joão pimentel ferreira

https://ladroesdebicicletas.blogspot.com/2018/10/repeticao.html


Anónimo disse...

Agora volta a apresentar assim deste modo a escola de Chicago. O tema já teve pasto para muitas linhas. E já se falou de Myses, defendido apologeticamente por aquele, como até de Goebbels, que este tipo teve a falta de vergonha de citar.

Pode-se indicar alguns dos locais onde se encontra a discussão à volta deste assunto e do devido desmontar da tralha neoliberal.

Por agora vem esta a propósito de denunciar mais uma vez o trafulha que é o Vitor pimentel ferreira aonio eliphis Pode parecer excessivo chamar assim deste jeito "trafulha" a um tipo. Mas confesso que este termo é apenas o mais suave para qualificar pimentel ferreira. E como o é ( trafulha) espero que o autor do post mo desculpe.

Diz o vitor pimentel aonio eliphis ferreira etc etc etc:
"O mais miserável é a Venezuela."

De como ele tira tal conclusão é um mistério

https://www.indexmundi.com/g/r.aspx?v=67&l=pt

https://www.indexmundi.com/map/?t=0&v=67&r=sa&l=pt

https://www.indexmundi.com/map/?t=0&v=67&r=ca&l=pt

Tem "jeitinho" o sujeito. Ainda se candidata a um lugar para o séquito do ministério da propaganda dos bolsonaros a haver.

Anónimo disse...

"Os verdadeiros liberais não repudiam o fascismo"?

Só alguém muito idiota se atreve a dizer, depois de termos lido a frase de Mises que encima este belíssimo texto de JR

"Não se pode negar que o fascismo e movimentos semelhantes, visando ao estabelecimento de ditaduras, estejam cheios das melhores intenções e que sua intervenção, até ao momento, salvou a civilização europeia."

Mais uma vez apanhado nas suas próprias redes.

Anónimo disse...

Há mais?

Claro que há.

" catalogam Bolsonaro de fascista, antes mesmo de tomar o poder? "

Sim. Pela retórica também. Mas tal como o pimentel ferreira tem muita prática em ser este sujeito pouco honesto e neoliberal que por aqui nos aparece ( repare-se que posso fundamentar a acusação e que este qualificativo não é um insulto vão), também Bolsonaro tem já uma prática avançada.

27 anos de congressista. Ao serviço do fascismo.

Mais uma vez vitor joão pimentel ferreira enredado nas redes da sua ignorância. E da sua cumplicidade com o dito cujo

Anónimo disse...

"Em The Road to Somewhere; The Populist Revolt and the Future of Politics , David Goodhart mostra que a força motora por detrás do populismo não é o amor fascista duma nação radical. É a anomia – um sentimento duma vaga ameaça existencial que a modernidade coloca. Isso aplica-se a todas as formas de populismo de direita no Ocidente.

Assim, temos a oposição entre "alguns locais" e "quaisquer locais". Temos "alguns locais" que querem que a democracia da nação seja confinada apenas às etnias nacionais, sem que a cultura nacional seja contaminada por influências "estrangeiras".

E temos "quaisquer locais" que habitam o vórtice pós-moderno, sem raízes, do multiculturalismo e das viagens internacionais de negócios. Estes são uma minoria demográfica – mas uma maioria nas elites políticas, económicas, educativas e profissionais.

Isso leva Goodhart a fazer uma distinção fundamental entre populismo e fascismo – ideológica e psicologicamente.

A distinção legal comum encontra-se na lei constitucional alemã. O populismo de direita é "radical" – portanto, é legal. O fascismo é "extremo", portanto é ilegal.

É errado rotular Trump de "fascista". Bolsonaro foi rotulado pelo Ocidente de "o Trump tropical". O facto é que Trump é um populista de direita

Os registos revelam Bolsonaro como um tipo racista, misógino, homofóbico, defensor das armas, favorecendo um Brasil branco, patriarcal, hierárquico, hétero-normativo e "homogéneo"; um absurdo numa sociedade profundamente desigual, ainda devastada pelos efeitos da escravatura e em que a maioria da população é de raça mista. Além disso, historicamente, o fascismo é uma Solução Final burguesa radical com vista à aniquilação total da classe trabalhadora. Isso torna Bolsonaro um fascista total.

Trump ainda é mais moderado do que Bolsonaro. Não incita os seus apoiantes a exterminar literalmente os seus opositores. Afinal, Trump tem que respeitar o enquadramento duma república com instituições democráticas muito antigas, mesmo que defeituosas.

Isso nunca aconteceu com a jovem democracia brasileira – em que um presidente pode comportar-se como se os direitos humanos fossem uma conspiração comunista em conluio com a ONU. As classes trabalhadoras brasileiras, as elites intelectuais, os movimentos sociais e todas as minorias têm toda a razão para recear a Nova Ordem. Nas palavras de Bolsonaro, "serão banidos da nossa pátria". A criminalização/desumanização de qualquer oposição significa, literalmente, que dezenas de milhões de brasileiros não valem nada. "

Pepe Escobar, Jornalista, brasileiro

Anónimo disse...

O guru económico de Bolsonaro é da escola de Chicago. Terá passado pelo Chile de Pinochet

Aceitou mesmo uma cadeira na Universidade do Chile, no tempo precisamente deste canalha.


Um neoliberal ao serviço de um fascista. Um fascista ao serviço de um neoliberal. Tal como nos tempos de Friedman.

Estão mais uma vez confirmados os denominadores comuns entre o fascismo e o neoliberalismo

E mais uam vez joão pimentel aonio eliphis apanhado nas suas próprias redes.


E antes que tenhamos que ouvir os louvores da canalha pelos pseudo-êxitos dos rapazes da escola de Chicago, recordemos o que um outro comentador(ST) postou a propósito:

"É que do Chile já tratámos em comentários lá para trás, e que me lembre, ficou sobejamente estabelecido que o êxito do Chile não se ficou a dever aos boys da escola de Chicago e muito menos à besta do Pinochet".

Anónimo disse...

A «democracia para o povo dos senhores» pode facilmente transformar-se numa ditatura para o povo dos senhores.

"Andrew Jackson era o presidente do Estados Unidos no momento em que Tocqueville fez a viagem que levou à publicação da “Democracia na América”. É verdade que este presidente liquida em grande parte a discriminação censitária dos direitos políticos. Mas, paralelamente, encontramo-nos com um proprietário de escravos que, igualmente, ordena a deportação dos Peles Vermelhas (os cherokees). Foram homens, mulheres, velhos, crianças: um quarto morreu durante a viagem. Deveríamos considerar que Jackson é um democrata? Os autores da Declaração da Independência e da Constituição de 1787 são igualmente proprietários de escravos, logo, durante trinta e dois dos primeiros trinta e seis anos de existência dos Estados Unidos, a função de presidente é ocupada por proprietários de escravos, muitas vezes implicados na expropriação e deportação dos Peles Vermelhas."

Domenico Losurdo

Anónimo disse...

Os Estados Unidos daquela época eram uma democracia?

"Em geral, afastam-se estas questões através do recurso a um historicismo vulgar: as sociedades liberais teriam herdado práticas e relações sociais universalmente difundidas. Mas os factos são inteiramente diferentes. Tocqueville publica o primeiro livro da “Democracia na América” em 1835. Nesta data, a escravidão havia desaparecido em grande parte do continente. Na esteira da Revolução Francesa, a revolução dos escravos negros em São Domingos dá o impulso do processo de emancipação. Depois a revolução da América Latina explode a dominação espanhola: ela também se conclui com a abolição da escravatura. A revolução dos colonos ingleses que conduziu à fundação dos Estados Unidos é a única do continente americano a manter e mesmo reforçar e estender a instituição da escravatura: depois de ter arrancado o Texas ao México, a república norte-americana ali reintroduz a escravatura anteriormente abolida. Mais uma vez coloca-se a questão: os Estados Unidos daquela época eram uma democracia?

É mais adequado falar de Herrenvolk democracy, ou seja, de democracia que vale somente para o “povo dos senhores”. Quando este regime acabou nos Estados Unidos? Com o fim da Guerra de Secessão e a abolição da escravatura que se seguiu? Na realidade, um dos capítulos mais trágicos da história dos afro-americanos foi escrito entre o fim do século XIX e princípios do século XX. O linchamento era um horrível espectáculo de massa. Quero citar aqui um historiador americano:

“As notícias de linchamento eram publicadas nas folhas locais e vagões suplementares eram acrescentados aos comboios para [transportar] os espectadores, por vez milhares, vindos de localidades situadas a quilómetros de distância. Para assistir ao linchamento, as crianças das escolas podiam ter um dia de liberdade. O espectáculo podia incluir a castração, o esfolamento, a assadura, o enforcamento, os tiros. As recordações para os compradores podiam incluir os dedos das mãos e dos pés, os ossos e mesmo os órgãos genitais da vítimas, assim como cartões postais ilustrados do acontecimento”.

Outro historiador americano (George M. Fredrickson) observa que “os esforços para manter a “pureza da raça” no Sul dos Estados Unidos antecipam certos aspectos da perseguição lançada pelo regime nazi contra os judeus nos anos 1930″. Nos Estados Unidos, o Estado racial sobreviverá algum tempo após o afundamento do Terceiro Reich: em 1952, uma trintena de estados da União ainda proibiam o casamento e as relações sexuais inter-raciais, por vezes consideradas como delitos graves"

Domenico Losurdo

Anónimo disse...

ADMIRÁVEL É VER LOUÇA NO BANCO DE PORTUGAL !

ADMIRÁVEL É VER A ESQUERDA AGORA CALADA COM AS PPP*S E AS "AJUDAS" À BANCA

ADMIRÁVEL O SILÊNCIO DA ESQUERDA EM RELAÇÃO AOS BENEFÍCIOS FISCAIS OBSCUROS.

ADMIRÁVEL VER A ESQUERDA APROVAR ORÇAMENTOS POUCO TRANSPARENTES E SE SILENCIAR CATIVAÇÔES NOVO NOME PARA CORTES.

ADMIRÁVEL VÊR O ESTADO VENDER PATRIMÓNIO TODOS OS DIAS E A ESQUERDA A BERRAR COM A FALTA DE HABITAÇÃO .

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S.T. disse...

Eu tinha prometido a mim mesmo que interferia com Jaime Santos, por demais limitado para o meu gosto. Mas...

Houve uma frase dele que me deixou a pedra no sapato, e por ser uma questão básica requer que se ponham as coisas em pratos limpos. A frase foi:

"A única soberania que vale a pena é a dos cidadãos livres e iguais."

Ora, apesar das limitações de Jaime Santos não se pode deixar de corrigir que sem soberania não pode haver democracia, e sem democracia os "cidadãos livres e iguais" de que fala JS não passarão de uma quimera.

Diz Jacques Sapir:

"Nécessité de la souveraineté

La souveraineté est ainsi nécessaire à l’action politique, à ce passage du « je » au « nous », de l’individu à l’action collective. Si nos décisions sont d’emblée limitées, quelle utilité à ce que nous fassions cause commune, que nous pensions la « chose publique » ou Res Publica ? La souveraineté définit donc cette liberté de décider qui caractérise les communautés politiques que sont les peuples à travers le cadre de la Nation et de l’Etat. Cet oubli de la dimension nécessairement sociale et collective de notre liberté caractérise le point de vue « libéral », point de vue qui lui-même transcende les divisions « gauche-droite », et qui, il ne faut pas s’en étonner, s’avère hostile dans certains de ses courants à cette notion de souveraineté."

Ou seja:

"Necessidade da soberania"

"A soberania é, portanto, necessária para a ação política, para essa passagem do "eu" ao "nós", do indivíduo à ação colectiva. Se as nossas decisões são limitadas desde o início, para que serve a nossa causa comum, se pensamos na "coisa pública" ou na Res Publica? A soberania define, assim, essa liberdade de decidir que caracteriza as comunidades políticas que são os povos através da estrutura da Nação e do Estado. Esse esquecimento da dimensão necessariamente social e coletiva da nossa liberdade caracteriza o ponto de vista "liberal", um ponto de vista que transcende as divisões "esquerda-direita" e que, não deveria ser surpreendente, é hostil em algumas de suas correntes a essa noção de soberania."

É triste ver que supostos sociais democratas não percebem as bases do pensamento que constituem os fundamentos do sistema político. E demonstra uma terrível indigência intelectual. Não admira que depois os "cidadãos livres e iguais" de que fala Jaime Santos não tenham depois sustentáculo prático e a democraticidade do europeísmo seja uma balofa e ridícula opereta bufa.

S.T.

Jose disse...

Obrigado pelo texto: sabia que existia mas não conhecia os termos.

Artigo 46
4. Não são consentidas associações … que perfilhem a ideologia
fascista.

Democracia é isso mesmo nada de agrupamentos fascistas; faz-me lembrar a regra de 'proíbem-se ajuntamentos de mais de uma pessoa'.

Anónimo disse...

Nada mesmo de agrupamentos fascistas

Eu sei, isso incomoda o actual neoliberal jose, que perfilhou em tempos os almoços da Legião e os “ para Angola e em força “ do sabujo de serviço

Mais uma vez se aconselha jose a ler o que diz aí um texto do LdB. Exemplarmente cristalino a reafirmar que não se deve deixar a matilha reunir-se de novo

Ou a civilização ou a barbárie fascista.

A questão ê clara e não são os que tentam o regresso da besta que nos devem convencer a abandonar a vigilância

Anónimo disse...

Às 17 e 39 aparece aos berros o próprio Joäo Pimentel Ferreira

Aos berros e por um duplo motivo:

-Para ver se assim passa a sua identificação.

-Para manifestar a sua raiva e frustração
pelo facto do seu nickname “ contestatário” ,um tal de “ Vitor”, ter sido desmascarado

Voltamos assim ao folclore de ver o Joäo pimentel Ferreira aonio Eliphis repetir a boçalidade da propaganda do Observador.

Travestido de revolucionário da banha-da-cobra

João Pimentel Ferreira disse...

José, chama-se paradoxo de Karl Poper: uma democracia não pode tolerar fascismos sob pena de colocar em causa a própria democracia. Tolerar o fascismo é tolerar a intolerância e no momento que o fascismo singra, acaba a liberdade de expressão, expediente evocado pelos fascistas para propagarem o seu ideário.

João Pimentel Ferreira disse...

Claro que o Cuco da corte, não se indigna com o fascismo xenófobo vigente em Itália, não fosse este eurocético, nem nunca vimos no LdB qualquer celeuma ou frenesim com o regime venezuelano ou norte-coreano. É uma indignação à la carte, típica de esquerda.

Anónimo disse...

"Chama-se paradoxo de Karl Popper..." blablabla e blablabla

"Não se pode negar que o fascismo e movimentos semelhantes, visando ao estabelecimento de ditaduras, estejam cheios das melhores intenções e que sua intervenção, até ao momento, salvou a civilização europeia"
"Liberalismo" Ludwig von Mises".

"Os verdadeiros liberais repudiam o fascismo"
João pimentel ferreira


Chamar-se-á a "isto", o paradoxo de joão pimentel ferreira ou simplesmente trata-se da sem vergonhice e a desonestidade habitual em tais coisas?

Anónimo disse...

Primeiro a Venezuela era o país mais miserável da América Latina.

Desmascarada a mentira, em vez de pedir desculpa pela manipulação, pimentel ferreira quer frenesim em torno da Venezuela.

Coitado do dito cujo. Não contente em tentar desviar o tema do post quer que este blog siga a agenda neoliberal

Para isso está a comunicação social cheia, logo encimada pelo Observador. Ao qual pimentel ferreira presta fiel serviço

Quer uma pseudo-indignação à la carte, típica da tralha neoliberal? Isto com toda a certeza.

Mas quer sobretudo que não se demonstre as ligações entre o fascismo e o (neo) liberalismo

Tal como quer silêncio absoluto sobre as cenas macacas que andou a fazer por aqui e a sua figura de pantomin(a)(eiro) quando utilizava o nickname de Vitor

Anónimo disse...

A indignação à la carte de acordo com a agenda neoliberal continua no seu melhor:

"catalogam Bolsonaro de fascista, antes mesmo de tomar o poder?"

Não se riam por favor porque temos aqui um tema interessante.

Fascista só é fascista quando toma o poder. Se é o poder como presidente da república ou como ministro da justiça,isso é algo que não sabemos. Mas sem tomar o poder não pode ser fascista


Talvez esteja aqui a explicação para o facto dos fascistas desaparecerem imediatamente quando são derrubados, como aconteceu a 26 de Abril de 1974...

Anónimo disse...

A "democracia para o povo dos senhores" e a história do Ocidente

Contudo, seria errado concentrar a atenção exclusivamente nos Estados Unidos. A categoria Herrenvolk democracy também pode ser útil para explicar a história da Inglaterra que, imediatamente após a Gloriosa Revolução liberal de 1688-89, arrebata à Espanha o monopólio do tráfico dos escravos negros e reforça sua opressão sobre os irlandeses impondo-lhes uma condição comparável àquela dos Peles Vermelhas. Ou melhor, a categoria Herrenvolk democracy pode ser útil para explicar a história do Ocidente enquanto tal. Com efeito, entre o fim do século XIX e os princípios do XX, a extensão do sufrágio na Europa caminha a par com o processo de colonização e a imposição de condições de trabalho servis ou semi-servis às populações submetidas: a rule of law, o governo da lei na metrópole capitalista entrelaça-se com o poder arbitrário e policial e mesmo com o terror imposto nas colónias. Se se examinar bem, é o mesmo fenómeno que caracteriza a história dos Estados Unidos com esta diferença: no caso da Europa as populações colonizadas ao invés de viverem na metrópole são dela separadas pelo oceano. De modo significativo, na segunda metade do século XIX, um liberal de esquerda como John Stuart Mill por um lado celebra a liberdade e justifica-a, por outro lado celebra o "despotismo" do Ocidente sobre as raças ainda "menores" destinadas a observar uma "obediência absoluta".

Domenico Losurdo

Anónimo disse...

"A "democracia para o povo dos senhores" tem vida dura!

Chegado a este ponto, sintetizando e actualizando os resultados do meu livro, Contre-histoire du libéralisme (La Découverte, 2013 na tradução francesa), coloco-me três perguntas: a ultrapassagem da "democracia para o povo dos senhores" resulta de uma evolução espontânea do liberalismo? A resposta deve ser um não categórico. Em Dezembro de 1952, o ministro americano da Justiça envia uma carta eloquente ao Tribunal Supremo que está em vias de discutir a questão da integração nas escolas públicas: "a discriminação racial leva água ao moinho da propaganda comunista" que se difunde entre os afro-americanos (assim como entre todos os povos submetido à dominação colonial e racista). No século XX, o movimento comunista foi o grande adversário do colonialismo, da "democracia para o povo dos senhores" e do Estado racial.

E agora a segunda pergunta: o Estado racial americano exerceu influência sobre a Europa? Em 1930, um ideólogo do nazismo de primeiro plano, como Alfred Rosenberg, exprime sua admiração pela América da white supremacy, este "esplêndido país do futuro" que teve o mérito de formular a feliz "nova ideia de um Estado racial", ideia que era pois questão de também por em prática "com a força da juventude" na Alemanha. Hitler também se reclama explicitamente do modelo americano: na Europa Oriental, os índios a submeter são os eslavos que é preciso dizimar a fim de permitir a germanização do território e aqueles que serão poupados serão destinados a trabalhar como os escravos negros ao serviço da raça dos senhores (os judeus, ao contrário, são assimilados aos bolcheviques, tanto uns como outros devendo ser eliminados enquanto ideólogos e instigadores da revolta das "raças inferiores"). Naturalmente, é preciso manter em mente a distinção entre democracia (ainda que limitada somente à raça dos senhores) e ditadura. E contudo... Retornemos aos Estados Unidos nos anos que antecedem a Guerra de Secessão. Tocqueville observa a dureza das pensa infligidas àqueles que ensinavam os escravos a ler e escrever. Naturalmente, a proibição visava excluir a raça dos servos de toda forma de instrução. E em caso de violação desta regra, os proprietários brancos eram os primeiros a serem atingidos. Além disso, as regras proibiam a miscigenação, as relações sexuais e os casamentos inter-raciais. Ou, mais uma vez, visando tornar hereditária e invariável a condição dos escravos, estas regras acabavam por trazer um grave atentados à liberdade dos proprietários. Por outras palavras, o regime da "democracia para o povo dos senhores" limitava profundamente a liberdade dos proprietários de escravos, confirmando a grande fórmula de Marx e Engels segundo a qual um povo que oprime outro não poderia ser livre.

Domenico Losurdo

Anónimo disse...

"Pode-se pensar do que acontecia quando os escravos se rebelavam ou quando os proprietários temiam serem privados da sua "propriedade" de um modo ou de outro. As testemunhas da época relatam: "o serviço militar [das patrulhas brancas] é assegurado noite e dia, Richmond parece uma cidade sitiada [...] Os negros [...] não se arriscam a comunicarem entre si por medo de serem punidos". Os abolicionistas brancos também eram afectados porque eram considerados como traidores da raça branca e por isso eram assimilados aos negros. Vamos dar, mais uma vez, a palavra às testemunhas da época: aqueles que criticam a instituição da escravatura "não ousam sequer intercambiar opiniões com aqueles que pensam como eles por medo de serem traídos". Todos são constrangidos pelo terror a "não abrirem as bocas, a abafar suas próprias dúvidas e a enterrar suas próprias reticência". Como se vê, a dominação terrorista que os proprietários de escravos exerciam sobre os negros acabava por atingir duramente os membros e as fracções da classe dominante. Em condições de crise aguda, a "democracia para o povo dos senhores" pode facilmente transformar-se numa ditadura para o povo dos senhores. Entre o Estado racial nos EUA e o Estado racial na Alemanha, há elementos de continuidade e de descontinuidade.

Finalmente, a última pergunta: a "democracia para o povo do senhores" desapareceu totalmente dos nossos dias? Inegavelmente, muitas coisas mudaram a gigantesca vaga de revoluções anti-coloniais irrompendo no mundo a partir de Outubro de 1917 e, sobretudo, de Estalingrado. Contudo, a ideologia dominante celebra Israel como a única democracia autêntica do Médio Oriente. Salvo que a rule of law, o governo da lei para os cidadãos israelenses de pleno direito caminha a par com a expropriação, a deportação, a prisão arbitrária e mesmo a execução extra-judicial perpetrados contra os palestinos: é a democracia para o povo dos senhores. E à escala internacional? Pisoteando de modo explícito o princípio da igualdade entre as nações, os Estados Unidos e o Ocidente continuam a arrogar-se o direito soberano de invadir, bombardear, submeter a embargo e à fome este o aquele país mesmo sem a autorização do Conselho de Segurança da ONU. Às proclamações vibrantes prestando homenagem à liberdade e à democracia corresponde a tentativa de exercer uma ditadura no plano internacional. Infelizmente, a "democracia para o povo dos senhores" tem a vida dura!"

Domenico Losurdo

João Pimentel Ferreira disse...

Excelente texto, obrigado pela partilha. Li-o na totalidade. Mas deixo a pergunta: prefere a democracia para o povo dos senhores, ou a ditadura do proletariado?

Jose disse...

Domingos O Surdo pela mão do palavroso Cuco!
Que seca...

Anónimo disse...

Domingos o Surdo?

Estará este comentador a tentar fugir à desfilada ou isto é prova de senilidade?

Seja o que for é marca profunda duma impotência patética.

A "isto" está reduzida a célula cinzenta deste sujeito. A variações infantis (ou senis?) e profundamente idiotas sobre um nome.

Anónimo disse...

Mas independentemente da idiotice quase que "bovina" sobre um nome, há um outro pormenor que importa destacar

É o agastamento e a crispação que tal comportamento revela. Confirmada pela chamada ao palco daquele que parece ser o terror do jose, o tal cuco.

Sinal evidente de destrambelhamento e de desnorte.


E agitará a mão , num gesto com o seu quê de efeminado ( sem que isso traduza mais do que o gesto habitual entre uma certa classe social), esticará o dedo mindinho como se pegasse numa improvável chávena de chá e comentará para o lado:

"Que palavroso"
"que seca"

Quase que se jurará que pedirá os seus sais

Jose disse...

Faz-te um homenzinho e larga o anonimato.

Anónimo disse...

Não nos afastemos todavia do essencial.

E o essencial é a denúncia do que são os expedientes liberais. E os excelentes fragmentos aí em cima transcritos.


Tão excelentes que merecem a sua reeleitura. Sobretudo para aquele sujeito que dá pelo nome de joão pimentel ferreira e que agora se aproxima à frente, no seu jeito de declamador de literatura de cordel, a pedir batatinhas. Mais um expediente liberal

Ora vejamos.

Há quem tenha ideias diferentes e que exponha com maior ou menor nitidez as suas ideias. Há quem tenha opiniões diametralmente opostas a outrém e que consiga debater séria e civilizadamente com esse "outrém". Há quem se perfile politica e ideologicamente noutro campo e que conduza debates com o adversário com elevação e nível.

Infelizmente nada disso se passa com vitor joão pimentel ferreira aonio eliphis etcetcetc.

Basta ler aí em cima algumas considerações sobre o sujeito. E se o sujeito não apresenta o mínimo de respeito pela sua própria pessoa, terão que ser outros a demonstrar que a sua aldrabice e má-fé não passam impunes

S.T. disse...

Ha-Ha-Ha-Ha-Ha!

Chegámos aos falsos dilemas:

"prefere a democracia para o povo dos senhores, ou a ditadura do proletariado?"

Olhe, se faz favor, para mim pode ser um governo populista à italiana.

É que parece que continua a haver eleições normalmente.

Ainda não houve nenhum assalto a uma sede partidária comunista.

Assassinatos políticos de pessoal de esquerda também não consta que haja (nem de direita!).

Os judeus ainda não são perseguidos.

A imprensa é anti-governamental mas ainda nenhum jornalista foi lapidado ou cortado às postas.

Os sindicatos funcionam normalmente e nenhum dirigente sindical foi perseguido.

E no twitter continuo a ver os comunistas "amigos" de populistas e a partilharem tweets!

Portanto parece que está tudo calmo e dentro da normalidade democrática.

Fascismo parece que só na cabeça do Sr Pimentel.

Talvez seja possível defender os interesses da maioria sem oprimir nenhuma minoria.

E talvez o dilema do Sr. Pimentel seja falso e uma idiotice infantil.

S.T.

S.T. disse...

Em contrapartida situações há em que não há nenhum dilema.

Por exemplo, o presidente francês, Emmanuel Macron prepara-se para homenagear o marechal Pétain, que, como se sabe, foi um colaboracionista com o nazismo. Não só isso como deportou judeus para os campos de extermínio, etc.

Ora digam-me cá se os cadáveres dos mortos da resistência francesa ao nazismo, tanto comunista como de direita, não deram três voltas nas suas sepulturas?

https://www.thejc.com/news/world/shock-emmanuel-macron-announces-french-nazi-marshal-p%C3%A9tain-honoured-first-world-war-service-1.472148

S.T.

Anónimo disse...

"Dilemas" de pimentel ferreira não esclarecidos.

- A Venezuela é o país mais pobre da América Latina e o Chile o mais rico?

- A escola de Chicago é o padrão de referência ou a referência é o padrão da escola de Chicago?

- "os verdadeiros liberais repudiam o fascismo" ou "Não se pode negar que o fascismo e movimentos semelhantes, visando ao estabelecimento de ditaduras, estejam cheios das melhores intenções e que sua intervenção, até ao momento, salvou a civilização europeia."?

-catalogam Bolsonaro de fascista, antes mesmo de tomar o poder ou ele já era mesmo fascista antes de qualquer tomada do poder?

-Um neoliberal está ao serviço de um fascista ou um fascista ao serviço de um neoliberal?

- O João Rodrigues pode-se ou não ludibriar?

- Sob que nick vai aparecer o joão pimentel ferreira ?

- A indignação serve-se a la carte ou não se serve a la carte?


De todos ( e mais alguns ) dilemas de vitor joão pimentel ferreira, reina no final o silêncio. Apressado e comprometido

Será que tal silêncio tumular é em prol da democracia para o povo dos senhores ou em prol da ditadura do proletariado?


João Pimentel Ferreira disse...

Caro Cuco

Usando o argumentário e bitola política do seu camarada ST, para aferirmos o que é ou não fascismo, já esquartejou Bolsonaro comunistas, mandou fechar jornais ou enviou Judeus para campos de morte?

ST, para si, Hitler não era fascista em 1933?

E sim, a Venezuela é o país mais pobre da América do Sul, e o Chile é o mais rico.

S.T. disse...

A constituição italiana de 1947 é uma das mais progressivas do mundo e continua a sê-lo, apenas com os entorses do "pareggio de bilancio" de 2012.

E o que eu observo é que enquanto Bolsonaro profere ameaças de actos ilegais no quadro constitucional brasileiro, Salvini defende a constituição italiana de 1947.

Portanto não confundamos os granéis.

Parece que há mais quem por aqui quem leia Pepe Escobar, que num artigo arrasador explica como foi "fabricado" o fenómeno Bolsonaro.

https://www.zerohedge.com/news/2018-10-30/pepe-escobar-blasts-brazils-bolsanaro-welcome-jungle

Nazismo e fascismo são fenómenos distintos.

A História é instrutiva para quem a saiba entender:

"Keynes predicts economic chaos"

https://www.history.com/this-day-in-history/keynes-predicts-economic-chaos

Eu presumo que os leitores apreciem as boas referências que explicam os "como" e os "porquês". Boa leitura!

S.T.

João Pimentel Ferreira disse...

Caro ST, obrigado pelo texto, li-o na totalidade. Percebo que queira fazer um comparativo entre o tratado de Versalhes e as dívidas públicas dos países do sul da Europa, mas julgo que a tensão bélica latente, bem cono as consequências económicas, são totalmente diferentes. Ademais não é comparável reparações de guerra impostas unilateralmente, visto que os aliados não foram obrigados a pagar os estragos feitos à Alemanha, com dívida contraída num contexto de mera má gestão das finanças públicas.

S.T. disse...

João Pimentel Ferreira é pouco sagaz e ainda menos rigoroso no que toca a raciocínios económicos. Termina com a boutade de dizer que "a dívida (foi) contraída num contexto de mera má gestão das finanças públicas", o que já por diversas vezes lhe foi demonstrado ser falso.

Por acaso o ponto que se pretendia vincar com o artigo sobre Keynes não era "a dívida".

Era mais para salientar como o rigorismo austeritário e deflacionista esteve na origem directa das convulsões que conduziram ao nazismo.

E de qualquer modo a Alemanha acabou por sempre ver perdoadas as reparações de guerra e a isso deve em grande medida a sua prosperidade.

"visto que os aliados não foram obrigados a pagar os estragos feitos à Alemanha" ??? Está visto que andou a fumar daquela coisa que faz rir, não é? LOL

Já agora... Era giro se fossem os aliados a pagar reparações de guerra à Alemanha. (sarcasmo!)

Sabe que é prática dos "loansharks" ou agiotas aumentarem os juros para tornarem mais difícil o pagamento das dívidas. Mas se o loanshark controla o salário da vítima pode obter o mesmo efeito reduzindo os salários do desgraçado. É um processo chamado deflação salarial.
Não é preciso fazer um desenhinho para se perceber que a deflação induzida pela Alemanha tem exactamente o mesmo efeito, pois não?

Há muito que é óbvio que os desequilíbrios e os débitos acumulados apenas podem ser resolvidos através de uma inflação que os reduza ou através de um substancial haircut.

É significativo que um dos candidatos à liderança da CDU alemã reconheça que a Alemanha gozou e goza de um privilégio monetário que não deveria ser isento de contrapartidas.

O meu comentário está aqui,

https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4018985866499281301&postID=8636618566679693022&page=1&token=1541792054085

mas para comodidade de leitura posso reproduzi-lo abaixo.

S.T.

S.T. disse...

S.T. disse...

Tenho mais dois cromos para a troca! :)

Lembram-se do infame Sr. Poul M. Thomsen? Esse mesmo! Aquele homem do FMI que veio cá supervisionar a austeridade passista.

Ora bem, pasmem as alminhas, o Sr. Poul M. Thomsen decidiu escrever sobre como a abordagem da Islândia à crise foi afinal tão, mas tão, tão bem sucedida. Espantoso, não é?

https://blogs.imf.org/2011/10/26/how-iceland-recovered-from-its-near-death-experience/

Segundo cromo: O Sr Merz, que é candidato à sucessão da Sra Merkel, falou e disse:

“And this currency, which is in the meantime too weak for our economy, is still too strong for most of the others,” he added, speaking English at the event in Berlin.

“We are benefiting within the European Union, within the internal market, but beside that we are benefiting in international trade - towards China, towards the U.S., towards other regions in the world - from this currency policy.”

Ou seja:

"E essa moeda, que entretanto é muito fraca para a nossa economia, é no entanto forte demais para a maioria das outras (economias)", acrescentou ele, falando em inglês no evento em Berlim.

"Somos beneficiados dentro da União Europeia, dentro do mercado interno, mas além disso somos beneficiados no comércio internacional - em relação à China, em relação aos EUA e em relação a outras regiões do mundo - por esta política monetária".

“We have to tell the people in this country that the Germans have to contribute more than others to the success of the European Union,” he added, calling for close cooperation with France to find a way forward on European economic policy.

“We have to do more than we are actually doing because if Europe fails - and this is a clear option, no one can deny it, Europe is really at the threshold at the moment - if Europe fails, the Germans will be those who suffer most from that.”

Traduzindo:

"Temos de dizer às pessoas neste país que os alemães têm que contribuir mais do que outros para o sucesso da União Européia", acrescentou, pedindo uma cooperação próxima com a França para encontrar um caminho para a política econômica européia.

"Temos que fazer mais do que realmente estamos fazendo, porque se a Europa falhar - e esta é uma distinta possibilidade, ninguém pode negar, a Europa está realmente no limiar no momento - se a Europa falhar, os alemães serão aqueles que sofrem mais com isso. ”

https://uk.reuters.com/article/uk-germany-economy/conservative-merz-says-germany-benefits-from-weak-euro-idUKKBN1ND21L

Haaaaaaa! Nada como um bom apertar de calos bem populista para fazer vir à superfície a racionalidade nas cabecinhas germânicas.

S.T.

9 de novembro de 2018 às 00:16

S.T. disse...

A importância das declarações do Sr Merz é que reconhecem e confirmam, se disso houvesse necessidade, todas as afirmações que eu e outros aqui no LdB temos veiculado mas que têm sido escamoteadas às opiniões públicas europeias. Também reconhecem implicitamente a veracidade das acusações de batota cambial que o Sr Trump tem repetidamente feito à Alemanha.

Provávelmente não será o Sr Merz a ganhar a liderança da CDU. A CDU vai querer um ou uma líder mais jovem e "politicamente atraente", mas depois disto são inadmissíveis comentários zombies que neguem vigarice monetária que o euro representa.

O perigo que isto encerra é a tentação de que o governo alemão tente comprar os países periféricos com o proverbial prato de lentilhas. Isto é, falta dar o passo de reconhecer que o montante das compensações que a Alemanha deveria pagar pela sua injusta vantagem monetária de que desfruta seria incomportável para os orçamentos alemães e que portanto é preferível para todas as partes envolvidas a pura e simples dissolução da zona euro.

Falta também dar o passo de reconhecer que vivemos numa inaceitável situação de neocolonialismo e que urge resolver a situação antes que as relações entre os países se azedem ao ponto de porem em causa uma desejável cooperação.
S.T.

João Pimentel Ferreira disse...

Não vale a pena camarada ST. Da mesma forma que não escreve "provavelmente" de forma correcta, mesmo que seja para tal por diversas vezes alertado, considerando que já por diversas vezes lhe referi que todos os advérbios terminados em -mente por serem paroxítonos não são grafados com acento gráfico; jamais mudará de opinião ao considerar que qualquer tirano ou déspota é bem-vindo desde que seja germanófobo ou eurocético. Um teimoso será sempre um teimoso irredutor!

João Pimentel Ferreira disse...

Caro ST, a afirmação de que "os aliados não foram obrigados a pagar os estragos feitos à Alemanha" está no próprio texto que citou e que eu li. Convém ler os textos que cita. Caso tivesse lido, saberia que como a Alemanha foi declarada culpada pela guerra, e de certa forma justamente pois foi a Alemanha quem iniciou a invasão pela Bélgica, viu-se obrigada através de Versalhes a reparar os estragos por si provocados nos demais países, sem que os demais países tivessem de pagar os estragos provocados em território alemão. Está escrito no artigo que citou.

E não percebo essa da deflação quando todos sabemos que o que destruiu por completo a economia alemã arrasando todas as poupanças, foi a hiperinflação dos anos 1920.

João Pimentel Ferreira disse...

Caro ST, posso pedir-lhe encarecidamente que leia e que repare com atenção ao primeiro gráfico

https://www.veraveritas.eu/2017/12/o-euro-uma-leitura-de-esquerda.html?m=1

S.T. disse...

"Camarada"? LOL Até poderia ser um cumprimento (imerecido) se não fosse na boca de um falacioso neoliberal.

É falso que tenha sido a hiperinflação a destruir a economia alemã. Por muito dramáticos que sejam os episódios de hiperinflação, de facto foi a deflação causada pelas políticas austeritárias de Bruning, "o chanceler da fome" que arruinou a economia alemã.

Mas isso até já foi objecto de comentários há meses.

Quanto a ser a Alemanha a pagar os estragos da I Grande Guerra Mundial, apesar de estar no texto isso é o óbvio ululante. Então queria pôr os vencedores a pagar aos vencidos?
Para quê repetir o óbvio? Se foi isso, que é uma questão marginal, que reteve do texto devo dizer-lhe que não percebeu nadica de nada.

E é inútil pôr links porque sabe bem que ninguém tem confiança nem em si nem nos seus links.

Mas compreendo o seu afã em cobrir os meus comentários que são de facto demolidores para um euroinómano. :)

Até quando é que pensa que será possível suprimir a divulgação pública dos factos que aponto? E até nem é nada secreto, apenas conhecimento e informação publicamente acessível.

S.T.

S.T. disse...

Muito mais interessante que as patacoadas do Sr Pimentel é o texto da intervenção de Jacques Sapir no colóquio organizado pela associação Assimetrie.org

http://www.asimmetrie.org/

O texto está neste link:

https://www.les-crises.fr/russeurope-en-exil-italie-budget-et-souverainete-par-jacques-sapir/

Começa assim:

"La crise qui oppose actuellement l’Italie à la Commission européenne sur le projet de budget italien, suite à sa publication[1], porte en apparence sur des pourcentages[2]. En réalité, elle concerne la question essentielle de savoir qui est légitime pour décider du budget italien : le gouvernement issu d’élections démocratiques ou la Commission et ses divers appendices qui prétendent imposer des règles issues des traités. Cette question est aujourd’hui fondamentale : gouverne-t-on au nom du peuple ou au nom des règles ?"

Tradução automática:

"A actual crise entre a Itália e a Comissão Europeia sobre o projecto de orçamento italiano, após a sua publicação [1], baseia-se aparentemente em percentagens. [2] Na verdade, diz respeito à questão essencial de quem tem legítimidade de decisão sobre o orçamento italiano: o governo democraticamente eleito ou a Comissão e seus vários apêndices que alegam impor regras de tratados. Esta questão é fundamental hoje: Governamos em nome do povo ou em nome de regras?"

S.T.